Posts com Tag ‘Brillante Mendoza’

ma-rosaMa’ Rosa (2016 – FIN) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O cinema de Brillante Ma Mendoza descambou para a tragédia melodramática de um jeito que não parece ter mais volta. Seu cinema vigoroso, violento, e até ultrajante, tem dado espaço a histórias que se encaixam perfeitamente no Tragédia Pouca é Bobagem. Em Cannes, o filme saiu com o prêmio de melhor atriz Jaclyn Jose, que faz a mãe dessa família que tem uma loja de doces de fachada para seu comércio de drogas numa favela em Manilla.

Maior parte da trama acontece na delegacia, pai e mãe presos em flagrante e os filhos tentando levantar o dinheiro para fiança ou “acordo” com os policiais. Desse ponto em diante, Mendoza não pouca um segundo do filme de pequenas tragédias que apenas se acumulam e perdem todo o impacto que o cineasta tentava tecer a seu drama familiar.

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aarmadilha

Taklub (2015 – FIL) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Situando-se, irregularmente, entre o picareta e o comovente, o novo filme de Brillante Mendoza volta-se ao flagelo humano dos filipinos, moradores de barracos em regiões costeiras, sofrendo as consequecias da passagem do Tufão Iolanda. Se por um lado, Mendoza carrega nas tintas e na trilha sonora melodramática, por outro, sua lente capta fielmente agruras de um povo que enxuga as lágrimas por não ter outra opção, a não ser permanecer daquele local à espera de outro fenômeno natural. Filme já começa com agonizantes cenas de corpos carbonizados pelo incêndio causado por lampião de querosene, já não bastasse as dores das recentes mortes causadas pelo Iolanda.

A narrativa concentra-se em três diferentes famílias, todas reconstruindo os cacos de perdas recentes. Aliás, reconstruir casas e apaziguar a alma são tarefas diárias, que requerem força que nem sempre esses personagens encontram. E nunca há sossego, até o início de nova chuva e rajada de ventos, sempre sob o medo de novo Tsunami, em dado momento, o filme reconstrói uma noite em que todos abandonam seus barracos para se abrigar no estádio. O caos desesperador, e o apego a pequenas lembranças ou animais de estimação. É tudo tão dolorido e desesperador que os abusos melodramáticos que Mendoza recorre, em outras cenas, aqui se justificam, pela possibilidade de dispor ao público uma pequena parcela da sensação de completo desabrigo daqueles lutadores.

Tirador

Publicado: julho 16, 2014 em Cinema
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tiradorSlingshot (2007 – FIL) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Todo cinéfilo que se preza, ao descobrir um cineasta expoente, com alguma marca que se destaque, parte em busca de outros trabalhos. O filipino Brillante Mendoza tem se destacado no cenário recente mundial, e quanto mais se mergulha em seus filmes, mais vibrantes e urgentes eles parecem ser. Com câmera na mão e imagem tremendo o tempo todo, Mendoza acompanha a vida de delinquentes da periferia de Manila.

A exposição da cidade é de meter medo, e guarda semelhanças com centros comerciais populosos do subúrbio brasileiro. Roubos e pequenos furtos, a vadiagem por excelência, a vida em favelas. Lentamente, o filme passa a compreender os personagens, da mulher que economizou meses para ter uma dentadura, aos bandidos que enganam bandidos, e, não podiam faltar, os políticos em busca de votos. O retrato mais cru possível de um cotidiano frenético e transgressor, de miséria, mas também dessa corda-bamba de viver de pequenos golpes num tipo de violência traiçoeira que se tornou o modus operandi de sobrevivência de uma parte da população.

Captive (2012 – FIL/FRA)

Novamente Brillante Mendoza não aparece com um filme fácil, o sequestro de estrangeiros em um ressort, pelo grupo capitaneado por Osama Bin Laden, pouco antes do ataque das Torres Gêmeas.  Mendoza foge do filme político, a narrativa é toda sobre o sequestro, meses e meses no meio da mata, pedidos de resgate para patrocinar o terrorismo, a relação que nasce entre sequestrados e sequestradores.

Pena que demore demais para tentar desenvolver um pouco dos personagens, Isabelle Huppert é, obviamente, uma das privilegiadas, e sua grande cena se dá quando num depoimento iniciado em inglês e encerrado em frances demonstra a necessidade de correr para a lingua mãe quando nos mostramos na essencia. Mendoza filma muito barro, muito tiroteio, porém passa longe da contundencia de trabalhoes anteriores.

Mal recebido, na mostra competitiva, o filme belga ‘La Cinquième Saison’, última parte de uma ttrilogia filmada pelos diretores Peter Brosens e Jessica Woodworth, a perfeição da vida no mundo rural belga é, de repente, quebrada por mudanças climáticas que mexem com os animais, o mundo entra em caos. Culpa dos estrangeiros, do meio-ambiente? Críticos em suya maioria frustrados, raras exceções maravilhados.

Críticas: Cine-VueScreen DailyÚltimo Segundo

Termômetro: passar longe

Os holofotes ficaram mesmo por conta da presença de Robert Redford apresentando seu novo filme (dirigido e estrelado por ele), um thriller policial no melhor estilo de seus filmes dos anos 60 (pena que o diretor já passou dos setenta e me dá medo ele estar achando que ainda seja um garotinho). A trama de ‘The Company You Keep’ trata de um ex-ativista político descoberto trinta anos depois de seu passado ativo. O filme foi exibido fora da competição e o elenco conta com Susan Sarandon, Shia LaBeouf e outras estrelas.

Críticas: Screen DailyHollywood ReporterSlant Magazine

Termômetro: morno

Definitivamente o filipino Brillante Mendoza está na mira dos grandes festivais. Este ano emplacou seus filmes na competição principal de Berlim e Veneza. ‘Thy Womb’ narra a história de um casal, a esposa não pode ter filhos e aceita uma segunda esposa para que possam completar o desejo de uma família. Daí Mendoza volta a retratar aspectos culturais e sociais de seu país e seu povo, garantindo elogios moderados.

Críticas: Cine-VueHollywood ReporterCarta Capital

Termômetro: de olho

Lola

Publicado: março 4, 2011 em Uncategorized
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O mais recente filme do filipino Brillante Mendoza, que também dirigiu Kinatay (do post anterior) e Serbis.

Lola (2010 – FIL)
 
Brillante Mendoza é um sujeito que não economiza na dificuldade de seus personagens, mas o faz de forma tão altiva e sufocante que seus dramas parecem estar acontecendo no bairro ao lado, ou com a amiga da mulher que trabalha com você. Lola faz referencia a avó em filipino, o foco são duas Lolas. Uma conta as migalhas e pede aos vizinhos centavos para o enterro de um de seus filhos, a vida é de miséria, os fundos da casa dão para um rio/lago, a pobreza não tem fim, e a tristeza e amargura estão marcados em seu rosto. A outra Lola está também desesperada, seu neto é o suspeito do assassinato, eles também vivem de forma miserável (um pouquinho melhor que a outra família), e ela não sabe o que fazer pare livrá-lo da cadeia.

Uma comerciante nata, a outra clamando por justiça, Mendoza imerge seu público na pobreza, na miséria, e faz sem dó, sem lentes embelezadoras, a parede é cinza, a cor da água é cinza, o coração dessas mulheres também reflete a cor cinza. Não é fácil ser personagem de um filme de Mendoza, como não é nada fácil acompanhar a maneira vital e angustiante com que o cineasta acompanha o desenrolar dessas duas mulheres, o desespero de quem não tem força para chorar, mas a dor está ali, alojada completamente em cada segundo da vida de cada um deles.

Kinatay

Publicado: março 2, 2011 em Uncategorized
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Kinatay / The Execution of P (2009 – FIL/FRA)

Tudo começa límpido, claro, o casal simples saindo de casa apressado com o bebê no colo. É o casamento deles, Brillante Mendoza brinca com a doçura da felicidade em família. Este será um filme claustrofóbico, apreensivo, praticamente uma sessão de tortura ao espectador, o estomago embrulha e a câmera te sufoca. Do dia do casamento para o trabalho com mafiosos sequestrando uma dançarina de boate foi só esperar a noite. A van cheia de maus encarados, o terror pela violência contra uma desconhecida, o ponto de tortura em que estes homens chegam.

Tudo é filmado de forma crua, imagem vagarosa e aterrorizante, é o clima de sufoco, de desespero que está sendo captado por Mendoza. Pouco importa os detalhes sórdidos que levaram a aquela ação, seu objetivo é trabalhar com a imagem turva, com as sombras, com o desespero e ansiedade expostas no rosto daquele iniciante que parece não acreditar o que aquele dia lhe reservara. O som da respiração, os olhos esbugalhados, o pavor em cada feição, Brillante Mendoza nos deixa estupefatos com sua presença marcante cheia de momentos minimalistas.