Posts com Tag ‘Colin Firth’

Absolutely Fabulous: The Movie (2016 – RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O Bebê de Bridget Jones (2016 – RU/EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Esse blog não é muito de relacionar filmes num único texto, mas sempre há uma primeira vez ou um gancho que valha a pena. E aqui, ambas comédias desastradas (e desastrosas) que tentam se sustentar de fãs de um passado (anos 90/00), mas não conseguem escapar do fatídico drama do filme-caça-níquel.

A série britânica Absolutely Fabulous criada e protagonizada por Jennifer Saunders era uma sátira aos tempos de consumismo dos anos 70/80. Saunders e sua fiel companheira Joanna Lumley voltam a pintar e bordar, em situações que só mesmo um roteirista poderia criar, entre seus devaneios de glamour e o abuso divertido de álcool e drogas. A série voltou com especiais de 20 anos e agora a versão ao cinema abusa da boa vontade com suas gags que fazem sucesso com público, mas não vão além do ridículo.

Já a heroína romântica de parte das mulheres modernas volta solteirona ao 43 anos, e capaz de mais trapalhadas “fofinhas” do que nunca. O filme era para ser uma adaptação do novo livro, mas como a autora matou o par romântico, resolveram mudar quase tudo. Voce sabe exatamente o que esperar de Bridget Jones, a expectativa só varia do que voce vai rir/se identificar com as desenvolturas. O roteiro é o mais sem pé e nem cabeça dos três, extrapola mais que nunca para criar as situações cômicas e nenhuma vergonha de levar até o fim o frágil alicerce que tenta criar.

Enfim, ambos filmes abusam de seu passado para vender ingressos, sem pudores em usar artilharia baixa para manter atenção de seus fãs, mas, ninguém além deles deveria se aventurar por esses dois mares nebulosos. E se assemelham mais do que possa parecer.

Absolutely Fabulous foi o filme de abertura do Queer Lisboa (onde este blog viu o filme) e a nova aventura de Bridget chega aos cinemas no Brasil em duas semanas, em Portugal já está em cartaz. E, para criar inimizade com os fãs de Bridget, mas o lado mais forte desse triângulo amoroso é exatamente quem não faz parte da mística, Patrick Dempsey é o que há de melhor, fazendo exatamente o que ele já fez em Grey’s Anatomy e comédias românticas dos anos 80.

umalongaviagemThe Railway Man (2013 – AUS) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Surgiu como postulante ao Oscar, do ano passado, ate suas primeiras exibições. O naufrágio o levou ao ostracismo, e agora estreia, quase sem repercussão. O peso do passado para ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial, o fantasma das torturas desumanas. Tantos e tantos filmes assumiram este como tema. Dessa vez, baseado no livro autobiográfico de Eric Lomax (Colin Firth), sob direção pasteurizada de Jonathan Teplitzky, temos um ex-soldado britânico aficionado por trens. Ao invés de desenvolver melhor o personagem, o filme traz um romance (Nicole Kidman), e o peso do mundo sob as costas desse sujeito metódico.

Por meio de flashbacks, a captura e trabalho na construção da estrada de ferro (aquela da ponte do Rio Kwai). O filme não consegue nada além de uma fotografia embacada, cenas de tortura e melodramas carregados de uma emoção nada comovente. A mesmice de histórias dolorosas que se repetem, sem que o cinema esteja ganhando algo além de lagrimas e lamentações.

magiaaoluarMagic in the Moonlight (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um filme novo, de Woody Allen, a cada três anos. Já venho falando nisso há anos, agora vou lançar a campanha. Quem sabe ele não se sensibiliza e amadurece melhor suas ideias. Ele voltou ao mundo da burguesia, dos romances fofos, dos roteiros desenvolvidos a partir de 2-3 ideias de cenas (nada me tira da cabeça que a cena final foi chave, de onde grande parte da trama começou).

Mágicos e médiuns, o imaginário humano pelo oculto, pelo indecifrável. Sophie (Emma Stone) é a bela jovem que tem visões, conversa com mortos, descobre segredos. Para descobrir seus truques e provar ser uma charlatã é convocado Stanley (Colin Firth), ilusionista respeitado em Londres. Filme de época, na França, belos casarões e vestidos, milionários e o charme de um cético racional. Woody Allen filma mais uma daquelas histórias para se assistir enquanto arruma o quarto, se prepara para dormir, dando uma olhadela na tela da tv, sem muita importância. Seu filme tem estilo, algumas ideias, e uma história que faça tudo isso se encaixar.

Tinker, Tailor, Soldier, Spy (2011 – ING)

Pelas mãos do cineasta Tomas Alfredson nasce um filme elegante sobre espionagem na Guerra Fria. Não que os britânicos fossem neutros no jogo de guerra velada entre capitalismo americano e comunismo soviético, mas eles eram um terceiro, que até flertavam com um lado, mesmo estando sempre mais propensos a outro. Nessa perspectivas de inexistencia (estrutural) de vilões, se desenvolve nova adaptação do livro escrito por John Le Carré (em 1979 fora uma mini-série da tv com Alec Guinness no elenco).

Primeira palavra a vir a mente é timing, Alfredson o estabelece e imprime em cada um dos fotogramas, há unidade, um compasso que segue sereno, harmonico. E o timing se estabelece também com a figura central da trama, o agente aposentado (Gary Oldman) após uma missão fracassada na Hungria, e que volta à tona para investigar e descobrir quem é o espião duplo entre a mais alta cupula da Inteligência Britânica.

 É bem verdade que falta ao roteiro um desenvolvimento dos personagens (principalmente dos suspeitos), são apenas tipos britânicos que desconfiamos e aguardamos descobrir qual deles é o vilão, sem que tenhamos perfis psicológicos, ou interesses mais explícitos (as subtramas até se encaixam no desfecho, ainda assim pouco relevantes). O filme é todo de Alfredson (sua escolha pelo mínimo de detalhes, oferecendo maior nuance aos atores, e isso não falta a Gary Oldman), destacando-se o virtuosismo que ele evoca ao todo, um desfilar sobre nossos olhos de maestria (por exemplo, numa cena, a câmera foca a nuca de Smiley, ele vira o rosto levemente, e só no movimento das sobrancelhas percebemos o ar de decepção).

 Momentos de tensão, de dúvida, sempre num tom calmo e sereno, em tons cinza e nebulosos. E a promiscuidade das relações , colocadas sempre de forma sutil, é daqueles filmes em que “o como” vale muito mais que o “o que”, engenhoso na trama e na forma de se contar, Alfredson se estabelece como um cineasta que merece todas as atenções. E aquele desfecho então, a canção francesa, os personagens em suas novas perspectivas, nenhuma fala, um charme.

The King’s Speech (2010 – ING)

Em pleno início do século XX, com o advento do rádio, microfone e aparelhos de som, ter um rei que gagueja a cada discurso ou conversa mais incisiva, é, sem dúvida, algo além do pitoresco. Um líder que não seja bom orador está fadado à falta de credibilidade ou de autoridade? Pensar que essa é a história de George VI (o pai da rainha Elizabeth). O filme de Tom Hooper conta a história de transição de poder na primeira metade do século passado, e a dificuldade do futuro rei em fazer um pronunciamento sem passar vexame. Não estamos mais nos tempos em que tramas e traições eram planejadas minuciosamente para se assumir o poder, longe disso, a trama se torna mais envolvente por mostrar o distanciamento, o grau de solidão (poderia ser um personagem de Sofia Coppola), a falta de uma amizade para expor seus dramas e problemas.

Do outro lado está o especialista (Geoffrey Rush) que tenta aliviar o problema do rei (Colin Firth admirável), muitos consideram que seja um filme sobre a amizade dos dois, e sem dúvida ela nasce, mesmo que de uma forma tão desproporcional, mas o filme é sobre um rei se desprendendo de algumas amarras, recorrendo ao que está fora do protocolo para assumir seu posto com dignidade. Filme classudo, imponente sem se fazer de grandioso, são momentos de arrombo contido enquanto se apresenta tecnicamente bem cuidado.

 Where the Truth Lies, 2005 – EUA) 

O desejo de Atom Egoyan era fazer um filme noir, o desejo de Karen O’Connor (Alison Lohman)era desvendar um caso obscuro no passado de seus dois grandes ídolos. O desejo de Vince Collins (Colin Firth) é dinheiro para desfrutar da vida confortável a qual se acostumou. Já Lanny Morris (Kevin Bacon) não mudou muito com o passar do tempo, seus desejos ainda giram entre sexo, fama, e sucesso.

Egoyam inventou demais no seu filme noir, algumas coincidências no roteiro, mais atrapalham do que causam espanto ou ajudam (aliás são tantas que causam até enjôo). O clima ora parece bastante arranjado e ora surge perdido. E as insistentes narrações em off, teimam em considerar o espectador como incapaz de compreender a trama, além de oferecer um clima doce demais, quase uma fábula infantil.

O personagem interpretado por Colin Firth talvez seja o maior dos enganos estratégicos de Atom Egoyan. Todos os filmes dão maior visibilidade a personagens como o de Kevin Bacon, e Egoyan acaba caindo na vala comum quando poderia ter dado destaque a ótima composição de personagem feita por Firth. Um excelente trabalho para um tipo: comedido, mascarado, fraco e egocêntrico, Firth rouba cenas com seu falso-coadjuvante. Alison Lohman é linda, desfila sensualidade, Egoyam não lhe pede mais, poderia.

Toda seqüência de Lanny Morris cantando no hotel enquanto Vince faz um “servicinho” é bárbara, e acaba sendo a grande exceção a tudo. Fato é que esse lado negro do mundo artístico sempre desperta interesse, mesmo que as verdades não sejam tão inquietantes assim.