Posts com Tag ‘Christina Hendricks’

demoniodeneonThe Neon Demon (2016 – EUA/DIN/FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

De novo queridinho do cinema (com o sucesso de estilo de Drive) a decepção retumbante (Só Deus Perdoa), muitos esquecem que Nicolas Winding Refn tem alguns filmes antes de Drive. Mas, é fato que seu nome ganhou fama internacional ali, e por isso as comparações tenham esse como principal ponto de controle. Novamente presente na competição principal em Cannes, seu filme era aguardado como uma incógnita e o filme tem presença forte dos seus dois últimos filmes mesmo, apontando para um caminho que refn está solidificando.

O uso das cores e o exercício estilístico da imagem são definitivamente a característica mais forte dessa fase da carreira de Refn. Algumas das cenas são deslumbrantes, com luzes estouradas, ou com fundos que confundem o que é chão, o que é teto, verdadeiros jogos hipnótico de ótica. E o cineasta também não tem nenhuma preocupação em parecer cheio de referências a outros cineastas, é facilmente perceptível um clima futurista de Lucy ou Ex-machina, aliado a violência gráfica de filmes de Park Chan-wook, e boas doses da excentricidade de David Lynch, tudo bem localizado dentro da estética de Refn.

A narrativa vaga pelo abstrato, mas tem foco bem claro em seu tema. A jovem Jesse (Ellen Faning, tão enigmática quanto o filme pretende ser) chega a Los Angeles para tentar a vida de modelo. Ali encontra um mundo doentio e cruel, o lado mais egocêntrico e narcisista, a competição desenfreada e a inveja, lado a lado com o culto a beleza. Relações vazias e promíscuas, o sexo como jogo de poder e sedução. Nada de novo no mundo da moda, mas com essa roupagem hipnotizante, enigmática, que circula pelo mistério e a insegurança.

 

osubstitutoDetachment (2011 – EUA)

Professor substituto por opção (Adrien Brody), por não desejar criar vínculos muito fortes, espécie de trauma de infância que o filme tenta resolver numa relação com o avô, vai parar numa sala de aula com alunos violentos.

É o mote para o diretor Tony Kaye espalhar discursos sobre a vida, escolhas e conduta, citando grandes autores, enquanto imagina estar refletindo a juventude negra e pobre americana. Fazendo uso de um personagem que praticamente se coloca acima do bem e do mal, vive sem conforto e sem relacionamentos, mas parece ter o discurso certo, na ponta da língua, para enfrentar alunos, drogados e até uma enfermeira de plantão.  É muita atitude e pouca dramaturgia, ao tentar ser um filme, só consegue discursos panfletários e bom mocismo fora do comum enquanto choca com situações “extremas”.