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Una Pistola en Cada Mano (2012 – ESP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Como é ser homem, atualmente, e viver na faixa dos 40 anos? Que tipos de aflições e medos, dramas e dúvidas, qual o conforto financeiro e as relações amorosas que vivem? Aquele clima de filme coletivo, estilo Paris, Te Amo, com histórias curtas, um quê de comédia, e um elenco de chamar a atenção.  Se o filme não sofre da uniformidade resultante da mão de vários diretores, o cineasta Cesc Gay pouco de interessante consegue agregar, seja pelas histórias banais e nada inspiradas, seja pela abordagem primária.

oquefalamoshomens2Dos que voltaram a morar com os pais, aos que tentam uma escapadinha fora do casamento, ficamos mais atentos apenas à aparição de Javier Cámara na agridoce história do homem que se divorciou e tenta reatar com sua esposa. E, principalmente, ao encontro de Ricardo Darín e Luis Tosar, o traído que seguiu a esposa à casa do amante e o amigo que confunde o nome das namoradas e do cachorro. As demais são muito apagadas, e pecam por um grau de veracidade sem brilho, como se fossem histórias que sequer merecessem serem contadas. Os 8 homens não representam a gama masculina dessa faixa etária, e nem conseguem trazer vidas pitorescas ao público.

maradentroMar Adentro (2004 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O aspecto que mais chama a atenção, na decisão de Ramón Sampedro (Javier Bardem), é a convicção. Em nenhum instante paira a dúvida sobre seu maior anseio. É compreensível, foram vinte e oito anos presos, numa cama, necessitando de auxílio de amigos e familiares para as mais simples atividades. Sentimento de estorvo. Ramón faz questão de deixar claro que não está julgando outros deficientes, mas ele não tem mais vontade de viver. Morrer com dignidade é seu lema, e o filme mostra a luta na justiça, para que sua morte seja feito dentro da lei, sem que alguém possa ser responsabilizado. Eutanásia, assunto delicado.

Para caminharmos pela vida do poeta, é inserida na história a advogada Julia (Belén Rueda), e por meio de suas perguntas, mergulhamos no passado e na melancólica vida de Ramón. Dificilmente a câmera de Alejandro Amenábar é estática, quando fora do quarto de Ramón. Essa sensação de movimento destoa, ainda mais, da impossibilidade de liberdade do personagem. A música pontua cada passagem melodramática, quase sufocando a voz dos personagens, seu exagero é eficaz e cansativo. Javier Bardem é intenso do início ao fim, sempre na medida certa, faz de sua atuação, a nobre razão de existir do filme. Pouco se tira quando ele não está em cena. Mas nesse pouco, há coisas de grande valor, como a surpreendente atuação de Mabel Rivera (como cunhada de Ramón). É dela a cena de maior emoção, sem pieguice, quando a pacata senhora estoura sobre o padre.

Os enlaces amorosos soam burlescos, dando um tom emotivo, e ainda mais desnecessário quando as discussões deveriam concentrar-se na eutanásia, e na situação familiar com todas essas circunstâncias. Fico imaginando a cabeça de alguém em situação parecida, quantas emoções e reflexões um filme como esse podem trazer, vibrações negativas ou alguma lição que traga ainda mais desejo de viver? No mais encerro com o pai constatando uma cruel realidade; pior do que ver um filho morrer é um filho que deseja morrer.