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oinformanteThe Insider (1999 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Um filme sobre grandes corporações e seu poder além das leis, o lobby das grandes indústrias de tabaco, a falta de lisura da imprensa quando atingem seus interesses comerciais. Tenho essa impressão, de que você não entendeu nada do filme, se acredita que são estes seus temas. Uma impressão ofensiva, a bem da verdade, mas o filme de Michael Mann se apresenta tão rico em camadas que tornar as subtramas complementares seria como torná-lo um drama moral e quadradinho.

Há um embate forte entre dois personagens complexos: o executivo (Russel Crowe) e o jornalista (Al Pacino). Cada um deles carrega sua carga ética, e seus interesses próprios. Por isso que, mesmo jogando do mesmo lado (se é que se pode dizer isso), há tantas cenas de embate entre eles. Discussões, acusações e argumentações. No fundo eles querem a mesma coisa, a entrevista bombástica que traria a tona verdades da saúde pública. Porém, há meandros, interesses e desconfianças, A relação de confiança parece prestes a ser quebrada, e o jogo é este, mantê-la inquebrável.

O jogo de tribunais entre corporações envolve tabagistas e jornalistas, Mann tem esse poder de manter as coisas grandes como subtramas imprescindíveis, mas de dar valor as pequenas relações (afinal, são elas que perfazem os acontecimentos). Seja as discussões entre jornalistas (nisso, afigura de Christopher Plummer é essencial), seja no peso da situação financeira confortável ruir frente as verdades que o executivo demitido estaria prestes a expor. Mann cria o clima exasperante, o suspense em sua forma mais acolhedora e claustrofóbica, pelo âmbito psicológico. Tudo tão imperfeito quanto real, tão eloquente quanto assustador. Nos planos fechados na casa do jornalista, ou nos planos abertos que amplificam o poder da dúvida do executivo, tudo tão pensando, quanto milimetricamente realizado para ser esse filme que te sufoca a ponto de não ser mais tão importante a tal verdade, e sim os mecanismos que marcam os bastidores de uma matéria polêmica.

Beginners (2010 – EUA)

Já na primeira cena sacamos que Oliver (Ewan McGregor) está em crise, uma espécie de tristeza profunda. Aparentemente está sozinho a pouco tempo, e agora descobre que seu pai (Christopher Plummer, em papel divertido  e sutil) está com câncer. Aliás, a pouco tempo, o pai assumiu-se gay. São nesses pontos que o diretor Mike Mills vai trabalhar, por um lado a relação pai-filho e doses de superficialidade nessa questão “gay” colocada. Tema contraponto para a comédia romântica que se desenha, quando, entra em cena, a faceira e altiva Anna (Mélanie Laurent, iluminada).

Não espere nada além de cenas contemplativas de seu filho redescobrindo o pai, e cenas de um amor surgindo, de um relacionamento se formando. McGregor tem olhos muito expressivos, mas é em Anna que está qualquer brilho que possa ser enxergado aqui. Sem as loucurinhas afetadas de algumas comedias românticas consagradas, ela transmite uma espécie de euforia automática. Sim, eles correm pela rua, ou andam de patins como duas crianças num corredor de hotel, mas, há, naquela personagem, algo dessa irresponsabilidade romântica que se faz soar verossímil.

The New World (2005 – EUA) 

O melhor do filme de Terrence Malick está no primitivo. Ninguém melhor do que ele soube dar ao público a sensação de descoberta, de invadir a mata virgem e selvagem. E o público totalmente desprevenido do que os olhos irão avistar. Longos planos pela paisagem, sobre rios e lagos, dentro da floresta intacta. São momentos contemplativos, imagens a se admirar, um espetáculo fabuloso de cores, formas e sensações. Chegamos ao novo mundo.

Uma expedição aporta em 1606 em Virginia, a fim de povoar o lugar. Confronto com os nativos, falta de mantimentos, a proliferação de doenças, brigas internas pelo poder, são inúmeros os problemas enfrentados pelos homens enviados pela monarquia britânica. O Cap. Smith é capturado pelos nativos, e ao invés de ser sacrificado passa a viver com os índios e aprender seus costumes, a filha preferida do cacique apaixona-se por ele. Temos aí a lendária história de Pocahontas.

Esse mistério sobre o incógnito, promovido por Malick, instiga o efeito de nos fazer viajar pela imaginação. Deixemos um pouco de lado a idéia de reconstituir fatos e celebrar nomes, e passemos a saborear o prazer de se embrenhar pelo desconhecido, vislumbrar a natureza em sua forma mais pura. O cinema de Malick mostra-se muito mais forte por sua forma do que pelo contexto, aliás, quando o filme perde um pouco dessa contemplação da natureza e passa a concentrar-se na história desse amor desfragmentado é que tudo passa a ser levemente maçante. Mesmo mantendo sua forma, os olhos não se interessam tanto por aqueles sentimentos patinando, o romantismo escorrendo, o bom-mocismo, e as vozes em off que teimam em tentar explicar desnecessariamente a alma de seus personagens.