Posts com Tag ‘Brian de Palma’

passionPassion (2012 – FRA/ALE) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Na visão de mundo corporativo de Brian de Palma, os computadores não possuem senhas. A questão da hierarquia é um mero detalhe, e todos querem transar com todos (sejam homens e mulheres), e ao final, transam mesmo. As motivações sexuais regulam os comportamentos e movitações pessoais. É triste enxergar isso em de Palma, porém seu filme é repleto de tantos equívocos, que nem com toda boa vontade do mundo um fã poderá defendê-lo.

Seja pelas atuações fora de tom – Noomi Rapace sofrível, Rachel McAdams patética, ou pela necessidade de transformar a disputa de egos em thriller erótico, nada se parece com os climax geniais de Femme Fatale ou Vestida para Matar (só como exemplos). Seu remake do filme francês, Crimes de Amor, não passa de sombra do gênero que ele planeja desenvolver.

Falta vida, falta amor, a tensão surge de forma artificial, além de um plano saindo da posição de uma gaveta, oou uma tomada aérea, não há nada que se salve. E quando pensamos no roteiro, no desenvolvimento do crime, tudo parece coisa de amador.

E as altas expectativas pelo novo filme de Brian de Palma, ‘Passion’, não foram atendidas. Com um thriller homo-erótico (refilmagem de um filme francês de 2010), encabeçado por Rachel McAdams e Noomi Rapace, o cineasta traz uma história de disputas profissionais-amorosas utilizando-se do sexo como arma de poder e sedução.

Críticas: Hollywood ReporterScreen Daily El País

Termômetro: morno

O último filme da competição principal foi da italiana Francesca Comencini, ‘Un Giorno Speciale’. Seus filmes nunca inspiram confiança, e esse não parece ser diferente. Um motorista em seu primeiro dia de trabalho e uma aspirante a atriz, atrasos no teste dela e os dois passam o dia entre aventuras que os fazem apaixonar (cara de conto de fadas, não?).

Críticas: CineuropaÚltimo Segundo

Termômetro: passar longe

E a 69ª edição do Festival de Veneza chega ao fim hoje, daqui a pouco acontecerá a premiação (e eu espero conseguir um link de streaming para assisti-la), já começaram as especulações fortes e como toda especulação, atira para todos os lados. Os filmes, aparentemente, “mais” favoritos, seriam de Paul Thomas Anderson, Olivier Assayas, Kim Ki-Duk e Marco Bellocchio (seria a hora de um prata da casa?), logo mais saberemos. Ao que tudo indica, o saldo foi bem positivo.

Olhos de Serpente

Publicado: maio 24, 2011 em Uncategorized
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Fim de uma série de 3 posts só com filmes de Brian de Palma!

Snake Eyes (1998 – EUA)

Se Brian de Palma é realmente o sucessor de Hitchcock, este talvez seja o filme de que mais dialogue com o estilo do mestre do suspense (O Homem que Sabia Demais é lembrança recorrente). Pouca importa se o herói é um policial corrupto ou certinho (Cage), ou se está ali para salvar o mundo ou apenas desvendar o mistério de um atentado a um dos representantes ao alto escalão do governo. As reviravoltas esperadas e personagens clichês ocupam boa parte da trama, além de um exagero caricato de Nicolas Cage em se fazer passar pelo policial malandrão de Atlantic City.

Esqueça tudo isso, apenas perfumaria, estamos diante de um exímio trabalho de total controle de um cineasta sob a sensação de tensão, sob o suspense que será exercido sob o público. Um show de travellings, planos-sequências de tirar o fôlego (o que abre o filme tem 8 minutos, um outro mostrando o que está acontecendo em vários quartos de hotel até chegar finalmente onde o protagonista está), Brian de Palma invade seu filme e desfila suas artimanhas cinematográficas a todos os cantos, encobrindo os problemas de seu filme com seu talento transformar em luxo o comum.

Um Tiro na Noite

Publicado: maio 22, 2011 em Uncategorized
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Blow Out (1980 – EUA)

Brian de Palma tem domínio total da imagem, aventura-se em ângulos pelo teto dos ambientes criando verdadeiras visões alongadas e sem dimensão de profundidade. Ao inserir um sonoplasta como protagonista, dá ao som uma importância crucial a sua história, o cara que capta o som de uma coruja é o herói a colocar a vida em risco em prol da justiça dos fatos. A trama envolve um político de prestígio, um acidente suspeito, uma série de investigações de um civil bisbilhoteiro e uma rede de intrigas políticas. Tudo regado ao suspense do discípulo de Hitchcock em sequências que primam pela atmosfera e não oferecem tanto cuidado assim com a encenação ou com a falta de ingenuidade. O esmero está nesse trabalho técnico, enquanto nosso técnico em som cuida dos detalhes para unificar som e imagem e ter a prova capital do acidente, de Palma desfila exuberante toda sua capacidade de nos envolver e envolver e envolver, ao ponto em que o “como vai ser mostrado” passa a ser mais importante do que o “no que vai dar”.

Carrie, A Estranha

Publicado: maio 20, 2011 em Cinema
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Carrie (1976 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Queria abrir citando três destaques. Começo pelo grau de tensão sexual, comandada por Brian de Palma. Ele traz o pornográfico para dentro do terror psicológico de forma lúdica. A sequencia inicial é o melhor exemplo, no vestiário feminino, e é só o abre-alas, já que a tensão está nas relações entre as estudantes, entre filha e mãe (religiosa mais que fervorosa), e nos desejos reprimidos de uma jovem isolada do mundo. Disso falemos de Carrie (Sissy Spacek), seu rosto de boneca, e sua inocência tardia, que fazem da garota um encanto. E, de Palma consegue trazer doçura nas cenas de flerte, acreditamos naquele início de amor puro, ingenuidade latente.

E, sem esquecer, o mais óbvio, o fantástico domínio do cineasta, em nos fazer mergulhar nas transformações de Carrie White, na fúria reclusa, no universo adolescente. De Palma praticamente se coloca dentro do filme, quase dá pitacos nos comportamentos, é a mão que conduz, que aponta os caminhos, e o faz de maneira aterrorizante. O público agoniza petrificado com esse misto de libido, espiritualidade, amor, desejo, violência, inocência, e fúria. Carrie movimenta os objetos, e nos enlouquece nesse misto de terror e pureza.

Os meus 10 Melhores Filmes que entraram em cartaz , no Brasil, em 2003.

arcarussa

  1. Arca Russa, de Aleksandr Sokurov
  2. Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood
  3. Dolls, de Takeshi Kitano
  4. Segunda-Feira ao Sol, de Fernando León de Aranoa
  5. As Horas, de Stephen Daldry
  6. Embrigado de Amor, de Paul Thomas Anderson
  7. Femme Fatale, de Brian de Palma
  8. Longe do Paraíso, de Todd Haynes
  9. Dez, de Abbas Kiarostami
  10. O Filho, de Jean-Pierre e Luc Dardenne