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Plaire Aimer et Courir Vite / Sorry Angel (2018 – FRA) 

Christophe Honoré, normalmente, se sai melhor quando trata do amor do que em outros temas. Seu grande filme continua sendo Canções de Amor, e a magia de ser pop e plural, de tratar esse amor de quem gosta de pessoas, e não de gêneros. Seu novo filme se equilibra em certa irregularidade, em conjunto de situações que criam cenas e diálogos que representam melhor o que o cineasta almeja sensibilizar, do que o simples acompanhar uma história.

Há algo de lúdico no maduro autor de teatro, sofrendo com a AIDS, e que encontra um jovem cheio de vitalidade em descobrir a vida, em viver um romance. Talvez o lúdico esteja na mistura de refinamento social,  e sua forma de empregar seu lado culto como um conquistador. Dessa forma honesta e aproveitadora que ele estabelece amizade com o vizinho, que mantém seus relacionamentos profissionais, que cuida do filho, e que causa atração do jovem interiorano apto a se abrir ao mundo.

Por isso tudo que o título original condiz muito com o protagonista, através de encontros ou telefonemas, conquistar, amar e viver intensamente parece um mantra, mas funciona melhor para resumir esse protagonista que parece inquebrável para alguns, mas tão frágil em outros momentos. Afinal, somos assim, mostrando fortalezas e fragilidades, vivendo nessa busca incessante pelo prazer, pela felicidade, ou por viver aquele momento como se fosse o último.


Festival: Cannes 2018

Mostra: Competição

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Les Bien-Amiés (2011 – FRA)

Num primeiro momento pode parecer que Christophe Honoré foi buscar em seu musical anterior uma forma de apagar o fracasso de seu último filme, afinal a parceria com Alex Beaupain se repete, assim como alguns dos atores que também estiveram em Canções de Amor, além dessa mistura de relações amorosas entre heteros e homossexuais. Os planos de Honoré eram mais audaciosos, narrar a vida de mãe e filha por mais de cinquenta anos de história, entre França, Tchecoslováquia, Londres e Montreal. A mudança mais drástica é no tom, se Canções abusava (inteligentemente) da leveza, com um toque de pluma nos tabus, esse drama-musicado vem com o peso. Peso da Segunda Guerra, o peso de mulheres marcadas pelo sofrimento, e o peso de um roteiro que almeja caminhos diferentes dos usuais a seus personagens.

Se largamos mão nesse placebo que o filme se apresenta, temos apenas dois triângulos amorosos, é a vida da mãe refletindo na da filha. Se a mãe era uma puta que viveu entre o médico tcheco e o guarda frances, a filha se divide entre o professor (colega de trabalho) e o músico americano. Honoré busca, de todas as formas, complicar essa simples equação, porém seus personagens são tão egocêntricos, que o filme se cansa da luta ingrata de deixar de orbitram a volta deles, e se entrega a seus personagens de forma quase desinteressante. Onde está a leveza, Honoré? Ela era seu trunfo, deixe de fugir de uma de suas marcas pessoais.