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Estréia amanha um dos indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

Incendies (2010 – CAN)
 
Cenas de crianças tendo suas cabeças raspadas, o som de You and Whose Army?, o tom do filme está implícito, vamos falar de temas definitivos, vamos falar de uma tristeza sem fim, as crianças, a lentidão das imagens e o Radiohead não estão ali a toa. Essa coisa de ser um filme canadense, sendo que é todo filmado no Oriente Médio e as partes no Canadá não tem relevância alguma provam que o relevante é o dinheiro, é de onde vem o financiamento, a memória, a história, o sangue e suor escorridos do outro lado do mundo (e em outra língua) não tem importância alguma.

A mãe sofria de uma bipolaridade de coragem, sua história de bravura e força é antagônica aos segredos que ela revela (ou obriga os filhos a descobrir) quando de sua morte. Estamos na leitura do testamento e os gêmeos descobrem que têm um irmão e que sua mãe deseja que os dois viagem às origens para entregar uma carta a ele a ao pai dos dois. O mote para os flashbacks está inserido, desse ponto em diante viajamos numa história sofrida de crenças religiosas, sofrimento, dor e mortes. Denis Villeneuve filma a violência com a brutalidade do banal, como se fosse coisa corriqueira (e o filme prova que realmente é), o cineasta já havia feito isso em Politécnica (esse um filme tipicamente canadense). A beleza das imagens, o impacto de algumas cenas (a dos ônibus é de cortar o coração), Villeneuve mergulha nessa vida de sobressaltos e terror que vive o Oriente Médio, as disputas que afastam as pessoas. 
 
O grande se não é o próprio autor do livro a qual o roteiro foi baseado, Wajdi Moauwad leva tão a sério sua idéia genial que abusa das coincidências. Ter dó dos personagens é bobagem, contar uma história sofrida de uma mulher renegada pela família, torturada, massacrada, e fazer disso tudo pano de fundo para os horrores que tanto assolam muçulmanos e cristãos da religião era pouco, não teria tanto impacto e relevância, certo? Na cabeça dele sim. Por essas e outras, com o início do desfecho, e daí uma necessidade sobrehumana de explicar (com narração) o que já está entendido, toda a construção fotográfica e aterrorizante de Incêndios desanda para essa necessidade de um impacto ainda maior, de adentrarmos no íntimo do íntimo, no fazer dessa uma história particular, e não mais um desses meros casos de sofrimento causado por essa guerra sem fim.