Posts com Tag ‘Bruno Dumont’

Ma Loute (2016 – FRA) 

O curioso cinema de Bruno Dumont. Seus trabalhos mais recentes carregam esse humor caracterico, de personagens facilmente marginalizados por suas imperfeições, bizarrices, ou leves deformações. São comédias de personagens feios, que carregam outras obsessões de seus primeiros filmes também, como a questão religiosa e o mundo no campo, mas especialmente os dois últimos são de uma crítica feroz a uma sociedade que não aceita nada fora dos padrões estéticos e de etiqueta vigentes.

O Pequeno Quinquin foi mais celebrado, e é compreensível por ser um filme bem mais bem resolvido, por mais que ambos sejam facilmente reconhecíveis como filhos-do-mesmo-pai. Aqui estamos no início do século XX, uma familia aristocrata francesa se relacionando com os moradores da região inóspita, enquanto a polícia investiga o desaparecimento de duas pessoas. Os ricos são pessoas execráveis, os pobres, calados e mais pé no chão são canibais. Entre eles, a dupla atrapalhada de policias, o romance proibido de dois jovens, e a capacidade de Dumont em nos fazer rir com a sofisticação da simplicidade. Pena que, os vinte minutos finais sejam pavorosos e capazes de rapidamente destruir toda a consistente construção de personagens.

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P’tit Quinquin (2014 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A estranheza começa com Bruno Dumont, e seu cinema vigoroso e difícil, de aspectos religiosos fortes e antagônicos a seus personagens esquisitos, pudesse assumir uma minissérie para a tb. Se torna ainda mais impensável por ser uma trama policial, vários corpos humanos encontrados dentro de vacas. E, para piorar, uma comédia. Bruno Dumont numa comédia?

Por mais incrível que pareça, tudo isso converge num típico trabalho de Dumont. Seu cinema está presente, em todos os planos, seja na estranheza de personagens que agem como deficientes, ou com cacoetes repetitivos (que até ultrapassa limites e exagera na dose), seja no habitar bucólico (aqui o nordeste francês, a beira do Canal da Mancha), ou nas questões da religiosidade e marginalidade, que, novamente, se encontram em seus filmes.

Quinquin é um garoto que, com sua turma, apronta mil, e estão sendo acompanhando as investigações da dupla de policiais mais estranha que se tem noticia. Mancos, com diálogos que pouco fazem sentido, e métodos investigativos nada contundentes, eles vivem o clima do local, enquanto mais corpos são encontrados de forma bizarra.

Dumont vai emprestrando sua visão peculiar da França, do mundo pop, ao racismo e esse relaciomento com imigrantes das colônias africanas, além do aspecto marginal de seus personagens, essa coisa dos pequenos golpes, ou do ar matreiro. Porém, sua comédia abusa dos exageros, da quantidade de personagens que beiram, ou são literalmente, deficientes mentais, dos trejeitos que se tornam divertidos pela recepção, mas acotovelam-se pela necessidade de rir do ridículo, do estranho, do irracional.

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camille_claudel_1915Camille Claudel 1915 (2013 – FRA)

Bruno Dumont não está preocupado com a biografia de Camille Claudel (Juliette Binoche), ele até tem o cuidado de situar o público,com breves resumos sobre a vida da escultora e namorada de Auguste Rodin, no início e final do filme. Seu interesse está na questão religiosa (tema recorrente em seus trabalhos) que determinou a exclusão da vida social de Camille em suas últimas três décadas de vida.

O fervor católico do irmão aprisiona Camille num hospício. Entre tanta gente maluca, que baba e geme, fica dificil manter a mente sã, e ela sofre. Sofre com seu temor de ser envenenada, com o isolamento, a distancia da vida social.

camilleclaudel1915_2É o filme mais convencional de Dumont, também o mais contido, não que isso o torne acessível, pelo contrário. Passamos quase o tempo todo desgastados com a tristeza e lágrimas de Camille, uma vida dolorosa e indigesta, até que em duas cenas (o encontro entre os irmãos e a conversa com o médico) sucitam os a temática de Dumont, a crueldade das convicções humanas.

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Hors Satan / Outside Satan (2011 – FRA)

O cinema de Bruno Dumont está todo ali, uma contemplação enraizada com o rural, abordagem recorrente de temas religiosos, planos-abertos/planos-fechados de natureza-morta e dessa relação promíscua com o ambiente, o sexo como ato mecânico e primitivo, e um silencio que tende ao reflexivo quando na verdade é apenas um silencio (talvez, por não ter o que dizer). Um filme de mau-gosto por excelência, partindo de uma adolescente gótica numa região francesa pacata e esquecida. Ela nutre uma grande paixão por um sujeito enigmático, diabólico, alguém que faz sua própria lei (resumindo Dumont traz o personagem de À Espera de um Milagre para esse universo onde ele pode brincar de Deus e escolher quem merece ou não os destinos), uma espécie de Escolhido, que preza pelo asqueroso e ainda consegue causar uma estranha atração feminina. Uma repetição exaustiva de crueldades entre caminhadas pela vegetação local, o vazio pelo vazio.