Posts com Tag ‘Crystal Moselle’

Minding the Gap (2018 – EUA) 

Skate Kitchen (2018 – EUA) 

Skate e Sundance. Além de ambos terem sido destaque no festival indie, chama atenção nos dois filmes dessa ligação umbilical de seus personagens com a prancha com rodinhas. O primeiro é um documentário que acompanha a vida de três amigos (o diretor, Bing Liu, é um desses personagens) entre as pistas de skate e detalhes da vida pessoal, o que temos é um retrato de juventude em uma cidade americana cujo empregos se tornam mais escassos ao longo da vida. Quase um coming-of-age documental, Bing aprofunda o relacionamento de cada um deles com os pais, abusos infantis, paternidade precoce, e o resultado do amadurecimento de cada um.

Já Crystal Moselle havia se destacado pelo documentário Irmãos Lobo, e agora ataca na ficção com a história de uma garota, de origem latina, e todas as dificuldades de sua juventude. Esse sim um típico coming-of-age traz a relação com a internet, a descoberta de novas amizades e afinidades, a relação com drogas e sexo, e os eternos problemas com os pais. Por quase uma hora, Moselle mantém sua câmera e narrativa numa proximidade que quase desnuda sua protagonista, na parte final não mantém o mesmo ritmo. Ainda assim, novamente se coloca como uma cineasta para se manter no radar.


Festival: Sundance 2018

osirmaosloboThe Wolfpack (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Andando por Manhattan, Crystal Moselle deu de cara com seis adolescentes, de óculos escuros e vestidos como em Cães de Aluguel. Fez amizade com eles, e descobriu que viveram confinados, 14 anos, num apartamento ali perto. Desse encontro nasce o documentário, entre muitas imagens de arquivo e depoimentos desses jovens, da mãe, e do pai, a jovem diretora Crystal Moselle traz a tona novo capítulo sobre os absurdos humanos.

Privados de convívio social, o pai era o único que tinha a chave e saia de casa diariamente. Criados com carinho excessivo e zelo extremado, descobriram o mundo através do cinema. Era a única válvula de escape e conexão com o que estava lá fora. São jovens ingênuos e dóceis, que mesmo na revolta, a expressam de maneira branda. Moselle registra os detalhes, dá grande foco a essa ligação com o cinema, tornando o absurdo da criação dos filhos um empecilho menor, ainda que condenável. Falta a contundência que o tema pede, sobra a simpatia com que Moselle é recebida por aquela família que poderia ter saído de um filme do novo cinema grego.