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The Help (2011 – EUA)

Segregação racial nos anos 60 na região do Mississipi, enquanto as donas de casa fúteis jogam bridge, as negras limpam suas casas e cuidam dos seus filhos. Em troca, as mulheres da alta sociedade se preocupam com medidas como construir banheiros que separem negros e brancos nas casas. O filme de Tate Taylor é todo convencional, como quem tratar de tema sério, só que de maneira leve. Por isso está lá o tom de humor leve e as complicações de uma comédia romantica, a trilha sonora incindental carregada para pesar no melodrama, e amizades “extraordinárias” que só funcionam na ideia.

No filme, a jovem Skeeter (Emma Stone) vive a sociedade branca, mas é contra a política de segregação, aspirante a escritora, decide escrever um livro sobre essas mulheres que deixam os filhos em casa para cuidar dos filhos dos outros, e são maltratadas, humilhadas e exploradas. Aibileen (Viola Davis) aceita narrar às escondidas, e os personagens clichê vem à tona, em alguns momentos irritando, em outros divertindo, nos melhores momentos até enojando pela força do racismo. Jessica Chastain rouba a cena pela falta de etiqueta social, e completamente distante desse mundo preconceito e elitista.

Manderlay (2005 – DIN) 

Não é um repeteco de Dogville, como ecoou em alguns lugares, mas sem dúvidas não causa o mesmo impacto, principalmente visual já que se utiliza da mesma estrutura (tablado negro com demarcações, sem paredes e etc).

Lars Von Trier não perdeu a obsessão de desmoralizar a cultura americana, mas dessa vez mesmo mirando diretamente nos EUA acaba acertando toda a sociedade contemporanea. Sua fábula moral é universal, a escravidão ocorreu em boa parte do planeta e não é só disso que Manderlay trata, vai mais fundo quando tenta discutir até que ponto a liberdade é benéfica, até onde deve ir a liberdade de um indivíduo para seu próprio bem (e nesse tema ele atinge realmente os EUA e suas políticas bélicas).

Manderlay é uma pequena fazenda de cultivo de algodão, logo após sair de Dogville, Grace (Bryce Dallas Howard)  depara-se com o local que ainda mantém escravos mesmo passados setenta anos desde a abolição dos mesmos. Com sua alma “caridosa” decide ficar na fazenda promulgando a liberdade e auxiliando os negros até que os mesmo estejam prontos para viverem numa democracia e tocarem suas vidas sem necessidade de ajuda. O problema é se eles estão preparados para essa mudança e quem disse que é Grace a pessoa ideal para exercer essa influência? (ou quem disse que são os EUA o ideal para libertar Iraque, Afeganistão, etc.)

Bryce Dallas Howard não é Nicole Kidman, o filme perde nessa troca, e Grace está mais didática dessa vez, seu discurso mostra-se óbvio e desnecessário algumas vezes. O roteiro por mais que trabalhe com temas polêmicos e contundentes, não parece tão bem amarrado e dá claros sinais dos segredos que reserva ao final. Mas não deixa de ser um bom, filme, engajado. Talvez sem planejar, Lars Von Trier demonstra que o ser humano é realmente um grande equívoco, nesse ponto ele tem toda razão.

Young Americans de David Bowie também encerra esse filme, novamente a música embala inúmeras fotos, dessa vez todas focadas na disputa racial nos EUA, Martin Luther King, a Klu Klux Klan e toda a miséria e diferença que marca a história dos negros nos EUA. Trier faz isso como quem diz, não se esqueçam que no fundo só estou interessado em dar mais uma cutucada no meu inimigo número um.