Posts com Tag ‘Charlize Theron’

madmaxfuriaemtodasMad Max: Fury Road (2015 – AUS/EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Tom Hardy não demonstra a mesma figura marcante de Mel Gibson, ao reviver Max, esse sobrevivente-vingador das estradas da saga. Eeis que surge Charlize Theron como a verdadeira personagem forte da trama. Uma presença mais forte de Hardy faz falta: suas poucas falas e muitos resmungos o transformam em um mero distribuidor de chutes e pontapés. Assim, sobre espaço para a heroína Furiosa (Theron) roubar-lhe o carisma, o protagonismo, o filme.

Dito isso, o novo Mad Max é estupendo e insano. Nessa época de enxurrada de franquias retomadas, em que os novos filmes tem perdido, de goleada, aos anteriores, George Miller retoma o mundo pós-apocalíptico de Mad Max com a mesma fúria, e mais recursos tecnológicos capazes de oferecer um dos filmes mais alucinante do cinema. A trama se aproveita da mesma configuração de mundo um desolador. Água e combustível são os verdadeiros ouros da sobrevivência. Plantas e verduras beiram a extinção. Praticamente um reboot do segundo filme, mas com elementos que sugerem uma unificação entre este segundo e o terceiro (a fuga do grupo contando com a ajuda de Max para escapar da gangue, a cidadela sob controle ditatorial).

Depois de uns vinte minutos alucinantes, onde a narração em off evoca o passado de Max e explica a sociedade capitaneada pelo extravagante e regupgnante Immortan Joe (Hugh Keayes-Barney) e seus vivos-mortos, temos um breve fade-out (primeira chance do público respirar) e começa a caçada alucinante pelo caminhão dirigido pela Imperatriz Furiosa.

Olhos grudados na tela, a ação só para no pequeno alívio cômico no melhor estilo Victoria’s Secret. Aliás, vale mencionar como o cineasta desenvolve tão bem alguns personagens, mesmo no meio de tanta adrenalina e ritmo acelerado. As parteiras, o passado de Furiosa, Nux (Nicholas Hoult) representando os mortos-vivos, e até mesmo relações românticas que surgem em momentos de tanta intensidade.

George Miller prefere cenas mais realistas. Há menos efeitos especiais e mais dublês. Tudo é estiloso: as roupas de couro e metal, a guitarra que cospe fogo, os homens amarrados em longos cabos (como numa apresentação circense). A caçada entre estradas de terra batida, as caveiras e muito, muito Rock N’Roll. Miller envolve o público nesse universo alucinatório, extrapola todas as possibilidades que a cabine daquele caminhão oferece, destrincha as máquinas enquanto trafegam no máximo de sua velocidade. É pura adrenalina e pulsação, e os enquadramentos endeusam esses “cavalos” de metal que fazem barulho e soltam fumaça.

O veterano diretor reinventa sua própria obra, como se fosse possível voltar no tempo e refazer o passado. O trailer prometia muito, a entrega do filme é ainda melhor, um dos melhores filmes de ação de todos os tempos. O cinema de autor chuta a porta e invade o mainstream.

Prometheus (2012 – EUA)  

Depois de mais de 30 anos e uma saga de 4 filmes, Ridley Scott (que dirigiu apenas o primeiro) volta aos extra-terrestres cheios de gosmas e loucos para aniquilar com os humanos. Dessa vez ele traz um prelúdio, fatos que vieram antes do famoso Alien. O filme começa uma espécie de “teoria” de que os extra-terrestres criaram os humanos e tornaram o planeta Terra habitável. Uma expedição embarca na nave Prometheus em busca de respostas.

Estamos diante dos questionamentos filosóficos sobre a origem da vida (o filme também toca muito no tema sexo e maternidade), se bem que a balela “intelectual” fica guardada aos que desejem realmente mergulhar nas teorias. Scott está mesmo interessado em abrir mil portas que o filme não as feche, e assim, obter espaço para novas continuações. O clima de suspense que foi o diferencial de Alien volta a funcionar muito bem aqui, por mais que se possa ter milhões de perguntas a respeito (como, por exemplo, porque com tanto lugar naquele planeta para se conhecer eles foram parar exatamente naquela “caverna”?).

De fato, a primeira metade é bastante interessante, as pequenas descobertas, o medo pelo desconhecido, a curiosidade, Ridley Scott deixa o público no ponto certo, sedento por saber o que é aquele líquido preto ou quando apareceram os primeiros seres vivos naquele lugar? Logo a seguir tem início a fase de filme de ação, e nesse ponto, por mais que as cenas de apuro técnico sejam impecáveis, voltamos a cair na vala comum dos filmes de salvação do mundo. Personagens mal-desenvolvidos (o capitalismo de alguns deles é algo, no mínimo, desnecessário), uma nova heroína (Noomi Rapace) de lingerie, e cenas de uma maratona física que atletas de decathlon não sobreviveriam (se bem que a cena da cirurgia é sensacional).

Quando o filme mergulha no desconhecido, na mística, sempre que há conteúdo, o caldo da sopa fica bem mais apetitoso.  Quando ele está apenas reciclando ideias velhas (suas ou de outros filmes, de 2001 a Independence Day), não passa de entretenimento puro e simples como qualquer outro filme menos grandioso. Michael Fassbender, o ator do momento, já que ele está em todas, interpreta um não-humano, na fase final do filme ele guarda uma interpretação inusitada, se antes ele já abusava com uma interpretação-homenagem a Peter O`Toole (citações de Lawrence das Arábias), dali em diante temos um a prova de um ator que pode trabalhar com “poucos recursos”.

oadvogadododiaboThe Devil’s Advocate (1997 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O jovem advogado criminalista Kevin Lomax (Keanu Reeves) se vangloria de nunca ter perdido um caso. Mora com sua esposa Mary Ann (Charlize Theron), numa pequena cidade da Flórida, onde dividem um simplório escritório, e ali lutam com dignidade em suas carreiras. A fama instantânea de sucessos corre o país, e logo um grande escritório de advocacia de Nova York faz-lhe uma proposta de trabalho milionária.

O presidente é o sinistro John Milton (Al Pacino), um homem mais que misterioso, alguém com um poder de persuasão ilimitado, uma sensibilidade aguçada, um anormal dom manipulador. Kevin está maravilhado com a nova vida, porém a ascensão meteórica na carreira é diretamente proporcional aos problemas que passa a enfrentar no casamento, Mary Ann não se adapta a vida de dondoca, começa a sofrer alucinações, estranhas visões, mania de perseguição.

Desde o princípio da trama, o livre-arbítrio e a vaidade são temas claramente explorados. O roteiro manipula os personagens, deixando clara a verdadeira faceta diabólica de John Milton.  Taylor Hackford é o homem por trás dessa manipulação, para entreter o público gasta tempo em julgamentos, cria um herói almofadinha, que não se deixa influenciar pela nova vida a não ser no quesito vaidade. Ouviremos à exaustão “A vaidade é meu pecado preferido” dita por John Milton. A vaidade como controle principal da mente humana, relacionada a dinheiro, desejo, sexo, sucesso, poder.

Um Al Pacino artificial, um Keanu Reeves sem graça alguma, essas coisas fazem a diferença, tem-se uma história manipuladora e medida, e de outro lado atores de renome com preguiça. Mas a direção de Hackford não é só de erros, entre seus altos e baixos, a cena do espelho é bem envolvente, assim como o desfecho apoteótico, por mais premeditado que possa parecer. São esses momentos que tornaram o filme sucesso no público médio. John Milton pode achar que “o livre-arbítrio é uma droga”, para mim é um dos segredos da humanidade.