Posts com Tag ‘Chantal Akerman’

BFI

Publicado: maio 10, 2014 em Cinema, Cinematecas
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Na minha visão o BFI é a mais completa das Cinematecas. Preza pela modernidade em sua arquitetura circular, toda de vidros e cheia luzes, no meio de uma avenida onde os carros circulam como se ali fosse uma rotatória. Bem pertinho da roda-gigante (London Eye). O BFI consegue unir o charme com a modernidade, o BFI Imax é a maior tela de cinema do Reino Unido e atraem o público médio, enquanto a programação de mostras e retrospectivas, nas demais 4 salas, são o paraíso cinéfilo.

É no BFI que acontece o London Film Festival, em Outubro. Sessões de gala se misturam a filmes de Stanely Kubrick ou O Espetacular Homem-Aranha 2. É a pluralidade que faz do BFI um acontecimento.

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O site do BFI também oferece serviço de streaming, pulverizando o cinema de todas as formas. Na lojinha de dvds e revistas, todas as publicações do gênero, principalmente a Sight & Sound que é intimamente ligada ao próprio BFI. Minha rápida visita aconteceu em fevereiro de 2013, o BFI exibia o Lesbian & Gay Film Festival e filmes de Chantal Akerman, e se preparava pare receber filmes de Pasolini. Para quem vive em Londres, e realmente acompanha cinema, é o tipo de lugar para se virar figurinha carimbada, se tornar membro e aproveitar o máximo possível. É como se todas as mostras especias que se espalham por cinemas de SP acontecem num único, e deslumbrante, local.

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Eu , Você, Ele, Ela

Publicado: dezembro 1, 2013 em Cinema, Domingo de Clássicos
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euvoceeleelaJe, Tu, Il, Elle (1976 – FRA/BEL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Desvendar o título é uma forma de desvendar a proposta e a própria diretora. Chantal Akerman é a própria protagonista que escreve a alguém, enquanto entediada muda móveis de lugar e come um pó, como se fosse criança. Se Chantal é o eu, você poderia ser o próprio público. Ele, o caminhoneiro, que no segundo segmento da história dá carona a Chantal, conversam sobre família, até se perceber os primeiros sinais do alto teor sexual do filme.

Na fase final surge Ela, a namorada, e nesse momento Chantal mergulha em cenas explícitas de erotismo, esfrega sua opção sexual e termina o ciclo provocador e experimental de sua proposta. É seu grito de liberdade, sua foma de expressão pura e ofensiva, falando abertamente quando poucos estavam preparados para tamanha liberdade e queda de filtros.

A simplicidade fílmica (poucos planos e falas, raros cenários) é outro trunfo, porém, na ansia de chocar e expor sua visão feminista, há uma repetição da proposta (que só o seguimento com o caminheiro consegue se resolver bem), como se os demais funcionassem melhor numa esposição de artista plástico.

aloucuradealmayerLa Folie Almayer (2011 – BEL/FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Adaptação livre do primeiro conto de Joseph Conrad traz um mergulho da cineasta Chantal Akerman à Malásia rural, contextualizando a história nos anos 50. Enquanto Akerman se delicia com uma natureza primitiva, num olhar entre o selvagem e um curioso desbravar, ela traz à tona a disputa de raças. São europeus latifundiários, enquanto um país vive dividido entre chineses e malaios.

Outra questão forte é do isolamento, Almayer (Stanislas Merhar) veio da Europa, vive numa fazenda deficitária e sua unica paixão é sua filha. Enquanto Almayer se isola, cada vez mais distante da Europa, de amigos e de sua esposa (malaia), ele trabalha, sem resultados frutíferos. A filha vai para um colégio interno, a busca é por educação européia, sem que se questione a possibilidade da garota se adaptar, ou não à cultura.

A solidão enlouquece, e Chantal encontra uma forma leve de criar claustrofobia, câmera levemente distante e o verde das árvores que não permite ver o céu, a pequena abertura da visão está onde os pequenos barcos param para os tripulantes descerem. Uma vida que parece sem escolhas, apertada pela natureza, pela condição imposta, e pela inércia pessoal. Almayer enlouquece, porque as coisas fogem ao seu controle, e não há estrutura psicológica para reviravoltas.