Posts com Tag ‘Cecilia Roth’

labirintodepaixoesLaberinto de Pasiones (1982 – ESP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O cameo de Pedro Almodóvar como vocalista de uma banda escrachada, de longe o que de mais interessante há nessa de suas comédias de início de carreira. Interessante por quem é Pedro Almodóvar hoje, naquela época, não teria o mesmo sabor. É um típico Almodóvar daquela fase de início da década de 80, extravagante, rocambolesco, sexual, colorido, gay, exagerado.

Um príncipe à paisana, uma cantora ninfomaníaca, um terrorista gay, a filha abusada sexualmente pelo pai (dono de uma lavanderia), o ginecologista que não gosta de sexo. Misture bem, bata no liquidificador, e deixe os soltos por Madrid. Kitsch por excelência e convicção. É de um humor que não agride, cuja sexualidade está explícita em cada diálogo, por mais que o filme seja visualmente cuidadoso, é Almodóvar em sua criatividade absurda que exagera tanto, que erra quase sempre.

osamantespassageirosLos Amantes Pasajeros (2013 – ESP) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Muita gente torce o nariz, mas eu admiro Pedro Almodóvar e Woody Allen. Eles carregam essa carga de “cineastas-autores”, emplacaram seus filmes nas grandes redes exibidoras de cinema, onde imperam apenas os blockbusters. Respeito pelo status que alcançado. Mas quando chega um novo filme desse “peso-pesado”, e não consegue espaço em nenhum festival importante, vai parar no Festival de Los Angeles? É atestado de que o filme não deu certo. Acompanhar carreiras traz esse sabor de tentar entender, traçar um panorama, novos horizontes. No caso de Pedro Almodóvar, os sinais de desgaste de seu cinema são bem evidentes. Seus últimos filmes patinam entre momentos de brilhantismo, e repetições inferiores ao que ele já fez tão bem. A Pele que Hábito é o melhor caso, revisitando o bizarro e as mutações sexuais, porém o incremento financeiro não faz jus à maturidade, a nova visão sobre o que foi visto antes carrega pragmatismo.

Dessa vez ele resolveu voltar ainda mais longe na carreira, resgatar suas comédias de início de carreira. Elas eram escrachadas, exageradas, atrapalhadas até o limite. Foram o início de sua trajetória, cheias de imperfeições, mas divertidas. Sua nova aventura humorística traz o que Almodovar tinha de típico, sem que nunca consiga chegar a lugar algum. Um bando de gays afetados, o sexo transformado em vulgar, e os dramalhões exagerados, todos os tons passam dos limites que Almodovar já tinha esticado. O resultado final é constrangedor, a reunião de boa parte dos atores que formaram sua filmografia merecia um pouco mais de carinho, a despretensão disfarçada mostra o desgaste que Almodóvar não consegue se livrar. Apelando, e da forma mais triste possível.

Kamchatka (2002 – ARG)

Visto atualmente, após uma leva de filmes sobre ditaduras militares sul-americanas, inclusive alguns sob os olhos de crianças (como Machuca no Chile e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias no Brasil) não parece nada fundamental. O tema está gasto, as histórias que sempre merecem ser contadas, até para não nos deixar esquecer dos absurdos hediondos que governos e poder causaram em feridas incicatrizáveis por nossos países, realmente cansaram o gosto do público.

Tentando deixar de lado o desgaste, o filme de Marcelo Piñeyro é apenas corretinho e seguro. Uma história bem contada, sem muitos detalhes, um casal (Cecila Roth e Ricardo Darín) que precisou se esconder da ditadura argentina por ser contra a tomada de poder, e a convivência com os filhos pequenos num lugar escondido, mudando os nomes e vivendo com o medo. Em busca de alguma poesia, o título faz referência ao jogo de tabuleiro War, fica na boa intenção.

Ninho Vazio

Publicado: janeiro 29, 2009 em Uncategorized
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El Nido Vacío (2008 – ARG)

Daniel Burman surge com uma daquelas comédias dramáticas de personagens simpáticos e divertidos. Ledo engano acreditar que seus temas preferidos deixaram de ser debatidos, religião (judeus na Argentina) e família são o centro novamente. A mudança central é a idade (e consequentemente os dramas) do protagonista. Um escritor cinquentão sente dificuldades em se adaptar à esposa que deseja recomeçar a estudar na faculdade e demonstra vontades de uma vida agitada enquanto ele busca mais tranqüilidade. Em contrapartida, sua libido anda aguçada constantemente por mulheres mais jovens.

Também, a distancia dos filhos, que já não são mais crianças, e por isso têm suas escolhas, seu desejos, aventuram-se pelo mundo e passam cada vez menos tempo com os pais. Burman cria uma brincadeirinha e nos divertimos com as travessuras desse senhor metódico e racional que nega o novo, e no fundo queria apenas que o tempo parasse naquela época em que a família vivia ao seu redor, com as crianças brincando pelo tapete e todas as decisões ao seu alcance. Trata-se de um filme engraçadinho, Burman talvez não saiba lidar com dramas que fogem de seu cotidiano de vida, e por isso não passa dessa sensação de brincadeira.

tudosobreminhamaeTodo Sobre Mi Madre (1999 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Um desses momentos raros do cinema, a carreira de Pedro Almodóvar chega a plenitude. O casamento perfeito entre o bizarro, o feio, o kitsch, com o peso da sensibilidade. A dor, o desconsolo, a ressurreição. A dolorosa perda do filho adolescente, um road movie à procura do pai do garoto, numa busca desesperar em se reconciliar com a vida.

Almodoóvar vai buscar em Um Bonde Chamado Desejo parte da inspiração, é a peça encenada que funciona como a faísca que ascende a fogueira da vida dessa mãe (Cecilia Roth). Enfermeira que coordena o departamento de doação de órgãos num hospital em Madri, segue os passos do coração do filho, não consegue lidar com essa aflição, larga tudo e vai rumo à Barcelona.

Pelo caminho reencontros, sempre personagens bizarros (travestis, viciados), cada um deles partindo em novos rumos, carregados por suas angústias. Antes do reencontro com o pai, ela reencontra-se com a peça Um Bonde Chamado Desejo, a rendeção se dá numa nova guinada pela vida. Mulheres desestruturadas que se unem. O diretor Pedro Almodóvar cria uma teia de personagens, ligados a uma mulher com um passado conturbado, e uma perda pessoal irreparável. Vidas em momentos caóticos, e nesse turbilhão que a enfermeira encontra forças para ajudar e se reerguer.

Usando seu olhar ímpar sob os sentimentos humanos, o diretor nos mantém embabacados no desfecho das histórias pessoas que cada personage. Cecilia Roth emociona a cada cena em que fala da perda do filho, está nela enraizada a mística figura da mãe absoluta. A grande obra-prima do cineasta espanhol.