Posts com Tag ‘Camila Pitanga’

umahistoriadeamorefuriaUma História de Amor e Fúria (2013) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Da época do Descobrimento do Brasil até o final do século XXI, Luiz Bolognesi tenta condensar quase 600 anos de história do nosso país em 4 pequenas histórias, em que o mote é a lamentação da humanidade preferir a fúria ao amor. A beleza gráfica e o didatismo narrativo são características que saltam aos olhos, enquanto o 2D (acrescido de CGI) formam um agradável aspecto fugindo dos padrões mais utilizados nas animações atuais, a narrativa demasiadamente rasa e explicativa absorve grande parte da força que a trama poderia galgar.

Pequenos fatos históricos, prevalecendo sempre o conflito entre o dominador e dominado, e no meio da confusão a história de amor entre o narrador imortal (Selton Mello) e sua Janaína (Camila Pitanga). Índios e navegadores europeus, o povo e os militares, o período da ditadura, e no futuro, quando a água seria o petróleo dos dias atuais, séculos de conflitos e sangue escorrendo. Faz justiça a história desse país de tantas injustiças e já nos previne para um futuro que pode não ser nada pacifista e igualitário.

(2011)

Amor carnal, aquele desejo sem explicação que atrai corpos, que extravasa por entre os poros, que nos deixa cegos e sedentos. É desse tipo de amor que trata o novo filme da dupla Beto Brant e Renato Ciasca, e eles não economizam num mergulho profundo de sensações e impulsos amorosos. Cenas de entrega total entre Gustavo Machado e Camila Pitanga (aliás que performance explosiva a dela, virtuosa, lindíssima, completamente entregue, tantas cenas nua e sem pudores, a lente são nossos olhos, olhos de amantes).

O filme ainda se esforça em trazer profundidade a seus personagens, ele um fotógrafo freelancer, ela casada com um religioso que critica o desmatamento predatório na região de Santarém. São gorduras, o filme é realmente sobre este amor intenso, vivido por cada gota de suor, por cada novo encontro daqueles corpos, momentos ardentes, outros singelos, fotografias. São amores assim que fazem a vida valer a pena, que fazem o sangue correr motivados pela adrenalina, e os diretores conseguem essa proeza de transmitir todo esse calor entre sequencias que explicam o carinho e o desejo, a dor e a paixão, eu também receberia as noticias que fossem daqueles lábios.

Redentor (2004) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O sonho da casa própria não é apenas uma lenda presente em todos os discursos de políticos a beira da eleição, as famílias brasileiras realmente deliram em se imaginar livres do aluguel, vivendo no que lhes pertence. É por essas que Célio Rocha (Pedro Cardoso) repete inúmeras vezes no filme: “Você está me expulsando de uma casa que não é sua!”. São milhões de sem-teto vivendo em condições desumanas, fora a grande parcela da classe média que se contorce para manter em dia seus deveres de inquilino.

Otávio Saboya (Miguel Fallabela) e Célio Rocha foram amigos na infância, o inescrupuloso Dr. Saboya (pai de Otávio) deu inúmeros golpes imobiliários na praça, costurou acordos milionários com governos, construiu apartamentos e não entregou aos proprietários. Entre as centenas de famílias prejudicadas estava a de Célio Rocha, o sonho do apartamento 808 no condomínio Paraíso tornou-se obsessão para seus pais e após a falência e suicídio do Dr. Saboya, e a invasão do condomínio por milhares de favelados, a situação familiar deteriora.

Oriundo do mundo dos videoclipes, a estreia na direção de Claudio Torres marca o primeiro trabalho do clã da família Torres no cinema. Surpreende a qualidade dos efeitos especiais (pouco usual no cinema nacional), são 3-4 sequencias irrepreensíveis, mas o grande feito é esse roteiro esperto, de narrativa envolvente, mesclando estilos sem perder a homogeneidade ao narrar uma fábula moderna sobre moral, vaidade, remição, justiça.

Golpes imobiliários, corrupção, falta de moradia e saneamento, Torres expõe problemas, criada um dilema moral tremendo para o jornalista carioca colocada frente a frente com a possibilidade de realizar o sonho familiar, deixando os escrúpulos do lado, mas com a presença divina direta em todo esses imbróglio.