Posts com Tag ‘Chris Pine’

aqualquercustoHigh or Hell Water (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Tem causado frisson desde sua exibição em Cannes, que culminou na consagração pelas indicações ao Oscar que obteve, inclusive para Melhor Filme. E tais elogios são bem justificáveis. Essa mistura de western contemporâneo (onde cavalos foram substituídos por carros) e road-movie melodramático, com leves pitadas de humor, é uma espécie de mergulho nessa América profunda. Exatamente essa parte do país que temos certeza que foi o colégio eleitoral de Trump.

A trama se passa no Texas, dois irmãos (Chris Pine e Ben Foster) assaltando bancos, com um propósito de garantir uma quantia específica (a fim de evitar a perda da fazenda da família). O mais cerebral e com cara de bom-moço arrependido (Pine), e o endiabrado e marginal convicto (Ben Foster no que deve ser a melhor interpretação de sua carreira). Dirigido pelo irregular escocês David Mackenzie (que já cometeu Jogando com Prazer, mas também filmes interessantes como Encarcerado, O Jovem Adam), ao mesmo tempo que apresenta uma visão de fora dos rincões dos EUA, o diretor se aproxima de algumas características fundamentais do faroeste, ainda que atualize o gênero.

Armas nas mãos, o timing dos personagens, e dos diálogos, sempre respeitando aquele ar de cidades fantasmas que tanto conhecemos so westerns antigos. As pequenas cidades texanas apresentadas como quase cidades-fantasma mesmo, há poucas pessoas nas ruas ,e nos bares, o tempo ainda parece passar mais devagar. Encarregado de investigar os assaltos é o policial (Jeff Bridges) em fim de carreira, que carrega um discurso de preconceito aos índios – quando na verdade é apenas um provocador divertido, e de enorme coração.

Como uma das boas surpresas do ano, o filme levanta a discussão sob a questão da contestação politica e a fragilizada situação econômica (na crise pré-Obama), que mergulha os irmãos desesperados nessa decisão arriscada. Levando o filme a este embate entre justiça x bandidos, enquanto busca um olhar mais humano e que justifique os atos. Não deixa de ser uma prática questionável, tentar defender criminosos, dar razão a suas justificativas, por outro lado coloca a culpa no sistema bancário, que se aproveita do consumidor refém para extorquir com seus lucros altíssimos. Talvez o final dessa história não precisasse de um embate final tão claro, com tatos pingos nos i’s. Por outro lado, é um final tão com cara de western e essa ética de pistoleiros, que um outro desfecho, talvez, até jogasse contra e deixasse menor essa critica vista por olhos britânicos.

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Z-for-Zechariah-01-630Z for Zachariah (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Primeiramente, Craig Zobel prova que não é necessário gastar milhões para realizar um filme-catástrofe. Apenas filmar algumas casas vazias, ruas sem ninguém, um supermercado abandonado e o pavor de poucos personagens com contaminação por radiação na água (por exemplo), são argumentos mais que necessários para contextualizar.

E era para ser outro filme-catástrofe, mas Zobel preferiu aproveitar do fim do mundo para criar um triângulo amoroso. No mundo que o filme apresenta, parecia só existir Ann (Margot Robbie), até a chegada de Loomis (Chiwetel Ejiofor), e no segundo ato, Caleb (Chris Pine). Todo o discurso de religiosidade, dor pela perda da família e recomeço da “humanidade” vão por terra quando o filme, finalmente, entrega o seu viés de disputa romântica, onde desejo reprimido e a falta de excrupulos culminam nos comportamentos humanos.

alemdaescuridaostartrekStar Trek into Darkness (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Com a nova configuração do cinema e J.J. Abrams na direção, o melhor mesmo é esquecer da mitologia de Star Trek, da série de TV lá dos anos 60 (que depois também virou uma franquia no cinema). Os personagens são os mesmos, algumas características também, mas, definitivamente, foram atualizados ao público atual.Lá se foi o tempo em que ficávamos tensos com um leve balançar da Enterprise.  Dito isso, o novo Star Trek funciona como um filme-de-ação-de-tirar-o-folego.

Após o desastrado primeiro filme, Abrams se concentra nas aventuras intergalácticas, e, dessa forma, fica tudo muito mais crível. Mesmo que o filme comece num vulcão em plena erupção, passando pelos absurdos da nave espacial inimiga que não detecta nenhum invasor e ninguém aparece onde eles estão. Tentando esquecer estes e outros absurdos, o ritmo mais que acelerado e a quantidade de eventos não permitem a ninguém respirar, ou perder a atenção. Entretenimento puro, Chris Pine, Zachary Quinto e cia, em altíssimas doses de adrenalina, apenas ela, a questão da mão forte intervir onde não foi solicitado passa tão despercebido.