Posts com Tag ‘Billy Crudup’

spotlightSpotlight (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O irregular cineasta Tom McCarthy (que no ano anterior cometeu a terrível comédia Trocando os Pés, com Adam Sandler), dessa vez consolida seu nome, da cena independente, com um dos principais aspirantes ao próximo Oscar. Baseado nos fatos reais de uma investigação do jornal Boston Globe, que desencadeou um escândalo gigantesco de padres pedófilos, o filme tenta entrar na redação do jornal e dar maior ênfase à corrida da noticia, do que ela propriamente.

É um estudo empolgante da garra com que jornalistas buscam a noticia, e a forma com que se relacionam a ela, enquanto as discussões entre editores formatam os próximos passos, o como seguir (que muitas vezes é totalmente diferente do que os jornalistas gostariam). Tom McCarthy é feliz em tratar simultaneamente noticia e jornalismo, uma profissão que tenta passar pela reformulação das eras da internet, e parecenem tão valorizada quanto outrora.

Esse resgate do profissional, principalmente o personagem de Mark Ruffalo, converge com o espirito investigativo, com a ânsia por mais, a insatisfação. Tudo resumido pelos planos e contra-planos, os diálogos acalorados, e as posições dúbias em muitos os casos. Se McCarthy pouco explora os verdadeiros interesses editoriais (deixa tímidas perguntas no ar), traz um retrato pulsante do que é o ser jornalista.

Blood_TiesBlood Ties (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Em 2008, Guillaume Canet foi um dos protagonistas do thriller policial frances Les Liens du Sang. Agora, pela primeira vez dirigindo nos EUA, ele decidiu por um remake, dessa vez ficando atrás das câmeras. Seu filme resgasta o Brooklyn nova-yorquino dos anos 70, e Canet teve ajuda de James Gray no roteiro (um de seus filmes tem temas bem semelhantes).

Os carrões, as roupas estilosas, e uma familia em pé de guerra pelos irmãos em lados opostos da lei. Fank (Billy Crudup) é policial, e Chris (Clive Owen) saindo da penitenciárias após alguns anos de cana. Por mais que boa parte do início seja sobre adaptação, após a prisão, como emprego e manter-se longe do crime, o foco é mesmo a explosiva relação familiar. Pai (james Caan), irmã (Lili Taylor) e os dois irmãos, perdão,orgulho e união.

Chris tem sua vida antes da cadeia, filhos e a ex-esposa (Marion Cotilard) e a nova namorada, Natalie (Mila Kunis). Frank também tem seus problemas amorosos com Vanessa (Zoe Saldana) e outro delinquente com quem ela vive (Matthias Schonaerts). O jantar de Ação de Graças que vira uma guerra interna, o Natal com a polícia à procura de Chris, parece que não há paz naquela família, que o passado e presente formam uma dissociação imutável.

Muitos críticos reclamam que o filme é lento, demora a engrenar. Trata-se dessa carga dramática, do peso dos atos, do passado, e remorso. Esses sentimentos movem os personagens, essa lenga-lenga é a chave para a fase final e o final apoteótico. Canet filma de forma vibrante. Tiroteios, brigas, a reconstituição flamejante da década. E, perto do fim, quando os personagens mostram seus sentimentos derradeiros, é que essa carga dramática se mostra mais que justificável, e a sequencia final ainda mais representativa.

Almost Famous (2000 – EUA) 

É tão claro o quanto de carinho, o quanto de pessoal há nesse filme de Cameron Crowe. William Miller (Patrick Fugit) é seu alter-ego, revivendo um Crowe que, assim como tantos jovens, queria ser jornalista de rock n’roll, influencia das coleções de LP’s da mãe (The Who, Led Zeppelin). Mas, no caso dele, na raça e na cara de pau, consegueu espaço numa famosa revista do gênero e cai dentro da turnê de uma banda bastante promissora.

Mergulhamos numa deliciosa viagem pelos bastidores do mundo do rock na década de 70, longe da profundidade dramática de tentar compreender ídolos, conflitos de bandas e dependências mais graves de drogas, o filme carrega mesmo esse clima feel good, entre paixões e emoções de quem tem a chance de viver sua paixão. É o momento “está acontecendo” eclipsado na vida de um jovem atrevido que foi lá e nos representa. E nesse clima, o destaque é todo da tiete Penny Lane (Kate Hudson) com sua graciosidade intrigante. Isso, sem falar em Frances McDormand, na pele da mãezona que persegue os passos do filho, e dispara aquele jargão velho conhecido “Não use drogas”. Filme par estar sempre perto, no alcance das mãos.