Posts com Tag ‘Cécile de France’

umbeloveraoLa Belle Saison (2015 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

França, década de setenta. Tempos de libertação sexual, de movimentos feministas. A diretora Catherine Corsini, de carreira bem sedimentada, ganhou prêmio de melhor direção no Festival de Locarno com este romance dramático, que vai pouco além de uma almejada sensibilidade. Não fosse a temática LGBT, presente no romance lésbico de cenas sensuais, o filme talvez nem tivesse o status que recebeu.

A garota interiorana (Izia Higelin) que gosta de meninas, e vive sob a rigidez do tradicionalismo, e a professora de espanhol (Cécile de France), casada, e envolvida em propagar ideologias feministas. A trama retrata o romance inesperado, enquanto enfrentam tabus e escolhas diante dos enfrentamentos familiares. O drama é banal, caminha por estradas conhecidas, não importando se haverá um desfecho que peso para o feliz ou não. Desperdiça oportunidades para discutir temas, quando apenas os utiliza como figurantes para mais um romance no cinema. O frescor das imagens no campo, em meio a este romance, é muito pouco além desse cinema médio francês feito para agradar.

todasasnoitesTouts Les Nuites (2001 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O roteiro (inspirado em Gustava Flaubert) trata da amizade de dois amigos, numa cidade no interior da França. Adolescentes em 1967. A vida os separa, mas a amizade se mantém. Um tenta ser escritor (Adrien Michaux), o outro vai estudar em Paris (Alexis Loret) e se envolve com a esposa (Christelle Prot) de um de seus professores, foge com ela aos EUA.

Seguem os caminhos dos amigos, os envolvimentos amorosos, as decepções da vida. Os acontecimentos não são o mais significativo no filme de estreia de Eugène Green, aliás o roteiro parece apenas preencher algumas lacunas, porque a essência está nos planos rígidos, no plano-contraplano, na suntuosidade da noite. O estilo forte do diretor, com diálogos marcos e um rigor estético impressionante, resultam numa espécie de poesia filmada.

Os atores encontram o tom certo entre o erudito e o naturalismo, os planos-fechados, a luz, tudo ganha importância incondicional. O desenrolar da história é quase onírico, até quadrado. O sexo em sua forma literária. Como Green comanda e conduz esses personagens, o verdadeiro chamariz de seu filme.

 

 

 

oenigmachinesCasse-Tête Chinois (2013 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O terceiro filme da trilogia é bem mais digno que o anterior (Bonecas Russas), por mais que o ritmo de vida da turma, que se encontrou em Barcelona e agora beira os 40, se aproxime da irregularidade de uma república de universitários. Parte é reflexo da realidade atual, dessa quebra com paradigmas de famílias extremamente estáveis. Porém, por outro lado, foi a forma encontrada pelo diretor Cédric Klapisch em lidar com humor e trazer alguma irreverência a seus personagens.

Nesse mundo reencontramos o escritos Xaiver (Romain Duris), e as mulheres que circudam a sua volta (Audrey Tautou, Cécile de France e Kelly Reilly). Temas da maturidade sob a forma do confuso, complexo e insconstante Xavier lidar. Filhos, divórcios, amigos em crise, mudar para outro país. Klapisch tenta brincar com a questão de visto nos EUA (green card, essas coisas), acerta em algumas piadas, nem tanto em outras (pelo exagero). Mas, até que consegue retomar um pouco do espírito do primeiro filme (O Albergue Espanhol), e tomara que, dessa forma, tenha fechado essa história, mas nunca se sabe.

Foi a primeira vez que assisti a festa de premiação do César, o equivalente ao Oscar da Academia Francesa de Cinema. E é impossível não comparar as festas de cerimônia, e imagino eu, não se encantar com a versão francesa. Basta conhecer um pouco mais do cinema francês, e na platéia ver Arnaud Desplechin, Roman Polanski, Léa Seydoux, Bérénice Bejo, Mathieu Amalric e tantas outras estrelas.

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Primeiro, mesmo em sua autohomenagem e celebração de seus melhores, o cinema francês não perde oportunidade de homenagear a maior indústria do cinema, q Hollywood do cinema americano (não em quantidade de filmes, que se sabe que Bollywood e Nollywood profuzem mais filmes). Quentin Tarantino e Scarlet Johansson (ela com homenagem a sua carreira).

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A cerimônia é enxuta, sem parada para intervalos comerciais, sem firulas e delongas. A platéia quase comanda o show. Algum premiado exagera nos agradecimentos? Não tem música alta e nem microfone que se movimenta, a platéia começa a bater palmas e a pessoa “se toca”. Aplausos mais efusivos também para os preferidos, quando as indicações são citadas antes da entrega do prêmo.

cesar-ceciledefranceCécile de France comandou a festa, com graça e leveza, humor e carisma. protagonizou um numero musical, cantando e dançando, e nem precisou sair do palco para apresentar todos os mais de 20 prêmios. César é uma aula de como promover a indústria, de forma chique e agradável, com direito a tapete vermelho, estrelas e flashes, sem perder o glamour.

Sobre a premiação, foi a primeira vez que um filme de estréia foi o grande premiado. Les Garçons et Guillaume à table ! (dirigido e protagonizado por Guillaume Gallienne) ganhou 5 Césars (Filme, Ator, Roteiro Adaptado, Montagem e Filme de Estréia), supreendendo os favoritos Azul é a Cor Mais Quente e Um Estranho no Lago.

Guillaume_Gallienne_Sucesso popular, com 2,5 milhões de ingressos de cinema vendidos, superando os celebrados filmes eróticos (com temática de gays e lesbicas) pode ter uma escolha pelo popular, ou uma total demonstração de que a Academia Francesa ainda não está preparada para consagrar o tabu da libertação sexual. Nessa discussão, fica o texto interessante da Première sobre o assunto.

Outros premiados foram Roman Polanski como Diretor (por Venus in Fur), Sandrine Kiberlain como Atriz (por 9 Mois Ferme). Entre os Coadjuvantes, Adèle Haenel (por Suzanne) e Niels Arestrup (por Quai D’Orsay). Os favoritos se contentaram com o prêmio de revelações, masculina para Pierre Deladonchamps (Um Estranho no Lago) e Adèle Exarchopoulos (por Azul é a Cor Mais Quente). Filme Estrangeiro foi outra surpresa já que havia Blue Jasmine, Django Livre, A Grande Beleza e Gravidade) foi para Alabama Monroe.

Alguns links de videos dos premiados

Le Gamin au Vélo (2011 – BEL)

Poucos minutos de filme e eu já questionava, comparava, me perguntava como um garoto (Thomas Doret) pode ser tão persistente, e de uma forma impetuosa, visceral. O quanto de determinado ele possui, e uma determinação furiosa, um garoto fazendo tanto esforço para uma simples ligação telefônica ao pai, queria pegar emprestado essa determinação para alguns momentos da minha vida. Não é o melhor, Rosetta continua sendo a grande obra dos irmãos Dardenne, mas talvez seja o melhor resultado do cinema naturalista dos Dardenne, esse diálogo com a Nouvelle Vague funciona aqui de maneira consistente. Uma narrativa fluída, sempre com a marca pessoal dos cineastas (de temas, a câmera na nuca dos personagens, ausência de melodrama), tratando de forma tão simples temas tão urgentes. O garoto vive num orfanato, procura o pai (Jérémy Renner, seu personagem quase poderia justificar o filme como uma continuação de A Criança), faz loucuras por sua bicicleta, por sua volúpia incisiva conquista a cabeleireira (Cécile de France) que passa a encontrá-lo aos finais de semana.

Está tudo ali, a fúria desse garoto renegado pelo pai, a necessidade de autoafirmação, a rebeldia ao carinho, o clichê da inocência perdida, ainda assim dono de um bom-senso que a idade não lhe traria (talvez tenha adquirido na vida). Jean-Pierre e Luc Dardenne diluem o melhor do seu estilo, sem invencionismos, sem paternalismo a seus personagens. Eles erram, eles pagam e sofrem as conseqüências. Não há vilões, mas sim julgamentos morais, a quebra dos limites éticos, e uma bicicleta por onde o garoto cruza as cidades pacatas de uma cidade belga, entre sua inocência e a violência que ele reflete.

 

inimigopublicon1Mesrine: L’Instinct de Mort (2008 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A figura de Jacques Mesrine (Vincent Cassel) é extremamente cinematográfica, no sentido showman da coisa. Um bandido desmiolado capaz de atitudes mirabolantes, como a fuga, e posteriormente auxílio para a fuga de outros que com ele estavam presos num presídio de segurança máxima no Canadá (só em dois num carro e como único plano sair atirando para todos os lados), já é argumento para um filme de ação. Nas mãos de Jean-Fraçois Richet (e sua passagem pelo cinema de ação hollywoodiano) o filme perde os laços com o cinema europeu para flertar um pouco com o que estamos acostumados no mainstream, se bem que há um ar, um toque de Richet, principalmente na montagem rápida, nos cortes secos e no estilo “moderninho” de filmar.

A primeira parte da saga de Mesrine narra o início de sua vida no crime, sua relação com o chefão da máfia Guido (Gerard Depardieu), dois grandes amores à espanhola, Sofia (Elena Anaya) e Jeanne Schneider (Cécile de France), que trabalhando em dupla ganharam o apelido de Bonnie & Clyde. Richet recorre a participação de Mesrine na Guerra da Argélia (no fim da década de 50) numa forma de justificar a opção de Mesrine pelo mundo do crime, ao tomar partido escancara essa adoração por parte dos franceses a uma figura truculenta, violenta, e faz do seu filme um grande entretenimento com um personagem desajustado. É válida toda a seqüência inicial que deixa no ar uma armadilha para matar Mesrine, a seqüência se impõe com estilo, mas não chega ao impacto esperado (torna-se diapasão do próprio filme).