Posts com Tag ‘Carolina Dieckmann’

osilenciodoceuO Silêncio do Céu (2016) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O fato gerador é um hediondo ato de violência, um estupro em sua própria casa. Mas, o filme tem como combustível a incomunicabilidade entre marido e mulher, e essa incomunicabilidade representa muito mais do que as cicatrizes da violência urbana. O diretor Marco Dutra vai filmar no Uruguai, em espanhol, e novamente traz a trama para o seu mundo, o flerte com o terror e com o suspense psicológico.

No centro dessa história estão Diana (Carolina Dieckmann) e Mario (Leonardo Sbaraglia) e um casamento que tenta ser reconstruído. A separação criou distanciamento que, lentamente, entenderemos comportamentos e segredos.

A narrativa em off é muito precisa em trazer sentimentos e sensações de seus personagens, que os silêncios não seria capazes de representar, é uma ferramenta que funciona muito bem a favor de Dutra, além de intensificar a sensação claustrofóbica que se divide nas diversas facetas com que Mario passa entre seu relacionamento e o ódio que o consome. É essa riqueza dramática do personagem central que faz o filme de Dutra ur além do cinema de gênero, sem perder de vista suas origens. Ainda que o clímax chegue quando ainda havia espaço para sufocar o público, tem um timing bem condizente com seus personagens e a contrução do todo.

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entrenosEntre Nós (2013) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um grupo de jovens amigos reunidos numa chácara, curtindo sua paixão literária e o desejo de se tornarem escritores. Cheios de vida, de esperança, de confiança em seu próprio taco. Cartas escritas e enterradas para serem relida em 10 anos. Tudo é lindo, tudo é alegria, ainda mais com as libertações sexuais e muito álcool para animar.

Paulo Morelli filma os dramas da fase adulta, sua visão após dez anos é de gente ressentida, com sentimentos de fracasso, culpa, ou amores renegados ao passado em prol de alguma estabilidade. Seu drama poderia ser algo próximo de um Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, dirá um Cassavetes. Mas náo, seus personagens se mostram cada vez mais fragilidades pela própria criação irregular dos mesmos, pela obviedade de seus atos.

O mote principal de todo o drama (carregado em Caio Blat) fica óbvio desde o primeiro instante, e o status coadjuvante dos demais estará sempre renegado a essa culpa maior de alguém que vive sob uma mentira (que mundo cruel, não?). Tenta ser intimista, tenta ser doloroso, mas todos os esforços parecem em vão quando sua proposta parece amarrada a escalação do elenco, tendo que colocar no topo os nomes centrais (Carolina Dieckemann e Paulo Vilhena, que mostram tantas fragilidades, e Maria Ribeiro, nessa ordem).  Uma visão desgraçadamente pessimista do mundo.