Posts com Tag ‘cinema independente americano’

A Little Closer (2011 – EUA)

Detesto esses filmes que suavizam seus dramas de tal forma que eles valem apenas por um momento. A câmera registrou? O público entendeu? Ok, vamos para a próxima filmagem. Mais um desses filmes independentes americanos sobre familias em crise, as aguras dessa vida provinciana e com tantas limitações financeiras. A mãe solteira com dificuldade de criar os filhos adolescentes, a carencia que a solidão de não ter um homem a seu lado na cama, os filhos descobrindo o sexo e as primeiras experiências profissionais, e ainda por cima um acidente causando um drama mais pesado nessa família unida e trincada. O diretor Matthew Petock trabalha muito com planos fechados (como o próprio título poderia sugerir), faz aquele ar de proximidade com os personagens, ar de melancolia, atmosfera rala desse cinema de baixo orçamento que desembestou em filmar compulsivamente.

Terri (2011 – EUA)

A mesmíssima fórmula de sempre, Azazel Jacobs não muda uma vírgula dos clichês do contemporâneo cinema independente americano. Estão lá a trilha indie agradável, os personagens loser, a sensação profunda de solidão, um estado de letargia. A idéia é sempre aquela, nos identificar, ou pelo menos, a empatia. Terri (Jacob Wysocki) é um garoto gordão vivendo sob os cuidados de um tipo doente. Os pais, sabe-se lá onde estão. Se você tinha uma colega de classe obeso na sua classe sabe bem o tipo de relação, o quanto são zombados e colocados à margem das relações pessoais. Não é um panorama muito sadio para um adolescente. Eis que surge o vice-diretor (John C. Reilly) querendo ser amigo do garoto, um conselheiro (aos poucos enxergamos outro loser, só que em fase adulta).

A linguagem metida a esperta, a melancolia esperançosa de cada take, no decorrer da história a questão sexual torna-se o assunto principal, Terri desenvolve amizade com um garoto endiabrado e uma linda jovem com hormônios empolvorosos. Depois de tantos clichês e das lições de moral do vice-diretor, por caminhos “tortos”, finalmente o filme ganha o ar da questão jovem propriamente dita, brincando com a curiosidade, os desejos e o ímpeto da adolescência.

 

Win Win (2011 – EUA)

O cineasta Thomas McCarthy vem com o selo carimbado como um dos destaques da atual cena de cinema independente americano (que há pouco tempo parecia a salvação e agora já apresenta sinais de desgaste evidente, principalmente dos personagens losers), demorei a conhecer seu trabalho (antes ele realizou os elogiados Agente da Estação e O Visitante). E, pelo menos, neste novo trabalho não há nada de especial, apenas mais um filme dessa grife indie com personagens longe de serem vencedores. McCarthy deixa de lado as esquisitices, mergulha na família de um advogado (Paul Giamatti) praticamente falido, que ao tomar uma decisão, aparentemente inofensiva, ganha de presente um adolescente de 16 anos fugindo da mãe viciada em drogas.

Com uma óbvia conotação para a lição de moral, a narrativa segue óbvia e divertida, o suposto deliquentemente finalmente vivendo dias entre uma familia comum até que se descobre que o garoto é um prodígio lutador (cujo advogado é treinador e dedica suas horas vagas). Pronto, está formada a conexão, a história já tem o mote para unir o amargor da vida de cada um dos protagonistas e coadjuvantes, enquanto se preocupa com a ética e os bons costumes, com os exemplos e as decepções. É mais do mesmo, mas tem um gostinho doce no fundo.

 

Please Give (2010 – EUA)

O cinema independente americano não consegue perder essa mania de retratar apenas loser, se bem que Nicole Holofcener não nos traz aqueles personagens esquisitos, em seu filme são pessoas comuns com seus dramas corriqueiras, mas ainda assim são losers, tristes, solitários dentro de seu convívio familiar e social (se bem que o mundo não se sente assim realmente?).  São diversos os temas que essa meia dúzia de personagens tenta retratar, desde coisas positivas como o amor e o início de um relacionamento, até comportamentos menos “aceitáveis” como adultério e frieza absurda.  A culpa que carregam as bondosas Rebecca (Rebecca Hall) e Kate (Catherine Keener) não podem ser explicadas, elas praticamente atraem todos os comportamentos negativos dos a sua volta e canalizam em bondade e doçura, penalizam-se até pelos erros que não comete, é um peso que as mantém inertes em suas vidas e com quase nenhum fio de esperança de se achar uma saída que as tire dessa situação cíclica.