Posts com Tag ‘Chloë Grace Moretz’

The Miseducation of Cameron Post (2018 – EUA)

A homossexualidade tratada, por alguns, como doença, não é novidade na história do cinema. Adaptando o livro homônimo de Emily M. Danforth, a diretora Desiree Akhavan conta sobre a jovem que é mandada para um acampamento religioso “especializado” em jovens que tenham essa propensão de atração pelo sexo oposto. Praticamente um AA para quem tem comportamentos “atípicos”.

O filme aponta a fragilidade da visão moralista que grande parte da sociedade carrega sobre a homossexualidade, e a maneira como esse grupo acredita que possa corrigir esse deslize. Passa longe de ser um coming-of-age transformador, ainda que consiga construir relações interessantes entre personagens marginalizados por essa sociedade. Akhavan não escapa muito do estigma do filme indie típico de Sundance, e pouco avança nos personagens, além da protagonista, interpretada por Chloë Grace Moretz que trafega bem entre a doçura e a solidão de sentimentos reprimidos. Bater no moralismo não é tarefa tão difícil, mas em tempos como os atuais, volta a ser mais que necessário.

acimadasnuvensClouds of Sils Maria (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Irma Vep encontra ecos de Ingmar Bergman. O prolífico Olivier Assayas reencontra a metalinguagem, a mistura de vida real/ficção, o espelho entre personagem e vida profissional de uma atriz. Maria (Juliette Binoche) é uma das grandes atrizes do cinema europeu, vive um momento delicado com divórcio, a morte do grande amigo dramaturgo e a pressão por voltar à peça de teatro que a consagrou há décadas, dessa vez no papel da protagonista mais velha.

Personagem-chave é sua assistente (Kristen Stewart) pessoal, que não só vive como companhia e babá, mas também a confronta, expõe opiniões, a ajuda nos ensaios. O texto é de grande complexidade, o confronto entre as duas se dá nos ensaios, e fora deles. Nas montanhas de Sils Maria passam nuvens que se parecem com uma cobra, entre as montanhas e a cabana a intensidade do relacionamento entre essas mulheres lembra Persona, porém regido por outros temas, por outras alternâncias.

Em seu filme, Assayas provoca a exposição na mídia de astros, as diferenças entre ser ator nos EUA e Europa, a arrogância e a futilidade, o mundo dos tabloides. Porém, principalmente, o jogo entre o jovem e o velho, a dificuldade de aceitação do envelhecimento. Jo-Ann Ellis (Chöe Grace Moretz) coloca mais lenha na fogueira das vaidades, nos confrontos femininos. Ela é a atriz que assumirá o antigo papel de Maria, a atriz do momento que debocha da mídia, que perde a linha, que enlouquece os adolescentes. Ingredientes preciosos para Assayas apimentar os dramas de Maria, expor suas vaidades e imperfeições.

Os ecos de Bergman ecoam pelas montanhas de Sils Maria, a intensidade sexual é substituída por conceitos pessoais, pela vida real que se mistura com o profissional (nisso, a assistente pessoal é a mistura da mistura), por essa vaidade de quem já tem tudo na vida e ainda tão carente.