Posts com Tag ‘Christian Petzold’

Cubra Libre

Publicado: agosto 15, 2019 em Cinema
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Cubra Libre (1996 – ALE)

Em outro filme feito para a TV, Christian Petzold filma inspirado pelo clássico noir Curvas do Destino. Personagens marginais, fotografia suja, o cineasta alemão deixa tudo muito cru enquanto retrata os encontros e desencontros de um homem e uma mulher, com um passado de mágoas e desconfianças, que ainda nutrem o sonho de fugir, com dinheiro, para Cuba. Trambiques, gangsters, chave de cofre de um banco, sexo, sangue e morte. Por meio de personagens tão encardidos, Petzold filma os sonhos de uma vida fácil, de pessoas à procura do atalho no meio de uma estrada barrenta e cheia de competidores.

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Pilots

Publicado: abril 8, 2019 em Cinema
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Pilotinnen / Pilots (1995 – ALE)

Trabalho de conclusão de curso de Christian Petzold, foi o primeiro de um total de três telefilmes que o cineasta alemão dirigiu no início de carreira. Em entrevistas ele diz que se inspirou muito em O Último Golpe, de Michael Cimino, nessa estrutura de um fora da lei mais velho e outro apenas começando. Mas, a referência a cultura americana vem de outra forma em sua estreia, na tv e no rádio a noticia da morte de Frank Sinatra, filmes e músicas a todo o momento, as mulheres lamentam a morte do galã.

A trama gira em torno de duas mulheres, vendedoras externas de uma empresa de cosméticos (Blue Eyes, coincidência ou Sinatra novamente?) viajando pela Alemanha a fim de bater as metas de vendas. Rivalidade acirrada pelo emprego entre a mais jovem e a experimente é a tônica da primeira fase da trama. Promiscuidade e ganância competem com desesperança e a submissão feminina. Não se poderia esperar que toda a disputa e humilhações entre as mulheres a levariam a segunda parte da trama, uma espécie de fuga à Bonnie & Clyde (mas sem que exista relação  sexual entre elas).

Petzold já emprega os primeiros sinais do que usaria na narrativa para realizar seus melodramas mais recentes, mas aqui bem num estilo bem mais cru. Pouco a pouco o capitalismo se torna um dos grandes vilões da história (o outro é obviamente o chefe/amante, que representa a figura masculina opressora que se impõe através do seu poder), o que une as mulheres que viviam sob ódio mortal. O sonho de enriquecer, de mudar para Paris, mas mesmo a proximidade ainda guarda resquícios da rivalidade e da visão vulgar da amiga/oponente.

Transit (2018 – ALE) 

O perído histórico não está bem definido, mas fica claro que vem muito depois do que conhecemos como o fim da Segunda Guerra Mundial. Uma França ainda ocupada pelos Nazistas. O novo melodrama do alemão Christian Petzold faz um paralelo entre àquela caça aos Judeus e a atual contra os imigrantes. Novamente com seu estilo sutil e delicado, onde cada plano oferece charme e requinte.

São personagens com dramas que se entrecruzam, uns que esperam alguém (a esposa, o marido) para fugirem, outros que tenta regularizar os papéis para conseguirem permissão para partir. Nesse contexto Petzold narra histórias de amor, carnais ou não, outras com interesse, mas, sobretudo histórias de amor. E sob sua narrativa peculiar e hipnotizante acompanhamos as idas e vindas de personagens, as expectativas de desventuras. Petzold trazendo questões atuais e urgentes, sem perder sua linha autoral, num dos grandes filmes do ano. Nos resta lamentar que seus filmes não tem conseguido espaço nos cinemas brasileiros.


Festival: Berlim 2018

Mostra: competição principal

Os meus 25 filmes favoritos do ano de 2015. O critério é o mesmo do ano passado, filmes vistos ao longo do ano, e que foram produzidos até 2 anos atrás (portanto, limite é 2013). Eles formatam, na visão deste blog, o melhor do panorama do cinema, com toda a subjetividade que uma lista dessas possa ter. E, novamente, o top 10 comentado tenta captar um pouco da percepção sobre estes filmes e sobre o cinema contemporâneo.

assassina

  1. A Assassina, de Hou Hsiao-Hsien
  2. Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
  3. Hard to be a God, de Aleksey German
  4. Carol, de Todd Haynes
  5. Noites Brancas no Píer, de Paul Vecchialli
  6. Diálogo de Sombras, de Jean Marie-Straub e Danièle Huillet
  7. Phoenix, de Christian Petzold
  8. As Mil e Uma Noites: Volume 1 – O Inquieto, de Miguel Gomes
  9. Sniper Americano, de Clint Eastwood
  10. Spotlight, de Tom McCarthy
  11. O Tesouro, de Corneliu Porumboiu
  12. O Ano Mais Violento, de J. C. Chandor
  13. Três Lembranças da Minha Juventude, Arnaud Desplechin
  14. O Peso do Silêncio, De Joshua Oppenheimer
  15. Vício Inerente, de Paul Thomas Anderson
  16. Son of Saul, de Laszlo Nemes
  17. A Terra e a Sombra, de César Augusto Acevedo García
  18. Os Campos Voltarão, de Ermanno Olmi
  19. A Vida Invisível, de Vitor Gonçalves
  20. Um Amor a Cada Esquina, de Peter Bogdanovich
  21. É o Amor, de Paul Vecchialli
  22. 45 Anos, de Andrew Haigh
  23. Mountains May Depart, de Jia Zhang-ke
  24. João Bérnard da Costa: Outros Amarão as Coisas que Eu Amei, de Manuel Mozos
  25. Aferim!, de Radu Jude

 

A lista deste ano parece ter no amor, e na inquietude, suas vozes mais presentes. São filmes, que em sua maioria, tentam falar mais intimamente com seu público, causando reflexão ou estabelecendo conexão com o que esses corações possam reverberar. O amor é determinante no grande filme do ano, o aguardado e deslumbrante retorno de Hou Hsiao-Hsien. Tanto ele, quanto o lindo romance feminino de Todd Haynes, ofuscaram o fraco vencedor da Palma de Ouro, com narrativas sofisticadas e visualmente hipnóticas. O amor como uma âncora que afasta os protagonistas dos caminhos trilhados, a eles, pela sociedade. Num tom muito semelhante também esta o drama-romântico, do alemão Christian Petzold. Com o provável melhor desfecho do ano, seu filme vai de Fassbender a Hitchcock, quando trata genuinamente do amor e seus impactos.

Se Paul Vecchiali flerta com o cinema experimental, e adapta Dostoiévski, com seus dois personagens em encontros notívagos sobre vazios existências dos corações, o média-metragem de Jean Marie-Straub e Danièle Huillet versa sobre amor, religião, e até o tédio. Vecchiali tem o mar ao fundo, a dupla francesa o local bucólico. E em tons bem diferentes, ainda que com a semelhança do tom teatral, ambos filmes vagueiam entre o racional e o irracional.

O de Clint Eastwood está entre o amor e a inquietude. O apego à família e à pátria, e a inquietude causada pela guerra são temas latentes nesse drama de soldado. Como um todo, a trilogia de Miguel Gomes decepciona, ainda que tenha sido tão elogiada em Cannes, porém, exibidos em separado nos cinemas, o primeiro volume demonstra a força da inquietude por meio de críticas corrosivos ao cenário político português, em tom de humor debochado.

Aleksei German e George Miller criam (ou retomam) visões futuristas do caos regido pela irracionalidade. Miller e seu espantoso retorno a saga Mad Max beira a unanimidade, com surpreendentes chances reais no próximo Oscar nessa ventura alucinante pelo deserto pós-apocalíptico. Já o veterano russo recria a Europa feudal, lamacenta e exasperante, tendo na inquietude visual a grande desconstrução de seu protagonista semi-Deus.

O patinho feio da lista é o filme independente sensação da corrida ao Oscar. Mais do que um filme-denúncia, sobre acusações de pedofilia de padres católicas, Tom McCarthy realiza um empolgante estudo dos caminhos da imprensa investigativa.

 

E encerrando, os meus 10 filmes favoritos dentro do circuito comercial de 2015, sempre atrasado arrastando filmes que já estiveram no top do ano passado.

  1. Norte, o Fim da História, de Lav Diaz
  2. Mad Max: Estrada da Fúria, de George Miller
  3. Noites Brancas no Píer, de Paul Vecchialli
  4. O Conto da Princesa Kaguya, de Isao Takathata
  5. Phoenix, de Christian Petzold
  6. As Mil e E Uma Noites: Volume 1, O Inquieto, de Miguel Gomes
  7. Dois Dias, Uma Noite, de Jean e Luc Dardenne
  8. A Pele de Vênus, de Roman Polanski
  9. Acima das Nuvens, de Olivier Assayas
  10. Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan

Barbara

Publicado: novembro 30, 2012 em Cinema
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barbaraBarbara (2012- ALE)

O filme não engata, a direção elegante de Christian Petzold, escondendo mais do que necessário para que o público possa preencher as lacunas, não permite que a história vá além de uma arredia médica (Nina Hoss) contrariada com seu novo posto de trabalho e louca para migrar para o lado ocidental da Alemanha. A vida nos anos 80 da Alemanha Oriental, um médico tentando seduzi-la e uma estranha ligação com alguns pacientes, sobra elegancia no trato e falta contundência e paixão numa trama que pretende falar de política velada e deixar tudo para que os sentimentos decidam o caminho da protagonista.