Posts com Tag ‘Bruce Dern’

osoitoodiadosThe Hateful Eight (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Após tantas polêmicas quanto ao roteiro que vazou, a ponto de Quentin Tarantino quase abdicar do filme, estamos novamente com outro western spaghetti, quase um exploitation, do cineasta americano que não se cansa de suas referências. Quase um conto remetendo a história americana desse passado escravagista e racista, enquanto Tarantino não deixa de elencar que é seu oitavo filme, com seus planos cheios de estilo e outras marcas registradas, Outra repetição marcante é o ritmo pacato dos diálogos, que vão explicando os meandros do roteiro super-elaborado, e até as idas e vindas da mesma cena, sempre trazendo novos significados.

Circustancias colocam oito sujeitos dentro de uma cabana, escapando da nevasca. Caçadores de recompensa, enforcadores, um xerife e um general. O clima de insegurança se confunde com a aspereza no trato entre eles. Enquanto isso, o cinema de Tarantino segue com os sinais de cansaço da dependência de sacadas muito além do genial, que nem sempre se realizam. E a falta delas dá lugar a repetição, seus filmes persistem com narrativa palatável, com esse amor cinéfilo levado as últimas consequências. Não que isso tudo resulte no frescor de seu início de carreira.

 

Nebraska

Publicado: fevereiro 14, 2014 em Cinema
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nebraskaNebraska (2013 – EUA)

Ainda tentando entender as verdadeiras razões por trás desse filme, Alexander Payne não deve ter realizado apenas um filme anti-climax, deveria haver algo mais ali. Sua nova comédia dramática tenta ser um filme sobre família, mas não é efetivamente. Um resgate ao passado, reencontro não planejado de amigos e histórias, nisso funciona. Nesse retorno do diretor ao road movie, dessa vez em branco e preto, é todo focado nessa autoreferencia ao passado, ao antigo.

Um idoso (Bruce Dern) teima ter ganho 1 milhão de dólares, e inferniza a família. Um dos filhos (Will Forte) se cansa da teimosia e realiza a vontade do pai de buscar o suposto premio. Poderia ser uma viagem de redescobrimento, ou de aproximação pai e filho. O próprio filho diz isso ao longo do filme, mas não é bem isso. Uma família esquisita frente a frente com a velha história dos interesseiros que surgem quando você está “por cima da carne seca”. Não é uma trama meio banal?

O humor não funciona como nos filmes anteriores de Payne, as piadas praticamente passam bem longe de surtirem efeito, algumas até beiram o ridículo. E dessa forma mergulhamos um pouco no ritmo pacato de uma cidade pequena dos EUA, se Payne buscava um retrato da pasmaceira, talvez seja a única funcionalidade efetiva de seu filme. De resto são teimosias e personagens beirando o caquético.

virginiaTwixt (2011 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A cada novo filme, Francis Ford Coppola parece provar que desaprendeu a fazer cinema. Há anos vem numa fase de pequenos trabalhos, que deveriam representar um cineasta cansado dos grandes estúdios, orçamentos milionários, filmes grandiosos e eloquentes. Mas não: a sensação é de que ele perdeu a mão mesmo e procura se reencontrar, como se sofresse de uma espécie de amnésia criativa. Seu nome, prestígio, amizade, seja o que for, ainda conseguem atrair atores de destaque (ou que buscam a redenção, caso do protagonista Val Kilmer), porém suas histórias vagam entre o confuso e o desinteressante.

O roteiro é daqueles “para boi dormir”. Um escritor de livros sobre bruxas (Kilmer) vai parar numa cidade macabra, com vampiros e um inexplicado assassinato em série de crianças, além de um xerife doido para ser escritor. Desse mote para um envolvimento com a própria história trágica do escritor é um pulinho.

Utilizando sua própria fazenda para as filmagens, Coppola parece ter descoberto a câmera HD só agora, e as imagens são tão mal-acabadas que mais parecem uma daquelas produções terror B que inundam a programação da tv a cabo nas madrugadas. Ainda há Edgar Allan Poe (coitado dele) explanando sobre a escrita, atuando como uma espécie de narrador para o próprio escritor entender tudo que se passa. Há também a mistura de sonho e realidade, uma parafernália narrativa para tentar resolver o que parece sem solução: o resultado final que não vale muita coisa.