Posts com Tag ‘Bruce Willis’

oultimoboyscoutThe Last Boy Scout (1991 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Os anos foram passando, e aquela sensação de que o filme de Tony Scott era quase um spin-off de Duro de Matar, permaneceu viva na memória. Talvez seja o humor do protagonista (Bruce Willis), exatamente o mesmo de John McLane, aliado ao parceiro negro (Damon Wayans), e um grau de alcoolismo que o faz iniciar o filme bêbado, dormindo num carro (assim como Duro de Matar 3), já seria boas desculpas para acreditar se aproximação além do ator e gênero de ação.

Durante um jogo de futebol americano, um dos jogadores corre para o Touchdown e antes de ser bloqueado, saca uma arma e atira no joelhos dos adversários. Não me digam que tamanha audácia não é intrigante. A trama segue entre as dificuldades do casamento do detetive, e seu passado de glória trabalhando para o presidente, e a ganancia de magnatas do esporte, envolvidos em apostas e outras maneiras de realizar cifras milionárias.

Longe dos trabalhos mais prolíferos de Tony Scott, se não houvesse a proximidade com a trilogia antiga (já que a franqui foi retomada) poderia estar um pouco mais esquecido. Afinal, bebe dos clichês sem oferecer nenhuma esperança de redenção. Nem mesmo a aparição de Hale Berry em início de carreira, daqueles filmes que ficam melhores na memória de infância.

durodematar5A Good Day to Die Hard (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Vale dizer que sempre fui fã da trilogia. O primeiro filme, talvez seja, aquele que mais revi na vida. Hollywood enfrenta essa escassez de grandes astros, fabrica novas estrelas sempre na esperança de preencher lacunas. E como não conseguem, os estúdios recorrem aos antigos grandes astros, além de ressuscitar franquias. Nenhum dos casos dá certo, sessentões – até setentões, fazendo as mesmas estripulias dos anos 70, 80, 90, é dose. O retorno de John McClane (Bruce Willis) foi um fiasco, e esse novo consegue ser pior ainda. Nosso duro de matar foi parar na Rússia, dirige por Moscou como se fosse a 5ª Avenida. Vai parar na usina de Chernobyl, nem sendo fã para aguentar essas coisas.

O diretor John Moore e os roteiristas poderiam demonstrar um pouco de respeito aos que cresceram acompanhando as estripulias (que já eram absurdas) e o humor típico do “nosso caubói”. Mas não, retomam o clichê dos soviéticos-vilões e enquanto McClane tenta se reconciliar com o filho, ele aproveita para… salvar o mundo. O humor carece de apuro, já os tiros e explosões não são nada perto das leis da física quebradas pelo clã McClane. Convido a todos a não assistir, seria melhor, assim a saudosa trilogia fica mais vibrante na memória.

Moonrise Kingdom (2012 – EUA) 

Wes Anderson conseguiu imprimir marca autoral, uma assinatura clara, e isso é um ponto que respeito em cineastas. Antagonicamente, toda essa característica própria e ímpar soa tão artificial, falsa. A repetição de personagens e situações, onde a esquisitice, sem graça, impera como um comportamento que almeja ser cool.

Os enquadramentos trabalham como uma aula de perspectiva, com profundidade, explorando os ambientes. Afinal, Anderson não quer deixar nenhum detalhe da direção de arte de fora do quadro. Cores berrantes, objetos estranhos, reações mecânicas, tudo faz parte do seu jogo de cena, onde a melancolia tende ao excêntrico. E essa excentricidade opaca, sem vida e nem cor. Inodora, incapaz de explorar além da mesmice de sua fórmula se torna mais e mais a base de sua filmografia.

Dessa vez a história volta aos anos 60. Dois adolescentes desajustados, um bando de adultos esquisitinhos, o primeiro amor e um desejo de romper com os limites impostos pelos pais. Tantas tolices entre as relações entre adultos, enquanto o que de realmente interessante está naqueles dois jovens e em sua fuga, o misto de inocência e rebeldia. O melhor do filme está ali, nos dois jovens atores desconhecidos, o peso do elenco de estrelas pretende trazer alívio cômico (tão desnecessário).

Looper (2012 – EUA)

Jamais imaginaria que Joseph Gordon-Levitt se tornaria estrela de filmes de ação, com seu corpo franzino e sua cara de bom menino. Mas, depois de dois ou três filmes do gênero, e pensando na escassez atual de astros para esse gênero, ele já entrou na turma. Looper são assassinos contratados para colocar fim à vida de pessoas trazidas do futuro. Num tempo que a viagem no tempo ainda não foi inventada, eles apenas recebem os corpos dos que serão “deletados” e fazem o serviço.

O quê de ficção científica não é tão explorado pelo diretor Rian Johnson que está mais preocupado em deixar a trama bem complicada e encontrar eficiência nas sequencias de ação. O jogo de gato e rato começa quando Joe (Gordon-Levitt) tem que tirar a vida, do homem que é, simplesmente, ele mesmo, 30 anos no futuro (Bruce Willis). A máfia atrás dele, seu eu, no futuro, em busca de uma maneira de se salvar, o ritmo e argumentos voce já conhece bem, e mesmo dentro dos clichês, o resultado do filme é animador, entretenimento com exageros aqui e ali.

pulp-fictionPulp Fiction (1994 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

“Não odeia isso? O quê? Os silêncios que incomodam. Por que temos que falar de idiotices para nos sentirmos bem? Não sei. É uma boa pergunta. É assim que sabe que encontrou alguém especial. Quando pode calar a boca um minuto e sentir-se à vontade em silêncio.” A seqüência é longa, mas do detalhe do milk shake até a caminhada ao banheiro, há um quê de genial em cada detalhe. A câmera pegando os atores em perfil, o jogo de plano contra-plano, os cortes entre um Vincent (John Travolta) incomodado, e Mia (Uma Thurman) com olhar penetrante, a música compassada ao ritmo do diálogo, o ambiente anos 50, o tom de voz, o uso do canudo, tudo. Quentin Tarantino me ganhou, aliás, já havia me ganhado momentos antes, na primeira aparição de Mia, ou melhor, apenas seus lábios vermelhos ao microfone.

A esta altura do campeonato, falar de Pulp Fiction é chegar atrasado na festa, quando já comeram os brigadeiros. Tarantino teceu uma fascinante homenagem a literatura Pulp, criou um filme cult, inaugurou um estilo próprio e pop. Agradou q a quase todos Gregos e Troianos, ganhou da Palma de Ouro a um público cativo. Tudo isso com essa violência sanguinária, com a forte influência do Exploitation, e com essa pega tarantinesca de humor e fascínio. São inúmeras cenas inesquecíveis, que mereceriam ser detalhadas, revistas. o diálogo pré-assalto de Tim Roth, os dois gangsteres com paletós ensanguentados, os acontecimentos na loja de som, toda as sequencias com Harvey Keitel.

O sangue e a violência estão por toda a parte, a narrativa, com cronologia bagunçada é somente mais uma peça chave desse quebra-cabeças. Referências espalhada por todos os frames (espada, moto, twist), é a maneira como Tarantino orquestra tudo que gera o fascínio. Violência romântica, quase deliramos com um apertar de gatilho, o sangue jorrando, o humor sarcástico dos assassinos. Num filme sem mocinhos, os bandidos ficam mais fascinantes. Pulp Fiction é puro deleite, e delírio, cinéfilo.

meuvizinhomafiosoThe Whole Nine Yards (2000 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Os astros de Friends continuam tentando estabelecer carreira além do seriado, Matthew Perry protagoniza essa comédia como Nicholas Oseransky, dentista num casamento completamente furado com Sophie (Rosanna Arquette). Ela não passa de uma interesseira, que vive infernizando a vida do marido. Seus planos maquiavélicos são de mata-lo e ficar com o seguro de vida. Para a casa vizinha se muda um homem com uma tatuagem de uma flor no braço, Nicholas percebe tratar-se de do matador profissional Jimmy Tudeski (Bruce Willis), que estava escondendo-se de um chefão da máfia a qual ele havia delatado em troca de anistia. Sabendo da situação, Sophie força o marido a viajar a Chicago e procurar o tal chefão da máfia Janni Gogolack (Kevin Pollack), esperando assim ganhar alguma recompensa por informar o paradeiro de Jimmy.

Começa uma rede de confusão pela qual o dentista atrapalhado se mete, servindo como elo entre os mafiosos e o vizinho matador profissional. E, para piorar, se apaixona pela esposa de Jimmy (Natasha Henstridge). O filme vaga entre o exagerado, o tolo, e ainda assim engraçado, e com boa vontade, até criativo. Ainda que cheio  de exagero e humor simplório. Jonathan Lynn tenta manter o equilíbrio, num tipo de filme muito perigoso, em que qualquer deslize e se perde a linha de humor. O resultado final é bem satisfatório, dentro do que poderia esperar desse tipo de comédia besteirol.

oquintoelementoThe Fifth Element (1997 – FRA/EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Diz a lenda que o mau volta a cada trezentos anos, e que para exterminá-lo é necessário colocar os cinco elementos juntos, num templo na região do Egito. O ser divino, o quinto elemento, é guardado por alguns extraterrestres que o trarão à Terra, no tempo certo. Enquanto isso o padre escolhido passa os conhecimentos para um herdeiro até que chegue o aguardado momento.

Esse é o plot central da ficção científica dirigida e idealizada por Luc Besson. Aliás, o filme pega emprestado o lado futurista de carros voando e outras tecnologias (robôs que arrumam até a cama), mas não deixa de ser um filme de ação básico. Bruce Willis volta em outra encarnação bem parecida com a John McLane (de Duro de Matar), dessa vez como um motorista de táxi, ex-militar, que vive encrencado e endividado. Cai em seu colo, ou melhor, dentro do seu táxi, o tal quinto elemento, que ganhou as formas de uma mulher (Milla Jovovich), e lá vai ele protege-la e salvar o mundo. O roteiro abusa de uma série de coincidências de difícil de acreditar, e Luc Besson novamente extrapola em seus absurdos entre excesso de efeitos especiais, o personagem histérico de Christ Tucker, resta a tentativa de pegar emprestado todo o charme do auge da carreira de Bruce Willis.