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La Obra del Siglo (2015 – CUB) 

Com esse segundo trabalho, já é possível afirmar que o cubano Carlos Machado Quintela é um dos nomes mais promissores do cinema latino atual. Dos quatro adolescentes deficientes de A Piscina, dessa vez, em preto e branco, acompanhamos o apartamento onde vivem três homens solteiros, três gerações de uma familia. O avô cuja maior preocupação é o peixe que ele mantém no aquário, o filho que sobrevive de seu fracasso profissional e a tentativa de arrumar uma nova companheira, e o neto, recém-separado, e preocupado com qual será sua próxima tatuagem.

Eles vivem no bairro onde viviam os trabalhadores responsáveis pela construção da usina nuclear patrocinada pelos sociéticos no início dos anos 80. Entre longos travellings, planos gerais e panorâmicos, Quintela invade a imensidão de desesperança desses três homens, simultaneamente com inserções de um programa de tv (cujo título era o mesmo do filme), do canal nuclear, que divulgada a imponente, e inacabada, construção.

O alvo de Quintela são os sinais do abandono financeiro após as mudanças políticas promovidas por Gorbachev, o quanto Cuba era dependente, um espelho do socialismo soviético na América durante a Guerra Fria. Mas, a política está de lado, sua narrativa é cheia de reflexões e provocações quanto ao incomodo de gerações que seguem estática, sufocada pela crise econômica, pela liberdade cerceada, através de uma obra milionária que foi abandonada após o acidente em Chernobyl. O cinema nebuloso de Quintela vem jogar um novo olhar de dentro para Cuba.


Festival: Rotterdã 2015

Mostra: Competição Principal

Prêmio: Melhor Filme

 

 

La Piscina (2013 – CUB) 

Um grupo de quatro adolescentes, com diferentes tipos de deficiências, frequenta as aulas de natação em pleno verão cubano. O diretor e roteirista estreante Carlos Machado Quintela insinua despreocupação com seus personagens oou possíveis histórias de cada um deles. Ali, à beira da piscina, são apenas alunos de um ex-nadador pacato, outra quase desinteressado. Do calor escaldante e das braçada na piscina surgem pequenos diálogos, um traço de amizade.

É desse pequeno fragmento que Quintela extrai seu filme, são raros os planos fora do complexo da piscina, e mais raras ainda as informações individuais deles. O filme está mesmo calcado nesse conjunto de planos (fechados nos rostos quando falam ou bem abertos e amplos quando nadam, de forma a praticamente filmar a piscina de todos os ângulos e posições possíveis). Esse conjunto meio solto, quase reflexivo, constrói, através da imagem, o poder do cinema em nos transportar para além do que se pode ver. Talvez enxergando sentimentos, talvez querendo compreendê-los, ou talvez fiquemos com a simplicidade de algumas aulas de natação. Quintela surge como um cineasta que usa a narrativa cinematográfica a seu favor, que venham seus próximos trabalhos.


Festival: Berlim 2013

Mostra: Panorama