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The Greatest Show on Earth (1952 – EUA)

Não espere nada além da falácia de Cecil B. DeMille em dar grandiosidade (ao show que à época era majestoso) a todo esse universo circense retratado de forma coadjuvante. Sim, estamos dentro do picadeiro, ou melhor, na longa temporada por tantas cidades, no processo de monta e desmonta, viagem, animais, e o risco de cortes de orçamento caso não haja lucro. Tudo purpurina, DeMille quer mesmo brincar com o triangulo amoroso entre workaholic chefão da companhia (Charlton Heston) e dois trapezistas, o Grande Sebastian (Cornel Wilde) e a bela em ascensão (Betty Hutton). Entre cenas no trapézio de tirar o folego e a lenga-lenga amorosa enquadrada perfeitamente no mundinho cor-de-rosa do cinema de Hollywood dos anos 50, temos um personagem misterioso, rico em nuances, certo palhaço que nunca tira maquiagem (James Stewart), e nele enxergamos um mundo diferente, onde as relações humanas são observadas como cruéis enquanto devolvem singeleza, onde é possível enxergar onde os problemas vão parar, mesmo que não se envolva a eles, e onde a pureza do amor pode significar atitudes questionáveis. O circo, o triangulo amoroso, são o mundo de DeMille, já o discreto palhaço é o verdadeiro filme.

O Palhaço

Publicado: novembro 15, 2011 em Uncategorized
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 (2011)

“Tô cansado” “De quê?” “De tudo”, esse simples diálogo quase resume o filme. Mas, você, que já tem meia dúzia de histórias para contar nessa vida, já sentiu (ou sente diariamente) essa sensação melancólica de que está tudo errado, de que os caminhos que a vida te levou não são os que você deveria ter seguido, que no fundo “tá tudo errado mesmo”? Se não, sinta-se um grande privilegiado, você é minoria, porque o que mais se você nessa vida é gente carregando essa desilusão, e o peso do “se” pairando sobre os ombros. E o novo trabalho como diretor de Selton Mello pega emprestado o mundo do circo, mas quer mesmo é tratar desse quê deprimido enraizado em tanta gente. O filme traz essa melancolia nata, esse sorriso amarelo de um palhaço que faz tanta gente rir, e quem vai fazê-lo sorrir?

Um filme divertido, afinal é o mundo do circo, não faltam apresentações para Selton e Paulo José mostraram seus dotes de comediantes (até um momento quero ser Chaplin num caminhão de bóia-fria), mas por trás há toda a rotina quase miserável de uma trupe circense cruzando o interior do país, apenas sobrevivendo. Dentro dessa atmosfera sem perspectivas, sem esperança, surge o cineasta Selton tentando se encontrar, sua meta é clara, aproximar o artístico do popular, sua narrativa é simples, quase em tom de fábula, ainda assim busca cenas que vão além da ação, tenta trazer o reflexivo, almeja a poesia. Porém, seu filme é limpinho demais, tudo muito singelo, muito delicado, seu olhar é realmente carinhoso com tudo e todos, falta a sensação de suor, o cheiro de terra. É um filme cheio de boas intenções, realmente engraçado e capaz de se enxergar na tela como metáfora daquele palhaço em busca de sua real vocação (assim como estamos quase todos nós, não?).