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Say Anything… (1989 – EUA) 

Seria provocativo dizer que Cameron Crowe ainda não realizou um filme tão bom quanto sua estreia? Talvez Quase Famosos possa rivalizar e causar discussão, mas sua comédia romântica, ingênua, funciona tão bem dentro dos clichês do gênero, e praticamente marcou a assinatura que encontramos na maior parte dos filmes do diretor.

A trama adolescente em que Lloyd (John Cusack) tenta conquistar o coração da estudante determinada Diane Ione Skye), guarda pequenos momentos inesquecíveis da representação da paixão, e também da explosividade da felicidade juvenil, e da pressão paterna pelas responsabilidades contra as paixonites adolescentes.

Crowe dosa bem a mão quando trata da relação pai e filha, e das transformações a qual passa essa relação enquanto se descobre outro lado do pai e a filha aprende as desenvolturas do amor. Enquanto isso, o inquieto Lloyd vive passionalmente todas as fases de seu relacionamento, seja através da música, das influencias da amizades, mas principalmente no aprendizado da convivência. E dentro dessa complexa equação, Crowe constrói um desses romances saborosos, imperfeitos, mas que carregam muito além do que as simples idas e vindas do amor.

Jerry Maguire (1996 – EUA)

Ele faz parte daquele grupo de filmes da pior espécime possível, praticamente um aproveitador barato das emoções alheias e de maneira desavergonhada, exagerada, um grande fanfarrão. O cineasta Cameron Crowe não teve vergonha alguma em abusar do drama barato e levar seu protagonista (Tom Cruise) ao buraco para depois atingir a redenção, e de forma deslavada, abusando de todo e qualquer tipo de clichê. E, pouco satisfeito, ainda cai matando pela comédia romântica, também sem medo nenhum de emoções gratuitas.

Mas, mesmo somando isso tudo, não é que o filme prende o público, você torce pelo jogador da NFL fiel e descontraído (Cuba Gooding Jr), pelo agente em fase de reconstrução (Cruise) e claro que pela mãe solteira ingênua que acredita no amor acima de tudo (Reneé Zellweger). Aguarde pela grande virada, aguarde pelo pedido de desculpas inflamado de amor, aguarde por tudo que você sabe que vai acontecer, e sem que haja nada de especial na maneira que foi filmado, é Cameron Crowe abusando do filme comum e assim conquistando muita gente.


Almost Famous (2000 – EUA) 

É tão claro o quanto de carinho, o quanto de pessoal há nesse filme de Cameron Crowe. William Miller (Patrick Fugit) é seu alter-ego, revivendo um Crowe que, assim como tantos jovens, queria ser jornalista de rock n’roll, influencia das coleções de LP’s da mãe (The Who, Led Zeppelin). Mas, no caso dele, na raça e na cara de pau, consegueu espaço numa famosa revista do gênero e cai dentro da turnê de uma banda bastante promissora.

Mergulhamos numa deliciosa viagem pelos bastidores do mundo do rock na década de 70, longe da profundidade dramática de tentar compreender ídolos, conflitos de bandas e dependências mais graves de drogas, o filme carrega mesmo esse clima feel good, entre paixões e emoções de quem tem a chance de viver sua paixão. É o momento “está acontecendo” eclipsado na vida de um jovem atrevido que foi lá e nos representa. E nesse clima, o destaque é todo da tiete Penny Lane (Kate Hudson) com sua graciosidade intrigante. Isso, sem falar em Frances McDormand, na pele da mãezona que persegue os passos do filho, e dispara aquele jargão velho conhecido “Não use drogas”. Filme par estar sempre perto, no alcance das mãos.