Posts com Tag ‘Caetano Gotardo’

Todos os Mortos

Publicado: setembro 20, 2020 em Cinema
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Todos os Mortos (2020)

São raros os filmes que tratam do Brasil colonial, do país da escravidão, do período de monarquia ou do início da República. Nosso cinema ainda não desbravou esses períodos e o reflexo desses períodos no Brasil contemporâneo, e isso é tão curioso se pensarmos que talvez estejamos tão ideologicamente mais próximos daquela época do que nunca. É exatamente essa reflexão que nos permitem os diretores Marco Dutra e Caetano Gotardo. Sempre que podem a dupla insere metáforas que possam ser interpretadas com o hoje (isso sem falar na parte final). É sobretudo um filme sobre essa herança de preconceito racial, de superioridade racial, sobre o início mau resolvido de um republicanismo que resulta hoje em todas as estatísticas de desigualdade que conhecemos.

A família aristocrata em decadência logo após o fim da escravidão, mas que está desorteada mesmo com a morte da ex-escrava que cuidava da casa. As relações entre negros e brancas ainda tão delicadas, afinal a exploração não desaparece num passe de mágica, ou numa assinatura de um mero documento. De um lado há ainda a atmosfera fantástica, comum nos filmes de Dutra, a jovem que vê pessoas que não estão naquela casa, de outro diálogos e interpretações frias e tão pausadas, comum nos filmes de Gotardo. O resultado dessa mistura é um todo morno, principalmente em tudo que se relacionada aos dramas das três mulheres brancas da família Soares (que aliás ocupam mais tempo na tela), por outro lado o filme está sim cheio de boas ideias e intenções (a cena da mão branca na mão do garoto negro, o desconhecimento sobre povos africanos), mas que ficam melhor ajambradas nas nossas reflexões do que no próprio filme em si.

O Que Se Move

Publicado: outubro 22, 2012 em Cinema, Mostra SP
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O que Se Move (2012)

No cinema há cenas lindas em que o silêncio significa, onde nada acontece e ainda assim são tão representativas. Não é o caso, aqui os silêncios incomodam, e esse incomodo vem da falta do que dizer. Atores com expressões de tristeza, câmera estática, eles sofrem, e as cenas se repetem, por mais que já tenha sido entendido. Mas o pior vem nos diálogos, recitados, falsos, atuações robotizadas, nenhuma palavra consegue soar natural.

Narrando três tragédias, histórias não interligadas, porém focadas na perda de filhos, o diretor estreante Caetano Gotardo segue o estilo narrativo de Trabalhar Cansa (um dos diretores é responsável pela montagem aqui), A vida passa em câmera lenta, o foco em pequenas trivialidades que não tem nenhuma função na história, são tomadas propositadamente soltas pelo ar. As histórias carregam coerência, os dramas relevantes, os excessos é que transformam tudo num grande momento de vergonha alheia, filme passa-raiva coroado com a cantoria doída (aos nossos ouvidos).