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Blood_TiesBlood Ties (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Em 2008, Guillaume Canet foi um dos protagonistas do thriller policial frances Les Liens du Sang. Agora, pela primeira vez dirigindo nos EUA, ele decidiu por um remake, dessa vez ficando atrás das câmeras. Seu filme resgasta o Brooklyn nova-yorquino dos anos 70, e Canet teve ajuda de James Gray no roteiro (um de seus filmes tem temas bem semelhantes).

Os carrões, as roupas estilosas, e uma familia em pé de guerra pelos irmãos em lados opostos da lei. Fank (Billy Crudup) é policial, e Chris (Clive Owen) saindo da penitenciárias após alguns anos de cana. Por mais que boa parte do início seja sobre adaptação, após a prisão, como emprego e manter-se longe do crime, o foco é mesmo a explosiva relação familiar. Pai (james Caan), irmã (Lili Taylor) e os dois irmãos, perdão,orgulho e união.

Chris tem sua vida antes da cadeia, filhos e a ex-esposa (Marion Cotilard) e a nova namorada, Natalie (Mila Kunis). Frank também tem seus problemas amorosos com Vanessa (Zoe Saldana) e outro delinquente com quem ela vive (Matthias Schonaerts). O jantar de Ação de Graças que vira uma guerra interna, o Natal com a polícia à procura de Chris, parece que não há paz naquela família, que o passado e presente formam uma dissociação imutável.

Muitos críticos reclamam que o filme é lento, demora a engrenar. Trata-se dessa carga dramática, do peso dos atos, do passado, e remorso. Esses sentimentos movem os personagens, essa lenga-lenga é a chave para a fase final e o final apoteótico. Canet filma de forma vibrante. Tiroteios, brigas, a reconstituição flamejante da década. E, perto do fim, quando os personagens mostram seus sentimentos derradeiros, é que essa carga dramática se mostra mais que justificável, e a sequencia final ainda mais representativa.

Hemingway & Gellhorn (2012 – EUA)

É com muito pesar que faço a comparação, mas ela não me sai da cabeça. O filme de Philip Kaufman mais parece um novo capítulo de As Minas do Rei Salomão e coisas do gênero, com um tipo aventureiro e uma loira que entra com ele nas aventuras. Ok, sem as doses de sequencias de ação ou de canibais, mas o espírito é o mesmo.

A ideia é a história de um romance, dos escritores Ernest Hemingway (Clive Owen) e da corajosa Martha Gellhorn (Nicole Kidman). Engajados, eles acabam na Guerra Civil Espanhola, como correspondentes estrangeiros ou interessados em escrever um novo romance (e também, viver entre eles um romance que está nítido desde a cena do bar). Kaufman perde o contexto histórico, a guerra explode pelas ruas, a presença bélica é maciça, mas o interesse do diretor é outro, o de promover a tensão entre o casal, cenas provocativas, muitas vezes insonsas.

O ápice do brega nessa produção da HBO é a cena de sexo durante o bombardeio. Mas, o filme pretende ser sério, traz uma Gellhorn recontando os fatos nos dias atuais com tom sisudo, enquanto o casal Hemingway e Gellhorn vive de amores e disputas pessoais e desfilam pela tela nomes importantes da cultura e da disputa militar espanhola.

pertodemaisCloser (2004 – EUA/RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

De um lado duas norte-americanas, de outro, dois ingleses, o palco é Londres. Paixões, infidelidades, jogos sexuais. Um tal de idas e vindas, trocas e re-trocas de casais, ao longo do tempo. Discutir relacionamento, expor desejos sem recriminação, saber detalhes sórdidos das relações, notar o momento em que o amor é pulverizado como pó. Sem contemporizar nesse jogo do amor, todos partem com o coração aberto despreparados para perder, as palavras variando entre o sincero e o dissimulado, porém sempre prontos para contra-atacar fulminantemente.

Em seu filme de estréia (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?) Mike Nichols conduziu com primor os diálogos interpretados com maestria por Richard Burton e Elizabeth Taylor, diálogos que possuíam uma acidez vibrante, cada qual buscava desestabilizar moral-psicologicamente ao outro numa disputa torturante. Perto Demais sonha em alcançar algo parecido, é também adaptação de uma peça teatral e onde o filme anterior mais possuía méritos é que este peca vertiginosamente. Os diálogos mais parecem jograis ensaiados onde cada personagem tem na ponta da língua a resposta sem raciocinar muito. Numa falsa honestidade atingem um ao outro de maneira leviana, expondo sentimentos, e abusando de detalhamentos sexuais. Essa artificialidade passional quebra a credibilidade das palavras proferidas por cada personagem.

O filme é basicamente falado, e pouco sentido (emocionalmente), detalhes minuciosos dos casos extraconjugais são narrados pelos próprios amantes, nunca assistimos a estes momentos, o filme prefere que seus personagens narrem fatos causando a torturante sensação da imaginação. Imaginação essa desnecessária, já que de tão detalhados, pouco se tem a imaginar sobre cada momento. E a dor do traído, o possível arrependimento do traidor? Nada disso merece cuidado, talvez pelas preguiçosas e nada contundentes interpretações de Julia Roberts e Jude Law, talvez pela excessiva carga de personalidade dissimulada no quarteto. Se bem que Law consegue criar um lado de seu personagem, um tanto maquiavélico, mas ele não sabe amar em cena, a maior parte de suas aparições parecem comida de doente, sem sal.

Há cenas entre Natalie Portman e Clive Owen mais atrativas. Toda a seqüência no clube é vivida com efervescência, jorrando sensualidade por parte de Portman e libido por parte de Owen. O trabalho de câmera, o sincronismo entre os atores, nem parece o mesmo filme em que desfila a outra dupla superstar. Clive Owen é bruto, correto na excessiva carga rude de ser, Natalie Portman não só rouba o filme como convence sua vítima a não requerer o que foi roubado, espetacular dos pés a cabeça, do início ao filme, vai de frágil a fatal chegando ao vil sem a menor força.