Posts com Tag ‘comunismo’

 

Before Night Falls (2000 – EUA)

Biografia do poeta cubano Reynaldo Arenas (Javier Bardem) perseguido cruelmente pelo regime de Fidel Castro. Não podia ser diferente, o filme de Julian Schnabel é duro, Arenas lutou arduamente para não ser preso, para fugir de Cuba, para publicar suas obras, para viver sua opção sexual e só encontrou violência, preconceito, negação, repreensão, tanto no âmbito familiar como no regime do governo militar. Muita câmera na mão, grande preocupação num retrato mais documental, a vida de Arenas corta as décadas mais ativas do comunismo cubano, garotos na praia roubam suas coisas e ele ainda é acusado de tentativa de abuso sexual. Um país onde quem não está dentro da cartilha deve ser retirado de circulação e Arenas, definitivamente, não seguia nenhuma das cartilhas ditadas por Fidel. Nessa Cuba empolvorosa dos anos 50, 60, 70, a trajetória de Arenas é retrato marcante da vida cubana e das possibilidades limitadas dos intelectuais de se expressarem livremente, acima de tudo, e mesmo com sua estrutura clássica, é um filme sobre a luta pela liberdade de expressão.

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Amintiri din Epoca de Aur / Tales from the Golden Age (2009 – ROM)
 
O cineasta Cristian Mungiu escreveu seis pequenas lendas a cerca da Era Dourada (como era chamado pelos comunistas o governo do ditador Nicolae Ceausescu), dirigiu dois segmentos e deixou a cargo de quatro diretores de curta-metragem os demais (Hanno Höfer, Razvan Marculescu, Constantin Popescu e Ioana Uricaru). Em todos eles predomina o peso da política sob a vida das pessoas e seus efeitos nessas histórias em particular. Sem dúvida, os que despontam, são os que com a temática satírica direta às políticas governamentais, nesse quesito os políticos girando pela noite toda enquanto passa a comitiva internacional pela pequena cidade chega quase ao hilariante.

O ativista que deseja erradicar o analfabetismo numa pequena aldeia, e a confusão para ajustar a foto do ditador para a capa do jornal, também guardam esse humor ácido, irônico, seco que os romenos se especializam a cada ano. Já a segunda parte tem a ver com amor, mas sempre e formas de tentar driblar as imposições políticas que deixam o povo com escassez de alimentos e impossibilidades de maiores confortos, ladrões de garrafa, jeitinhos para se conseguir ovos, e o policial que tenta obter um porco (no mercado negro) para a ceia de Natal. Todos retratos da condição caótica de um país enfrentando os nos 80 como um burro que empacou no meio do caminho. Os dribles, as espertezas, rendem equívocos divertidos, mas, acima de tudo, apontam os absurdos tão recentes e que atualmente pareceriam improváveis (talvez o papel mais importante do cinema romeno nem seja apontar os erros do passado, mas torná-los ridículos para que não se repitam).