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O cinema nacional continua sobrevivendo de comédias muito populares, ou filmes para um público super restrito. Esses filmes menores ganham pequenos lançamentos, com pouquíssimas sessões, de forma que assisti-los se torna um esforço logístico. A exibição no Canal Brasil ou no Now tem sido mais interessante do que o circuito comercial deles. Entre esses dois tipos de filmes restam poucos lançamentos que estejam entre essas duas características, e normalmente eles são boa parte do que de melhor nos é apresentado. Segue abaixo meus 5 filmes nacionais lançados em 2015 nos cinemas brasileiros.

 

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  1. Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert
  2. Ausência, de Chico Teixeira
  3. Jia Zhang-ke, Um Homem de Fenyang, de Walter Salles
  4. Branco Sai, Preto Fica, de Adirley Queirós
  5. California, de Marina Person

 

Top 5 – 2014 – Cinema Nacional

Top 5 – 2013 – Cinema Nacional

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Ausência (2014) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Um homem tirando parte dos objetos de um apartamento, “pode carregar a tv, mas deixa o videogame que é dos meninos”. Lá se foi a figura paterna daquela casa, a mãe fragilizada se entrega ao álcool e à melancolia e sobrecarrega o filho adolescente (Matheus Fagundes) a trabalhar e cuidar do irmão mais novo. Nete segundo longa-metragem de ficção de Chico Teixeira, o diretor segue o mesmo caminho que trilhara em A Casa de Alice. Dramas familiares, famílias em decomposição e o mundo suburbano paulistano. Enquanto filma a cidade, coloca todo o peso do mundo sob as costas de Jorginho.

A necessidade do garoto por uma figura forte em casa traz todo o peso dessa ausência. Teixeira filma em planos fechados, constrói essa transição entre o ser criança, e ser adulto, envolto num grau de responsabilidade ainda maior numa casa tão fragilizada. É o mundo do cada um por si, por mais que Jorginho tente preencher esse vazio, ainda que jamais correspondido totalmente. Ainda é cedo, mas Teixeira vai construindo sua carreira autoral emplacando seus filmes em mostras paralelas dos grandes festivais, levando um tipo de cinema que deveria ser mais explorado por aqui.

A Casa de Alice

Publicado: novembro 23, 2007 em Cinema
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acasadealiceA Casa de Alice (2007) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A mulher manicure, o marido taxista, o mais velho serve o exército. Há ainda naquela casa dois filhos adolescentes e a mãe de Alice, tratada basicamente como doméstica. A senhora lava, passa, cozinha e cuida dos afazeres domésticos da família, sozinha. Uma panela de pressão com claros sinais de que está prestes a explodir, excetuando a velha, ninguém é inocente nessa casa (mesmo o caçula que pelo excesso de ingenuidade carrega sua culpa).

Dentro da realidade buscada por Chico Teixeira, há além do sofrimento, brigas, infidelidades, desonestidade e mentiras. Surge alguma beleza como se aquelas almas tivessem uma visão de princípios deturpada, porém a eles aceitável em alguns pontos. O filme é de Alice, ou melhor de Carla Ribas, mas é Berta Zemel quem rouba a cena, e enquanto lava louça ou estende a roupa no varal, nos oferece alguns momentos de rara delicadeza. Numa mulher que já tanto viveu e os fins dos dias estão marcados por aquela lama que contamina a todos, humanos inescrupulosos acreditando aproveitaram-se da roda-vida da sociedade, quando na verdade mais afundam nela. Às vezes até parece um exagero de situações-limite, mas pense bem, há tanta sujeira jogada para baixo do tapete nas famílias, que no fundo, só está se explicitando o que o subúrbio paulistano (brasileiro, mundial, e não só o subúrbio) está colhendo.