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Insanamente Feliz

Publicado: novembro 17, 2011 em Uncategorized
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Sykt Likkelyg / Happy Happy (2010 – NOR)

A diretora Anne Sewitsky oferece uma salada norueguesa, daquelas cheias de ingredientes comuns que juntos trazem sabores estranhos. Dois casais, cada um com um filho pequeno, se tornam vizinhos, marcam jantares, joguinhos de adultos (do tipo Imagem & Ação), cantam no coral da igreja, as aparências mostram casais felizes. Aparências enganam, com a intimidade as crises matrimoniais e uma confusão envolvendo um turbilhão de esquisitices que só relacionamentos podem promover. Sewitsky quase sonha em transformar os dois casais num resumo do mundo, por isso insere pitadas de temas como homossexualismo, traição, xenofobia, desejo, é a festa dos clichês. Se nunca se torna desagradável, também não vai além do medíocre, abordagem, de cada situação desencadeada, pela mesmice. E os desfechos otimistas definitivamente sepultam qualquer seriedade que esse roteiro pudesse sonhar, por mais que saibamos da capacidade do ser humano em causar confusão do nada.

* indicado pela Noruega ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro

Michelle Williams indicada ao Oscar de Melhor Atriz, o filme só deve estreiar no dia dos namorados no Brasil.

Blue Valentine (2010 – EUA)

Esqueça o título horripilante em português e até mesmo o trailer que te prepara para uma linda história de amor. O filme de Derek Cianfrance não trata o assunto dessa forma e o título original já entrega isso. Um romance narrado simultaneamente em dois tempos, de um lado o momento presente de crise, enquanto contrapõe-se com o início doce e encantador. Fica essa mistura de amargo e doce na boca, cena a cena, um vai-e-vem de emoções, estamos tão acostumados a assistir esse tipo de comportamento que o tempo impõe a tantos relacionamentos que as repetições de discussões e caras feias nos remetem à nossa própria vida ou de pessoas tão ligadas a nós. Esse é o trunfo de Cianfrance, a história tem suas particularidades (como todas têm) e ainda assim é única, porque cada história de amor é única e irrepetível.

A paixão, o passar por cima dos problemas, toda a empolgação instantânea do início, pouco a pouco dá espaço para  vazio, o distanciamento, o incomodo, e nisso Michelle Williams e Ryan Gosling esbanjam vitalidade ao viver esse casal tão conflitante. E acima de tudo, o filme mostra na fase boa os indícios do que poderia ser problema, mas quando estamos no começo ficamos cegos para esses sinais, acredita-se que o amor vence tudo, e não é bem assim, um casal precisa estar fechado em objetivos e projetos de vida, vibes parecidas, e não se apaga decepções com pequenos gestos isolados (típico filme que cresce dentro de você com o tempo).