Posts com Tag ‘Billy Wilder’

ray milland - the lost weekend 1945The Lost Weekend (1945 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Um sujeito arrumando as malas e olhando pela janela, onde um objeto está amarrado e pendurado para fora da janela. O desejo é latente em seu olhar, mas há outro homem no quarto, está claro que aquilo é um segredo, que ele não poderia simplesmente chegar até a janela sem despertar qualquer suspeita. Na janela havia uma garrafa pendurada, o escritor Don Birman (Ray Milland) sofre com alcoolismo.

A degradação humana exposta de forma crua por Billy Wilder, a perda da credibilidade e a humilhação se sobrepondo a falta de autocontrole, e Wilder traz um retrato cruel e sincero, simplesmente arrasador. No filme ele perde um fim de semana, que deveria marcar sua recuperação, no roteiro ele praticamente perde a vida, nenhuma dignidade, pedindo (até mesmo roubando) por uns trocados para mais uma dose. Wilder não faz nada além de retirar qualquer filtro e julgamento e mergulhar profundamente na incapacidade de controle, na necessidade pungente de mais um gole.

A marca dos copos molhados na mesa do bar, o reflexo da garrafa no lustre, ou o embate marcante entrerato e morcego, cenas brilhantes que perpetuam a performance mais que brilhante de Ray Milland. O flagelo humano e seu combustível para destruição, uma obra-prima maravilhosa.

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avidaprivadadesherlockholmesThe Private Life of Sherlock Holmes (1970 – ING) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O título exemplifica bem, acima dos casos decifrados com sagacidade e eficiência pelo detetive Sherlock Holmes (Robert Stephens), o filme é mais sobre a vida íntima dele, a relação com Dr. Watson (Colin Blakely), ou a empregada, e o tédio quando da ausência de desafios a sua mente. É interessante como Billy Wilder invade a casa de Holmes, entre suas engenhocas e o vicio de drogas, enquanto Watson resmuga e tenta protegê-lo da monotonia.

O humor ingênuo dos filmes americanos de Wilder, ganha maior refinamento britânico, mas não alcança essa coisa que só os moradores da ilha tem. A trama se divide em duas histórias, flerta muito com homossexualismo e drogas (portanto, não é recomendado aos mais jovens), sempre com mulheres surgindo para bagunçar o modus operandi daquela casa. Christopher Lee aparece como irmão de Sherlock, mas, como era de se esperar, os melhores momentos estão sempre nessa relação próxima e levemente explosiva entre Holmes e Watson.

umalouraporummilhaoThe Fortune Cookie (1966 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Jack Lemmon é o cunhado bonzinho que foi largado pela esposa interesseira (Judi West) e cai na lábia do astuto e gatuno cunhado advogado (Walter Matthau). Os personagens-clichê se moldam rapidamente, a cada entrada em cena de um novo personagem, você já sabe exatamente o modo de agir, o que vai querer, e como fará para conseguir seus objetivos. Eis a grande maestria de Billy Wilder, capaz de transformar um conjunto de personagens comuns, numa comédia saborosa.

Advogados tentando acordos, detetives querendo descobrir, e provar, a falcatrua, e como pivô um doce romântico, capaz de ferir sua índole em prol de seu amor. Seja no quarto do hospital, ou no apartamento, ou ainda nos escritórios dos advogados, é Walter Matthau quem toma conta do filme, fazendo de Jack Lemmon trampolim para seu brilho intenso. Matthau passando como um trator por cima de todos, desprezando o que não lhe interessa, um manipulador nato.

testemunhadeacusacaoWitness for the Prosecution (1957 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

As briguinhas entre o advogado (Charles Laughton) e a enfermeira linha-dura (Elsa Lanchester) surgem quase fora do script, trazem um alívio cômico delicioso, mas de nada acrescentam à trama de filme de tribunal dessa adaptação da obra de Agatha Christie. Porém, são, exatamente, esse tipo de detalhes que trazem vida, tornam mais plausíveis essas histórias tramadinhas, bem arranjadas.

É a mão de Billy Wilder, a ingenuidade de suas comédias invadindo o mundo dos hábeis advogados, o jogo de palavras dos tribunais, o poder da oratória. Nesse vai-e-vem de mau humor com remédios e cigarros, ou mesmo no tribunal com o juiz e o promotor, e as pistas para desvendar (ou embaralhar) o caso, que Wilder costura essa linha narrativa saborosa.

Temos um crime, um suspeito (Tyrone Power), uma esposa (Marlene Dietrich) oferecendo um álibi, amores e possíveis traições, cartas. Esposa devota ou vilã? Em seu final, o filme pede que o público não conte o grande segredo da história, transformava em trunfo essa espécie de cumplicidade. Na época deu certo.

opecadomoraaoladoThe Seven Year Itch (1955 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

No teatro que Billy Wilder foi buscar essa deliciosa comédia sobre a famosa crise dos sete anos nos casamentos. Parte comparando a sociedade de Manhattan com os índios, pura balela humorística, onde desde a época dos indígenas que as famílias partiriam de férias, no verão, enquanto os homens permanecem trabalhando, e, correndo o risco de “ceder” à tentação de outras mulheres.

Wilder brilha com a ingenuidade do humor das piadas e de seus personagens. Marilyn Monroe e sua eterna loira tolinha, tirando homens do sério, vira vizinha de Richard Sherman (Tom Ewell). E como era de se esperar, o cara pira na vizinha sensual, que sofre de calor, do tédio solitário da chegada a essa Nova York imensa, e de uma inimaginável capacidade de não entender o porquê de todos os homens a pedirem em casamento.

Em sua grande maioria foi filmado num apartamento, mas a mais célebre cena é o irresistível momento em que o vestido de Monroe é levantado pelo vento. A cena é o perfeito resumo da personagem que ela sempre desempenhou no cinema. Já Tom Ewell não tem nada de sex-appeal, mas os dois se assemelham na imaginação fértil, nas possibilidades sonhadoras, nas conversas dele, com ele mesmo, como quem tenta provar, a si próprio, seu valor.

pactodesangueDouble Indemnity (1944 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O vendedor de seguros (Fred MacMurray), galanteador, não imaginava a confusão em que estava prestes a se envolver quando flertou com a loira de corrente no tornozelo (Barbara Stanwyck). O diálogo em forma de metáfora, envolvendo milhas, velocidade permitida, e que se resumia num elegante fora, era apenas uma das artimanhas felinas.

Do romance ao plano perfeito para fraudar a seguradora, não foi necessário muito tempo. Porém, já sabemos que o tiro saiu pela culatra, o filme é narrado em flashback, com Walter numa espécie de confissão. O astuto e versátil Billy Wilder conduz esse noir com sofisticação, do apartamento simples de Walter, às visitas na luxuosa casa da loira diabólica, passando pelos diálogos preciosos do especialista em fraudes (Edward G. Robinson), tudo preza pela sofisticação e por um sabor de humor sutil que casa com esse ar de mistério, que confunde, ou abusa das coincidências.

amundanaA Foreign Affair (1948 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Billy Wilder visitando a Alemanha pós-Segunda Guerra, um país em ruinas, sob domínio das tropas vencedoras da guerra que perseguem ainda os líderes Nazistas. É nesse contexto que chega a congressista (Jean Arthur) fiscalizando o exército americano e o cumprimento dos métodos e procedimentos. Lá encontra os militares obcecados por se aproveitarem das mulheres alemãs, seduzindo-as pelas esquinas.

No tom comédia romântica de Wilder, sem perder o  ritmo da época de ouro de Hollywood, o filme se torna um triangulo amoroso envolvendo um capitão do exército (John Lund) e uma cantora de cabaret (Marlene Dietrich). A deliciosa ingenuidade de algumas cenas contrasta com a s edificações em estado caótico, mas esse pano de fundo não passa de pretexto. O foco mesmo é esse triangulo amoroso, as artimanhas do capitão para manter em segredo sua amante oculta, e a forma como o congressista descobre o amor.