Posts com Tag ‘Bill Murray’

umsantovizinhoSt. Vincent (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Praticamente uma nova versão de Um Grande Garoto com o humor típico de Bill Murray, no lugar de Hugh Grant, e a pegada pop de Nick Hornby trocada pela canastrice do personagem politicamente incorreto e canastrão. Não há espaço para Melissa McCarthy, muito menos para a afetada interpretação de Naomi Watts, como uma protituta interiorana. Só há Bill Murray, interpretando o que Murray faz há muitos anos. O diretor Theodore Melfi não vai além do estigma da comédia dramática do loser antipático, que, no fundo, se descobre de um grande coração.

ograndehotelbudapesteThe Grand Budapest Hotel (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A patifaria de sempre de Wes Anderson, só que dessa vez travestida da década de 30, o Nazismo e o período entre as duas Grandes Guerras. De um lado o fino, o elegante, um luxuoso hotel e seu consierge (Ralph Fiennes) alcançando o cumulo da sofisticação. De outro lado a estrutura estéreo, imersa em cores berrantes (elevador vermelho e uniformes roxos), dos filmes de Wes Anderson. No meio disso uma intricada trama com direito a roubo de quadro, e vilões patifes (Willem Dafoe, Adrien Brody).

É mais uma aventura para unir atores famosos, e eternos colaboradores de Wes Anderson. Assim, Bill Murray e Owen Wilson aparecem em pequenas pontas, enquanto personagens esboçam humor por meio das sequenciais ágeis e picotadas de Anderson. Ele simplesmente traz seu universo para uma época específica, troca os losers da classe média pela alta aristocracia europeia versus um charmoso gerente de um hotel. Com direito a fuga da cadeia e outras patifarias, Wes Anderson é incorrigível.

Moonrise Kingdom (2012 – EUA) 

Wes Anderson conseguiu imprimir marca autoral, uma assinatura clara, e isso é um ponto que respeito em cineastas. Antagonicamente, toda essa característica própria e ímpar soa tão artificial, falsa. A repetição de personagens e situações, onde a esquisitice, sem graça, impera como um comportamento que almeja ser cool.

Os enquadramentos trabalham como uma aula de perspectiva, com profundidade, explorando os ambientes. Afinal, Anderson não quer deixar nenhum detalhe da direção de arte de fora do quadro. Cores berrantes, objetos estranhos, reações mecânicas, tudo faz parte do seu jogo de cena, onde a melancolia tende ao excêntrico. E essa excentricidade opaca, sem vida e nem cor. Inodora, incapaz de explorar além da mesmice de sua fórmula se torna mais e mais a base de sua filmografia.

Dessa vez a história volta aos anos 60. Dois adolescentes desajustados, um bando de adultos esquisitinhos, o primeiro amor e um desejo de romper com os limites impostos pelos pais. Tantas tolices entre as relações entre adultos, enquanto o que de realmente interessante está naqueles dois jovens e em sua fuga, o misto de inocência e rebeldia. O melhor do filme está ali, nos dois jovens atores desconhecidos, o peso do elenco de estrelas pretende trazer alívio cômico (tão desnecessário).

The Royal Tenenbaums (2001 – EUA) 

A consagração em seu terceiro longa-metragem. Wes Anderson já havia sido bem recebido pela critica com Três É Demais (Rushmore), e agora repete os elogios e conquista seu púbico com essa excentricidade dominante. Desde o formato dividido em capítulos como num livro, passando por seus personagens esquisitos, mórbidos e desembocando no humor negro, e num certo grau de ousadia do roteiro co-escrito por Owen Wilson, sempre a excentricidade como figura capital.

No centro de uma familia de prodígios está o patriarca inescrupuloso, o advogado Royal Tenenbaum (Gene Hackman). Os três filhos, um deles adotivo, demonstram talentos natos para as finanças, artes ou esportes, quando crianças. Após ser desmascarado pela família, Royal é obrigado a deixar a casa e se afastar. Mais tarde, completamente falido, descobre que sua esposa Etheline Anjelica Huston) pretende casar-se com o contador. Royal planeja retomar seu lugar na família, inventando uma doença terminal, e desse modo, acabando também com seus problemas financeiros.

A genialidade infantil foi perdida entre problemas familiares e desencontros amorosos, cada um a seu modo, vive amargurado, solitário, ou melhor… perdido. Aquela capacidade precoce foi canalizada para uma tristeza explícita e cíclica. Wes Anderson imprime, com muita personalidade, o astral de seus personagens, vai além disso, todo o pesar e sofrimento são ressaltados com maquiagens, cores de móveis e paredes, direção de arte em sintonia total com a melancolia presente. O humor negro, Anderson descontrói o mito do american way of life, de maneira caricata e abusivamente esquisita.

Gene Hackman brilha, apoiado num elenco de peso, em atuações sob medida ao tipo de cinema que Anderson tenta criar. Mas é uma narrativa calcada numa visão tão nerd de mundo, numa simetria estética que se contrapõe as cores berrantes. Vale, além da corrosiva critica à sociedade americana, a questão dos problemas psicológicos encontrados em  talentos infantis que não se concretizam quando adultos. São inúmeros os casos de adolescências perturbadas e brigas entre familiares gananciosos. Macaulin Calkin está aí para não me deixar mentir.

feiticodotempoGroundhog Day (1993 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Imagine se, todas as manhas, ao acordar, voltássemos ao dia anterior. E tudo ocorresse sempre da mesma maneira, a música do rádio, a temperatura, as pessoas andando na rua exatamente no mesmo horário, os mesmos gestos. Como se você fosse o centro das atenções e o nunca capaz de alterar destinos e comportamentos, tirar do padrão. Não se trata de uma ficção cientifica, e sim uma comédia provocando o protagonista mal humorado, uma espécie de castigo no lugar que ele mais odeia.

O repórter de meteorologia Phil Connors (Bill Murray) todos os anos é escalado para cobrir o Festival da Marmota, que ocorre numa pequena cidade, no início do inverno, e tem muito a haver com o clima e com a continuação do inverno. Phil odeia o lugar. A festa, as pessoas, a marmota, e tudo o que se possa imaginar, e como todos os anos, lá está ele novamente, com uma equipe enxuta: o câmera (Chris Elliott) e a nova produtora Rita (Andie MacDowell). Logo após o fim dos trabalhos, uma nevasca os impede de partir da cidade. Começa o martírio de Phil, como por encanto, ao acordar no outro dia a música no rádio é a mesma de ontem. O homem da escada puxa o mesmo papo, a senhora no café pergunta as mesmas coisas, e Phil percebe que o festival est começando novamente. O dia de ontem havia voltado.

No meio desse dia após dia, de repetição, Phil se apaixona por Rita, que não tolera sua arrogância e egocentrismo. Comédia romântica onde o diretor Harold Ramis permite a Bill Murray brilhar. Seu sorriso sarcástico, o olhar espantado, o romântico agridoce escondido por tamanha petulância. O tempo tornou o filme despretensioso em clássico dos anos noventa.

ed_woodEd Wood (1994 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Que figura sensacional foi Ed Wood (Johnny Deep), e, sem dúvida, nenhum outro cineasta tem uma carreira onde uma cinebiografia, sobre o pior cineasta do mundo, se encaixaria de maneira tão homogênea. Terror B, filmes realizados de qualquer jeito, chega a ser impressionante como Ed Wood conseguia dinheiro para financiar seus filmes, tamanho o descuidado que tinha com os detalhes. Transformava, sem o menor pudor, um lençol num polvo gigante, como se o cinema fosse um teatrinho de escola.  Seu jeito de dirigir filmes, de escrever, por si valeriam esse estudo, mas a figura de Ed Wood era ainda mais complexa, à época, e já tinha manias de usar roupas de mulher, um escândalo e ainda tão carismático.

A trama parte de Ed Wood como um aspirante de cineasta, namorando com Dolores Fuller (Sarah Jessica Parker), uma atriz sem sucesso. Ele faz de tudo para conseguir transformar suas idéias estapafúrdias em filmes, e após um encontro casual, com o antigo astro de filmes de terror, e agora decadente Bela Lugosi, finalmente consegue produzir seu primeiro trabalho. O primeiro fracasso não o deteve, aproveitando-se de Lugosi, ele continua se esforçando para conseguir patrocínios.

Em sua opinião tudo sempre estava perfeito (essa é uma frase muito usada por ele). De maneira amadora e improvisada, porém com entusiasmo contagiante, ele cativava as pessoas. E assim conquistou sua nova namorada, Kathy O’Hara (Patricia Arquette), e construiu sua carreira louca e improvável. Pelas mãos de Tim Burton, e sua atmosfera macabra, alicerçada na linda fotografia em preto e branco, nasce essa bela homenagem a Ed Wood e Bela Lugosi. Mas, é a interpretação de Johnny Deep e de Martin Landau, os grandes trunfos que transformam este, no grande acerto da carreira de Burton, quem diria, logo o filme sobre o cineasta dos erros.

aspanterasCharlie’s Angels (2000 – EUA)  estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Sabe desgosto? Mas, desgosto mesmo? Quando sentei para assistir foi sintomática a lembrança série antiga, que fez tanto sucesso nos anos setenta, e eu pude descobrir nas reprises dos oitenta. Como era gostoso ver as três detetives solucionando os casos, com charme absurdo. Eu ainda tinha esperanças que o filme trouxesse um pouco do glamour da série, mesmo já esperando cenas de ação (estilo Matrix). Só que o estreante McG, diretor de videoclipes do Offspring, Smash Mouth e Sugar Ray, conseguiu transformá-las nas Meninas Super-Poderosas. Uma espécie de versão feminina de Missão Impossível. Coitadas de Kelly, Gil e Sabrina.

O roteiro é composto daquelas ideias mirabolantes, sequestro, recuperar software. Bill Murray empresta seu humor fino, enquanto as garotas tentam se dividir entre a mais sexy, a apaixonada e a mais violenta. É quase um filme de humor B, muito trash, marcando a total descaracterização do original. É uma pena!