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The Beguiled (2017 – EUA) 

Ao descobrir o filme anterior, quase uma alegoria erótica masculina, dirigido por Don Siegel, em 1971, era de se esperar uma versão cujo o lado feminismo criasse outra leitura para a trama. Afinal, a carreira de Sofia Coppola tem essa vitalidade de trazer o ponto de vista feminismo ao cinema, coisa tão rara, infelizmente. A possibilidade dessa oposição é tentadora.

E realmente, Sofia dá seu toque de feminilidade. E o que, muito provavelmente, não é o que se esperava em tempos de “empoderamento”. Suas opções são sutis, porém definitivas. O estranho de seu filme (Colin Farrel) é mais dúbio, enquanto que quase todas as mulheres são colocadas como joguetes atraídas, pouco se conhece individualmente de cada uma delas. O clima de tensão, quase um filme de terror, ainda que exista, é suavizado. É uma visão mais romântica de um intruso que mexe com a libido de todas, e por mais que a versão anterior fosse machista, essa perde a oportunidade de diferenciar suas personagens, as tornando apenas escravas de uma possível escolha.

Talvez, o ideal fosse tentar não comparar os filmes, por mais impossível seja para quem o viu. Ainda assim, olhando para tudo que Sofia construiu até hoje, parece mais um filme preocupado com reconstruir vestidos, adereços e ambientes, do que explorar seus personagens, seja na questão da Guerra Civil que eclode fora daquela casa, seja na tensão sexual competitiva que enlouquece mulheres tão recatadas e imaturas. Quem mais se destaca é Nicole Kidman, que em sua caricatura entre equilíbrio, seu interesse e senso de justiça próprio, conduz o destino de cada um dos personagens, entre delicadeza e algum toque de brutalidade.

thelobsterThe Lobster (2015 – RU/GRE/FRA/HOL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A sociedade chegou a um ponto em que ser solteiro não é mais uma opção. E que os casais precisam de uma forte característica comum para que a união se estabeleça firmemente. Essa é a nova proposta bizarro-provocadora de Yorgos Lanthimos. O cineasta grego se sai bem melhor em seu primeiro trabalho internacional, do que nos anteriores (Dente Canino, Alpes) realizados em sua terra natal. Ele ainda parte do inverossímil e navega pelos mares do incomodo, mas dessa vez encontrana metáfora uma crítica mais contundente, sob uma sociedade feroz e excludente a ponto de eliminar os que não se em encaixam na configuração dessa sociedade.

Um hotel recebe os solteiros que estão no fim da linha para encontrar seu par, caso não consigam até o prazo estabelecido, eles se tornarão um animal. O protagonista é David (Colin Farrel), que acaba de chegar ao hotel e já decidiu pela lagosta, caso não obtenha sucesso em sua cruzada amorosa. A primeira metade do filme narra o ritmo dos hóspedes, as regras, as caçadas aos dissidentes num bosque. É a prepraração que deixa claro o grau de violência e frieza que alguns níveis da sociedade atingiram.

Na segunda parte o foco são os que desistiram do processo, e agora vivem como rebeldes, no meio do bosque. É uma outra sociedade, pretensamente mais libertária, mas ainda assim cheia de regras e limitantes. Nasce um caso de amor, proibido, e Lanthimos trata da sobrevivência desse relacionamento, e das consequências de vivê-lo. De longe, essa segunda parte é seu melhor trabalho no cinema até aqui.