Posts com Tag ‘Camila Morgado’

O Animal Cordial (2017) 

Sem medo de polêmica, chega aos cinemas a estréia na direção de Gabriela Amaral Almeida. Entre a critica social e o banho de sangue, a cineasta transforma o assalto a um restaurante, num habitar claustrofóbico de sobrevivência animalesca. Seguindo numa linha de cinema que Juliana Rojas e Marco Dutra tem se destacado, a diretora vai além, ao ser ousada e provocativa (herança de sua filmografia slasher), ainda que o roteiro possa seguir com caminhos questionáveis.

A força do poder, o instinto primitivo de sobrevivência e de dominação, a loucura ditatorial ao assumir tal posição. Está tudo ali, permeando esse ambiente perturbador de um assalto mal-sucedido. O filme traz a disputa de classes, o preconceito de gênero, o poder do sexo, e o sadismo oferecido pelo poder a níveis estratosféricos. A razão é quase posta de lado pela explosão de sentimentos, quando o pequeno empresário (Murilo Benício) se sente dono de si. Não deixa de ser uma alegoria, tratada em tons de tintas pesadas e escuras, em cenas violentas e quase anárquicas, e que talvez pequem pela necessidade de chocar ou pela total escolha pela irracionalidade que a dualidade do título não é representada.

Olga (2004) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A chegada do diretor global Jayme Monjardim nos cinema vem com grandiosidade de blockbuster hollywoodiano, daqueles exemplares gigantescos e evasivos, com apuro técnico invejável (a ponto de imitar, com locações, alguns cenários alemães e soviéticos) e os toques pesados de dramalhão da novela das oito (principalmente nas leituras das cartas e repetidas despedidas) para essa adaptação do livro de Fernando Morais.

A opção pelo melodramático tira espaço dos meandros políticos de momentos históricos como a Coluna Prestes, o Tratado de Versailles, a formação do Nazismo e todos os aspectos políticos. Ficamos com a biografia sofrida de Olga Benário (Camila Morgado, engajada), mulher focada em suas convicções e uma intensa vontade de mudar o mundo. O amor dessa alemã pelo opositor do governo de Getulio Vargas (Osmar Prado), Luis Carlos Prestes (Caco Ciocler) nasce no mundo comunista, ela acaba deportada aos campos de concentração alemães (algum interesse essa ótica feminina do trabalho escravo, castigos e câmara de gás).

É a perninha brasileira nesse gênero de filme do Nazismo, cinema tão combalido pelo excesso de histórias com teor repetido (não que não sejam grandes histórias, mas se equivalem excessivamente). Por isso, uma abordagem mais pesada no aspecto políticos brasileiro poderia sair do marasmo do tema. Ainda assim, com toda essa pompa de cinema americano, de dramalhão pesado, a figura coadjuvante de Fernanda Montenegro (mãe de Prestes) em seus momentos de luta inglória, na esperança de salvar seu filho e nora, oferecem uma cena tão linda, quando ela descobre que será avó de uma menina. Daquelas alegrias reprimidas pela tristeza, que num silêncio de poucos segundos consegue emocionar, realmente.