Posts com Tag ‘Carla Ribas’

campograndeCampo Grande (2015) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Em dado momento de Mutum, o belo filme anterior da diretora Sandra Kogut, uma mãe entregava o filho a outra família almejando melhores oportunidades à criança. Neste novo filme, que pega emprestado o nome do bairro carioca (mesmo que pouco o aproveite), Sandra traz o questionamento do que vem a seguir com essas crianças, e com essas famílias. Quer dizer, essa parece a proposta inicial, já seu desenrolar leva a outros caminhos.

São duas famílias em desconstrução. Uma mãe deixando duas crianças na porta de um prédio na Zona Sul é um sinal claro, mas a própria família de classe média também tem seus dramas. Um casamento já na fase de separação, a filha adolescente dividida entre pai e mãe. São dois momentos caóticos que se encontram, que não estão só ligados a aspectos financeiros.  O filme se divide entre essa questão das classes sociais, mas também nas mutações urbanísticos da capital fluminense. Sandra filma muito bem, desde a inocência e graça da crianças (não-atores), às tentativas de sensibilidade nos dramas “mais adultos”. O tom dramático é que destoa dessa capacidade de explorar o apartamento, a cidade e a mobilidade dentro dela.

Pode-se enxergar ligação temática com Que Hora Ela Volta?, mas as comparações param por ai, no decorrer a ligação mais forte é com Central do Brasil (parte do filme soa como uma quase variação do trabalho de Walter Salles), e por mais que Sandra nos faça no sentir tão próximos daqueles personagens, daquelas crianças, a visão macro da trama é antagônica, de uma burguesia que teme e esquiva regiões mais longínquas e tem na indiferença a base da relação Zona Sul x subúrbio.

A Casa de Alice

Publicado: novembro 23, 2007 em Cinema
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acasadealiceA Casa de Alice (2007) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A mulher manicure, o marido taxista, o mais velho serve o exército. Há ainda naquela casa dois filhos adolescentes e a mãe de Alice, tratada basicamente como doméstica. A senhora lava, passa, cozinha e cuida dos afazeres domésticos da família, sozinha. Uma panela de pressão com claros sinais de que está prestes a explodir, excetuando a velha, ninguém é inocente nessa casa (mesmo o caçula que pelo excesso de ingenuidade carrega sua culpa).

Dentro da realidade buscada por Chico Teixeira, há além do sofrimento, brigas, infidelidades, desonestidade e mentiras. Surge alguma beleza como se aquelas almas tivessem uma visão de princípios deturpada, porém a eles aceitável em alguns pontos. O filme é de Alice, ou melhor de Carla Ribas, mas é Berta Zemel quem rouba a cena, e enquanto lava louça ou estende a roupa no varal, nos oferece alguns momentos de rara delicadeza. Numa mulher que já tanto viveu e os fins dos dias estão marcados por aquela lama que contamina a todos, humanos inescrupulosos acreditando aproveitaram-se da roda-vida da sociedade, quando na verdade mais afundam nela. Às vezes até parece um exagero de situações-limite, mas pense bem, há tanta sujeira jogada para baixo do tapete nas famílias, que no fundo, só está se explicitando o que o subúrbio paulistano (brasileiro, mundial, e não só o subúrbio) está colhendo.