Posts com Tag ‘Carlos Nader’

O cinema brasileiro deu o que falar em 2016. Começando pelo grande sucesso internacional de 2 filmes, que, não por acaso, encabeçam a lista de favoritos deste blog. Ambos entraram em listas de melhores do ano, como New York Times e Cahiers du Cinema. Kleber Mendonça Filho causou frisson em Cannes, e Boi Neon se destacou em Veneza, no ano anterior. Mas, não foram só os elogios, houve também a questão política, a manifestação, e mais tarde a polêmica na escolha do filme que o Brasil optou para ser o concorrente no Oscar.

Enquanto isso, os filmes brasileiros continuam buscando seu espaço, vivendo das comédias globais ou dos lançamentos minúsculos que rapidamente saem de cartaz. Fora eles, só meia dúzia de filmes alcançam realmente um público maior, e neles alguns nomes se solidificam, como Marco Dutra e Anna Muylaert.

Cinema de gênero (um thriller e musical), documentários intimistas, além dos sucessos de Gabriel Mascaro e KMF, os 5 filmes dessa lista de destaques do ano carregam a urgência de um cinema que precisa ser visto, descoberto pelo público e com mais espaço de midia, salas e alcance.

 

Aquarius

 

  1. Aquarius, de Kleber Mendonça Filho
  2. Boi Neon, de Gabriel Mascaro
  3. O Silêncio do Céu, de Marco Dutra
  4. A Paixão de JL, de Carlos Nader
  5. Sinfonia da Necrópole, de Juliana Rojas

Top 5 – 2015 – Cinema Nacional

Top 5 – 2014 – Cinema Nacional

Top 5 – 2013 – Cinema Nacional

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A Paixão de JL

Publicado: abril 23, 2016 em Cinema
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apaixaodejlA Paixão de JL (2015) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

São fitas cassetes gravadas a partir de 1990, em tom de diário, pelo artista José Leonílson. A imagem traz suas obras ou cenas de filmes, ou até imagens da tv. Funcionam como fluxo da memória, refletidos diretamente sobre as palavras reproduzidas desse diário auditivo. Basicamente um jovem carente de afetividade, narrando suas paixões, suas amizades, a relação com a família, as sensações frente a filmes ou situações políticas (principalmente a era Collor, e o ataque a Bagdá quando Iraque invadiu Kwuait).

O tom ingênuo do documentário muda quando JL descobre ser soropositivo. Momentos mais aflitivos, mas nunca de um melodrama exagerada. Ele divide seus exames sanguíneos, suas dores, os dias de esperança e os de total desesperança da vida. O documentarista Carlos Nader encontra o tom para criar mais que o diário de um gay com AIDS nos anos 90, mas a personalidade do próprio José Leonílson, deixando assim o filme mais particular, criando cumplicidade entre personagem e público, que chora na novela, pelos cidadãos de Bagdá, ou pela insegurança de finalmente contar aos pais sobre sua condição.

Homem Comum

Publicado: setembro 15, 2015 em Cinema
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homemcomumHomem Comum (2014) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Eleito o melhor documentário brasileiro pelo júri do É Tudo Verdade, de 2014, finalmente a fita de Carlos Nader é lançada comercialmente. É verdade que chega aos cinemas após um profundo corte na duração, deixando o filme com menos de 90 minutos, portanto bem mais enxuto do que o reconhecido pelo júri oficial. Durante quase duas décadas Nader acompanhou a vida de um caminhoneiro. Nada foi planejado dessa maneira, o documentário sofreu inúmeras mutações ao longo do tempo, e acabou se tornando um filme sobre essa relação de amizade dos dois. Enquanto transcorre a vida de Nilson, casamento, crescimento da filha e etc, a presença de Carlos Nader dá ao material outras camadas, outros caminhos.

Desde o início, Nader tinha uma proposta de questionamentos existenciais, questões curiosas que deveria ser obtidas de pessoas simples. Um caminho complicado, até mesmo supervalorizado, tendo como base o filme A Palavra, de Dreyer. A religião e o existencialismo estão nas inúmeras cenas reapresentadas do clássico dinamarquês, ou nas insistentes perguntar de Nader. Porém, ele jamais encontra respostas que não seja feições de quem não tem ideia do que responder. Dessa forma, o documentário perde a intrigante história familiar do personagem, a vida de caminhoneiro, a distancia do crescimento da filha, e as relações complicada entre eles na vida adulta. Por outro lado, diz muito sobre o próprio cineasta, seus autoquestionamentos, suas dúvidas e a busca de resposta para o seu eu. Essa relação entre material e criador é o mais interessante de todo esse material captado por tantos anos, entre tragédias e intimidades expostas, entre cenas de um filme grandioso e as discussões de pai e filha que não se entendem.