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maryrainhadadaescociaMary, Queen of Scots (2013 – SUI) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O cineasta Thomas Imbach é mais um a trazer ao cinema a história de Mary Stuart (Camille Rutherford), figura emblemática do trono britânico. Uma vida de pequenas tragédias, prima da Rainha Elizabeth, passou infância na França, se tornou rainha de diversos tronos, alguns casamentos e amores intensos, até rivalizar o trono inglês com a próprio Elizabeth.

Imbach apresenta um retrato cru, a fotografia cinza, a parede sem cor dos palácio, nada parece brilhar ao redor de Mary. Sua preocupação em retratar tantos fatos históricos e o cuidado em tornar Mary frágil e humana, não permitem que o filme vá além do correto, e burocrático. Conhecemos Mary superficialmente, suas fragilidades, os amores, mas Imbach não consegue ir além da embalagem. A rainha enigmática permanece dessa forma, nos livros de história.

Les Amants de Low Life (2011 – FRA)

De cara o filme pede revisão. Não parece possível absorver, em meio a um festival e tantos filmes vistos (em sequência), todos os conceitos e a experiência de vida, que o casal de autores Nicolas Klotz e Elisabeth Perceval, pretendem dividir com o público. O cinema de Klotz se coloca como um ponto de intersecção entre Godard, Bresson e Garrel, usando como fundo a questão política dos imigrantes ilegais (tema recorrente em sua carreira, aliás o filme dialoga muito com os dois anteriores do cineasta, A Ferida pelo tema da imigração e A Questão Humana pela estrutura, e na força de diálogos, por vezes abstratos), para desembocar numa história de amor cuja “separação” deixa em torpor psicológico o casal.

O casal Carmen (Camille Rutherford) e Charles (Luc Chessel), e seu grupo de amigos, são jovens engajados em questões centrais, se envolvem em protestos contra políticas de Sarkozy, sempre carregados com um ar intelectual e essa necessidade de engajamento, de protesto. O foco inicial é esse juventude unida, em torno de seus idéias, ávida por colocar em prática (ou expor ao mundo) seu jeito de pensar, o fim das injustiças. É dessa forma que Carmen conhece o poeta afegão que veio estudar na França Hussain (Arash Naimian), numa ação policial em busca de imigrantes ilegais.

Os jovens se encontram em festas, noites discutindo filosofia, política, é o misto dessa vontade de ser adulto aliada a imaturidade, a motivação que traz garra, mas nem sempre coerência. O filme mergulha de forma perfeita nesse universo jovem, nessa rotina de estudos/protestos e vida social. O ar intelectual (incomoda alguns) está marcado em cada fala, ele dá voz ao casal Klotz-Perceval, e eles começam a tratar do amor (alguns conceitos lindos e tão verídicos aparecem), a apimentar ainda mais essa trama. Carmen deixa Charles (sujeito instável, enigmático) e se apaixona por Hussain, a relação deles é linda, parecem integrados desde o primeiro instante, mas é óbvio que sua ilegalidade será descoberta pela polícia francesa. A falta de liberdade, o medo da extradição consome o casal e os isola do mundo exterior, hipnotizados pela necessidade de ficarem juntos eles não percebem que estão à deriva, instalam uma nova órbita que não podem manter por muito tempo.

Esse é meu tipo de filme, esse é meu tipo de amor, aquele é meu tipo garota. Carmen só não é minha musa da Mostra porque Camila Pitanga está imbatível, mas Carmen é aquele tipo de garota com a sensualidade certa, com senso crítico, com opinião própria, aquela pra você passar horas deitado na cama falando do tudo e do nada.