Posts com Tag ‘Chiara Mastroianni’

bastardosLes Salauds / Bastards (2013 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Por entre tantas elipses, fatos pouco conexos, silêncios e segredos, a cineasta Claire Denis apresenta mais um daqueles filmes suntuosos, que trazem a sensação de uma névoa cobrindo seus olhos, não permitindo que se possa enxergar, claramente, as peças de um quebra-cabeças, que ela teima em, magistralmente, montar à frente de nossos olhos. Uma jovem (Lola Cretón) encontrada nua, e sangrando no meio da rua. O pai, diretor de uma fábrica de sapatos falida, cometendo suicídio. Família fragmentada é pouco.

O fio condutor é Marco (Vincent Lindon), cunhado da vítima. Entre varrer os cacos e entender, exatamente, o que está se passando, o capitão de navio mergulha de cabeça com o outro lado da história: a amante (Chaira Mastroianni) de um industrial (Michel Subor), que era amigo e supostamente estaria envolvido no suicídio.

bastados2Contar mais do que isso já é partir para julgamento próprio, desse estopim surge a história nebulosa, onde julgar quem é vítima realmente, passa a ser um dos maiores prazeres do público. Claire Denis pega pesado, em temas e cenas, mas principalmente nessa atmosfera que perturba o estômago de quem assiste. Mentiras, segredos sórdidos, a natureza humana e todo o poder corrompido por desejos escusos, relações absurdas, e um primitivismo grotesco. Seus filmes não são fáceis, mas são adoráveis e inquietantes. E no quesito inquietude, a cena do dirigir às cegas é daqueles momentos que você tem vontade de pular para dentro da tela.

Les Bien-Amiés (2011 – FRA)

Num primeiro momento pode parecer que Christophe Honoré foi buscar em seu musical anterior uma forma de apagar o fracasso de seu último filme, afinal a parceria com Alex Beaupain se repete, assim como alguns dos atores que também estiveram em Canções de Amor, além dessa mistura de relações amorosas entre heteros e homossexuais. Os planos de Honoré eram mais audaciosos, narrar a vida de mãe e filha por mais de cinquenta anos de história, entre França, Tchecoslováquia, Londres e Montreal. A mudança mais drástica é no tom, se Canções abusava (inteligentemente) da leveza, com um toque de pluma nos tabus, esse drama-musicado vem com o peso. Peso da Segunda Guerra, o peso de mulheres marcadas pelo sofrimento, e o peso de um roteiro que almeja caminhos diferentes dos usuais a seus personagens.

Se largamos mão nesse placebo que o filme se apresenta, temos apenas dois triângulos amorosos, é a vida da mãe refletindo na da filha. Se a mãe era uma puta que viveu entre o médico tcheco e o guarda frances, a filha se divide entre o professor (colega de trabalho) e o músico americano. Honoré busca, de todas as formas, complicar essa simples equação, porém seus personagens são tão egocêntricos, que o filme se cansa da luta ingrata de deixar de orbitram a volta deles, e se entrega a seus personagens de forma quase desinteressante. Onde está a leveza, Honoré? Ela era seu trunfo, deixe de fugir de uma de suas marcas pessoais.