Posts com Tag ‘Charlie Sheen’

MachetemataMachete Kills (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O charme do filme anterior, e de boa parte dos trabalhos de Robert Rodriguez é o estilo que se impõe com virilidade e humor. Homens másculo e imorríveis, mulheres lindas com suas metralhadoras, sangue jorrando por todos os lados. A questão é encontrar o limite. Quanto o público tolera dos acontecimentos impossíveis, da imortalidade do protagonista, dos excessos de personagens e diálogos? Pelo fracasso desse segundo capítulo (que já prometeu um próximo, no espaço) esse limite existe, e Rodriguez o ultrapassou.

A trama envolve do presidente dos EUA até chefes da máfia mexicana, incluindo um muro que fora criado entre EUA e México para evitar a invasão dos ilegais. De resto, uma constelação de estrelas entrando e saindo de cena em sequencias mirabolantes, e que não repetem o charme e humor de outrora. Coisas como “Machete não twita” não funcionam tão bem e o descrédito desse filme é certo.

queroserjohnmalkovichBeing John Malkovich (1999 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Por que as pessoas têm tanta curiosidade em saber da vida dos outros? O que há de tão fascinante em não ser você mesmo? Até que ponto nossa privacidade deve ser respeitada, qual o conceito de privacidade hoje? Se é que ele existe este conceito ainda. Num mundo tomado por “reality shows”, ter a possibilidade de entrar na cabeça de um famoso ator é algo surreal, porém instigante.

Craig Schwartz (John Cusack) é um marionetista, apaixonado por sua arte, porém enfrentando graves problemas financeiros. Sua esposa, Lotte (Cameron Diaz), adora animais, e os dois vivem numa espécie de mini-zoológico. Obrigado a buscar um emprego “normal”, e auxiliado pela agilidade com as mãos, Craig arruma um emprego de arquivista. O inusitado começa a aparecer aqui, a empresa está localizada no andar 7 ½. Todos andam meio envergados, porque o andar tem realmente metade da altura.

Rapidamente, Craig se apaixona, no trabalho, por Maxine (Catherine Keener), quem não lhe dá nenhuma atenção. O surreal entra de vez na trama quando Craig encontra uma estranha porta na parede, e descobre que se trata de um portal que vai direto ao cérebro do ator John Malkovich. Bizarro, não? Você entra pelo portal e consegue ficar quinze minutos lá dentro, até ser arremessado à beira de uma rodovia. Obviamente que Craig fica fascinado, e conta tudo a Maxine, que vê a possibilidade de ganhar muito dinheiro.

Os dois abrem uma empresa clandestina, e nas madrugadas cobram dos interessados a passar alguns minutos na cabeça do astro. Maxine vai à procura de Malkovich, e o encontra quando Lotte estava dentro da mente do ator. O resultado é que Lotte se apaixona por Maxime. Craig descobre o amor das duas, “executado” através do corpo de Malkovich, e enciumado descobre uma maneira de controlar o ator, como controla suas marionetes. Sob o comando de Craig, a vida de Malkovich muda completamente e esse roteiro segue por caminhos inimagináveis.

Spike Jonze dirigiu inúmeros clips musicais de sucesso, e também trabalhou como ator no filme Três Reis. Em sua estreia na direção surge um talento inventivo, que flerta com humor leve e agradável, enquanto busca na criatividade e em temas atuais, a vasão para suas ideias completamente malucas. Algumas cenas inteligentes como a perseguição no subconsciente de Malkovich, ou a dança imitando uma marionete, provam que nasce um diretor para se ficar bem atentos.

platoonPlatoon (1986 – EUA)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Esse foi um daqueles filmes que soavam como “clássicos” na minha memória de adolescente, mas que a história parece não ter lhe dado este status atualmente. Já pouco se fala de Platoon, mesmo tendo ganho Oscar de Melhor Filme e o Leão de Prata em Berlim. Oliver Stone também já dá sinais de estar na parte descente da curva de sua carreira. O mito foi quebrado ao finalmente  assistir, e temo que uma revisão em alguns anos possa ser ainda mais prejudicial.

Oliver Stone foi combatente na Guerra do Vietnã, ele retorna às suas memórias dos horrores da guerra. O filme é narrado segundo a visão de um jovem (Charlie Sheen) que se alistou, voluntariamente, no exercito norte-americano. Idealista, acreditava piamente no dever cívico de lutar por seu país. Seus olhos são as testemunhas de mutilações, massacres, estupros, e demais violências. Tom Berenger, em atuação impecável, encarna o sargento ambicioso, psicopata e sangue-frio que causa temor entre os recrutas. Seu contraponto é outro sargento, mais humanista e sensível, interpretado por Willem Dafoe. Este confronto perfaz um dos melhores momentos do filme. Eles comandam um batalhão que passa por vilarejos, e encara a guerra no corpo-a-corpo. Enquanto a violência assusta, o filme sai também em busca de questionamentos: da convocação apenas dos pobres para combaterem, o heroísmo americano e essa guerra de fome contra um povo já tão sofrido.