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A Primeira Morte de Joana

Publicado: agosto 17, 2021 em Cinema
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A Primeira Morte de Joana (2021)

Em seu segundo longa-metragem a diretora Cristiane Oliveira já delimita bem um estilo e um espaço a explorar. Esse Rio Grande do Sul longe da metrópole guarda histórias que a cineasta vem contar. Agora estamos na região litorânea, uma pequena comunidade de imigrantes alemães, e no protagonismo uma garota curiosa em descobrir porque sua recém-falecida tia-avó nunca namorou.

Aqui sexualidade á a tônica, desde seu interesse pela sexualidade dos outros, e por notar encontros sexuais antes não percebidos quando menor, até claro, a sua própria sexualidade. Bastante semelhante narrativamente a seu trabalho de estreia (A Mulher do Pai), o filme tece essa bonita mistura de olhar ao horizonte uma vida melhor nos que tem conexão com a Alemanha e esse conjunto de mulheres fortes que vagam entre o futuro e o conservadorismo nos costumes.

Mulher do Pai (2016) 

O que há de melhor no filme da diretora Cristiane Oliveira, que foi exibido numa das mostras paralelas do Festival de Berlim, é permitir a mudança a seus personagens. Num canto asfaltado dos grandes centros, na divisa do Rio Grande do Sul com o Uruguai, temos a história da adolescente Malu (Maria Galant) e seu pai cego (Marat Descartes). Pelos olhos atentos e singelos da diretora, acompanhamos a mutação desses dois personagens quando a avó vem a falecer. Sem a matriarca, e epicentro da família, temos a jovem que precisa assumir afazeres da casa, enquanto vive a descoberta da sexualidade. E um homem que vê a necessidade de criar o diálogo que nunca manteve com a filha, nesse momento em que orientação e limites são assuntos complexos e passíveis de desgaste.

A sexualidade de pai e filha colocados à prova, o ciúmes pela aproximação de qualquer estranho a esse habitat, o futuro de baixas expectativas, está tudo ali naquela casa simples, naquela relação que parece ter se reconstruir, em que a guerra de egos pode tornar tudo uma panela de pressão. Em um dado momento, a filha narra uma sequencia do filme Transformers, que passava na tv, pode parecer um momento simples, mas é possível entender um pouco do aprendizado em ser pai e da filha meio adulta, meio criança.