Posts com Tag ‘Carey Mulligan’

 

Wildlife (2018 – EUA) 

Registrar a denconstrução de um matrimônio através dos olhos do filho adolescente não é um formato novo no cinema. Adaptando o livro de Ricard Ford, o ator Paul Dano estreia na direção marcando cacoetes de uma cinema autoral, que tenta ser intimista, mas padece de um ritmo narrativo que possa tornar essa história no mínimo interessante.

A trama se passa nos anos 60, um pai orgulhoso que não encontra um trabalho fixo, a mãe destrambelhada quando o marido se afasta um pouco de casa. Acompanhamod tudo através do garoto tão bondoso, de longe o mais maduro da casa. Nem chegamos a compreender exatamente o garoto, o foco fica todo sob a fragilidade da mãe (Carey Mulligan). É muito pouco repetir-se em cenas de constrangimento do garoto e sua necessidade de assumir um papel em casa, que não deveria ser seu. Em meio disso tudo, algumas cenas das paisagens selvagens de Montana e o clima de bucólico, de um mundo a ser descoberto. O mesmo de sempre, sem algo novo, não parece o material e ritmo certo para um estreante.


Festival: Sundance 2018

Mostra: U.S. Dramatic Competition

assufragistasThe Suffragette (2015 – Reino Unido) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A diretora Sarah Gravon resgata a voz do movimento sufrágio britânico, a luta feminina pela igualdade, liberdade, pelo direito a voto, lá pelo início do século passado. Escolhe uma mulher na multidão, Maud Watts (Carey Mulligan) apresentando nela as dificuldades em manter a luta e a família. O antagonismo entre ideais e a estabilidade social, enquanto pontua a forma como essas mulheres se sensibilizaram para lutar por essas conquistas, um movimento que começou pacífico e chegou a pequenos atentados terroristas.

Com narrativa extremamente tradicional, Gravon estabelece o diálogo fácil com o público. Hoje é simples se solidarizar pela história de luta, pela proeza das mulheres lideradas por Emmeline Pankurst (Mery Streep), e o filme entrega direitinho o peso do drama, as facetas de sofrimento e de garra com que essas mulheres enfrentaram não só o governo, mas a sociedade conservadora. Nos créditos finais, a menção de alguns países e o ano em que as mulheres ganharam direito a voto em seus países, alguns ainda estão na promessa.

The-Eleven-Doctors-doctor-who-18277364-1280-800.jpgAté pouco tempo Doctor Who era só o nome de uma série britânica, na minha cabeça, nem sabia do que se tratava. Em fevereiro, estava em Paris, e dei de cara com uma loja de HQ’s, miniaturas de personagens de cinema, e outros artigos para fãs. Acabei comprando, entre outras coisas, um objeto de cozinha em formato de uma cabine de polícia azul. Depois fui descobrir, através da namorada (fã de Doctor Who e cultura pop britânica) que se tratava da Tardis.

doctorwhosblinkPassados alguns meses, zapeando, encontrei um episódio, prestes a começar na TV Cultura. Hora de matar a curiosidade. E dei sorte porque era um episódio diferente (Blink, de 2007), o Doctor Who (David Tennant, recentemente protagonista da série policial Broadchurch) servindo apenas de escada para a verdadeira protagonista (em aparição especial), que era Carey Mulligan, antes da fama. Narrativa de atmosfera pesada de terror, estátuas de pedra aterrorizando um casarão abandonado. Ficou uma ótima impressão.

A curiosidade me levou a outros episódios, primeiramente no ritmo fora de ordem da TV Cultura. Fui descobrir que a série começou nos anos 60, e após muitos anos no ar foi interrompida, pela BBC, por um período entre 1986 e 2005. Encontrara uma maneira de irem trocando o ator protagonista do Doutor (chamam de regeneração) e assim manter a longevidade. Ao longo dos anos se tornou febre na terra da Rainha.

Além de alguns episódios isolados dessa nova fase (que já está na 7ª temporada), acompanhei a última temporada inteira (já com o jovial e estilo nerd, Matt Smith, como o Doutor).  Continuo com a impressão de um seriado com pegada infanto-juvenil, meio feito nas coxas, mas com tantos elementos fortes de ficção científica, que criam essa paixão pelo universo de Doctor Who (algo como Star Trek encontra O Mundo de Beackman). Quase sempre Daleks e Cybermen são os vilões, há sempre as acompanhantes jovens, eterno contraponto do protagonista alienígena de dois corações, além do clima de humor atrapalhado. A cada mudança de ator, os produtores trazem novos ares, nessa última fase além de Tennat e Smith, Cristopher Eccleston protagonizou esse viajante do tempo.

Doctor Who - Series 7BO especial, dirigido por Nick Hurran, comemorando 50 anos, The Day of the Doctor, faz algumas conexões diretas com o último episódio da 7ª temporada, mas está bem mais ligado ao hiato fora do ar. Transformam os 11 doutores em 12, John Hurt é o elo de ligação entre os dois períodos, e o episódio estendido os conecta com o fim da Guerra do Tempo e o maior segredo do Doutor. Com muito humor e a oportunidade de rever, e unir, timidamente, vários dos antigos atores, esse episódio especial levará fãs ao delírio. Todo o clima da série está elevado à enésia potência (Tardis, a chave de fenda sônica, as viagens no tempo, as acompanhantes e toda a bagagem de histórias entre mundos e vilões), com doses dramáticas, e a carga de humor ainda mais presente (nas comparações entre os doutores, principalmente). Seus defeitos também estão escancarados, o maior deles é a impossibilidade de explicar tudo, simplesmente algumas passagens não farão sentido, e o melhor a fazer é aceitar.

Está aberta a porta para Peter Capaldi encarnar o novo Doutor, vem ai o especial de Natal onde deve ocorrer a nova regeneração, e da forma com que o passado foi alterado, por esse episódio, um mar ainda maior de possibilidades é vislumbrado pelos fãs. A série se recicla e garante mais alguns anos no ar.

insidellewyndavisInside Llewyn Davis (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Sabe aquele filme em que você assiste realmente relaxado? Se ajeita melhor na poltrona, os ombros parecem agradecer aliviados. Seja pelo clima e pela música folk, ou pelo humor refinado e leve, mas, principalmente, pela condução firme, de quem sabe o que está fazendo (e principalmente, como está fazendo). Esse é o novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen.

Livremente inspirado na biografia de um dos percursores da musica folk, nos EUA. Os Coen traçam um pouco do que era a vida de um músico (Oscar Isaac), em início de carreira, por Nova York (mais precisamente em Greenwich Village) lá pelos anos 60. E o fazem de maneira solta, da falta de grana, ao gato que ele perde (em uma da muitas pequenas confusões em que se mete).

Estão lá, em papéis importantes, Carey Mulligan e Justin Timberlake, ou numa pequena participação John Goodman, mas os Coen não estão nem ai para os astros. Parecem mesmo estar curtindo essa vida mundana do protagonista que dorme de favores em qualquer sofá, ou a fase road movie (onde, finalmente, aparecem as esquisitices dos filmes deles). Os Coen dirigem como se transpirassem o folk, e no final ainda fazem uma brincadeira, pode parecer genial, ou apenas “olha que legal, a sacada do filme”

TheGreatGatsbyThe Great Gatsby (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Há mais de um ano era tido como o grande favorito ao Oscar, deve mesmo é ser totalmente esquecido, tanto que a estratégica de marketing o coloca com lançamento do verão americano, época de filmes de grande bilheteria e nenhuma presença no Oscar. Também, o fracasso retumbante vem com a marca Baz Luhrmann.

O filme transpira as obsessões do diretor. O exagero visual e pop ofuscam a delicadeza do romance (adaptação do clássico de F. Scott Fitzgerald). Luhrmann prefere transformar as festas em grandes baladas pops com musica techno, perde o glamour da época que ele tenta resgatar com figurinos luxuosos. Interpretações carregadas, como se cada cena fosse definitiva se aproximam do brega, e de uma abordagem tão plastificada que os sentimentos se dissolvem.

O resultado é um filme de época enfadonho, distante dos grandes momentos que o estilo de Luhrmann (e seus exageros) realizaram com louvor em Moulin Rouge. Há excessos, e excessos, e na exceção do romance do cabaret francês, a carreira de Luhrmann é de exageros chatos, quase insuportáveis.

sokurovnoccbb• CCBB está exibindo o que pode ser a grande mostra de cinema do ano. Grande parte do trabalho do russo Aleksandr Sokurov está sendo exibido nas unidades do Centro Cultural Banco do Brasil. Um dos mais instigantes cineastas da atualidade. [CCBB]

• A cidade de Detroit vai entregar uma estátua do Robocop, não é demais? [AV Club]

• Divulgada informações sobre o novo filme de Apichatpong Weerasethakul [Ipsilon

• Christopher Nolan dirigindo o próximo 007? [IndieWire]

• E para encerrar, o The Guardian fez um resumo da carreira de Carey Mulligan, por fotos [The Guardian]

Shame (2011 – ING)

Vergonha, vergonha, vergonha de quê? Até quando um sujeito independente e sozinho deveria se envergonhar de uma compulsão sexual que ele alimenta com sexo casual, masturbação e pornografia? A quem ele está fazendo mal? Pois, a sociedade ainda se assusta com tudo que não for o “fazer amor” de maneira idílica e Renascentista. Estaria mesmo Steve McQueen preocupado com esse tabu ou seu personagem de libido feroz não passa de um grande argumento para que o cineasta destile seu estilo de direção provocativo e íntimo? Sem dúvida, ele opta por outro caminho, o do nu sem sensualidade, o dos corpos como meros corpos, sem plasticidade, sem romantismo, pedaços de carne, músculo e pele que se movimentam, e suspiram, trocando a beleza pelo desejo.

Num vagão de metro, Brandon Sullivan (Michael Fassbender, irrepreensível) foca seus olhos de maneira direta, o olhar penetrante, provocativo e incisivo parece despir a mulher que notada divide um misto de incomodo e excitação. A mão entre as pernas, o movimento das coxas, o jogo de suspense e flerte malicioso conduzido por McQueen praticamente serve como resumo do filme. Aquele rosto quieto e agradável, de virilidade sensual e distancia pré-estabelecida entre qualquer relação de cumplicidade, pode fazer o corpo de uma desconhecida ferver, ao mesmo tempo que causa insegurança, temor, é o insinuante desconhecido elevado a enésima potência.

A irmã (Carey Mulligan) aparece para trazer outra abordagem, além de uma carga dramática desnecessária (por outro lado, nos agracia com a cena em que ela canta New York, New York, quase em câmera lenta, e McQueen causa uma aproximação com o irmão que a observa). Na relação com ela fica claro o distanciamento das relações pessoais de Brandon, a dificuldade (ou total desinteresse) de sair da bolha de trabalho, sexo e independência social que ele construiu a si, e mantém impenetrável na sua vida social promíscua e depravada.

O peso da culpa é o grande mal do filme, o título vem desse peso sob sua impossibilidade de se relacionar, o convívio sob o mesmo apartamento atinge o impossível, enquanto ele tenta um princípio de aproximação com uma mulher, para algo que poderia ser um relacionamento (em duas cenas de longos planos-sequencias espetaculares, onde o timing, os diálogos, a mistura de humor tentando quebrar o gelo e interesse mútuo camuflado pela falta de intimidade, desde já se colocam como sequencias viscerais). Ao sair, timidamente, de sua bolha causa a demonstração de suas fragilidades, e uma insegurança que não parecia capaz de pertencer a este homem tão “seguro de si”.