Posts com Tag ‘Cuba Gooding Jr’

ojmadeinamericaO.J.: Made in America (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

E 2016 é o ano de se reviver o caso O. J. Simpson, que já foi tão explorado desde a fuga que revolucionou as transmissões de tv em 1994. Primeiro o sucesso do seriado do canal FX, The People vs O.J. Simpson: American Crime Story (que teve Cuba Gooding Jr e outros astros), e agora é a vez da ESPN lançar um documentário que está dando o que falar. Foi exibido no Festival de Tribeca, e durante uma semana nos cinemas nos EUA. Portanto, apto a se inscrever ao Oscar, e já pinta como virtual vencedor da próxima edição do prêmio.

Dirigido por Ezra Edelman, e com mais de sete horas de duração (exibido na tv em cinco capítulos de 1:30h), o documentário é exemplar em mergulhar na figura de O.J. e explorar sua vida desde os anos 60, desde o destaque na universidade, toda sua carreira vitoriosa no futebol americano, a vida como ex-jogador e os escândalos policiais. A contundência do material é de traçar paralelos entre o Juice (seu apelido nacional) com a questão racial, e o comportamento da polícia de Los Angeles.

Via depoimentos de muitas pessoas importantes da vida do personagem, e muito material de arquivo (vídeos, fotos), o diretor traça o momento conturbado que a história reservou a culminar no julgamento de O.J. como um recado de uma população oprimida pelo preconceito. Com a longa duração, há espaço de sobra para ir nos detalhes, partindo do julgamento dos policiais brancos inocentados da barbárie do espancamento filmado contra um negro (Rodney King), que causou grande revolta na população de Los Angeles – e que o advogado de defesa (Johnnie Cochran) apropriou-se para trabalhar na defesa de O.J.

Com o aprofundamento do contexto histórico (negros não acreditando em justiça, manifestações contra a truculência da policia LAPD), e da relação (ou não relação) de O.J. com a cultura negra, não só fica explicita a complexidade do tema, como o grau de urgência que o julgamento da morte da ex-esposa e seu namorado tomaram. Edelman toca num tema espinhoso, vai em busca de depoimentos de promotores e advogados, e esmiúça o que o seriado já havia feito muito bem. Por fim, novo detalhamento da outra ocorrência policial, que levou O.J. à cadeia até hoje. Justiça atrasada ou exagero? Cada um terá sua opinião, mas até lá o documentário já terá feito jus a seu título, provando que O.J. é um produto da América, desde seu sucesso e carisma meteórico, até sua queda ultrajante. Um jogador de talento invejável, mas que sucumbiu ao descontrole (financeiro, comportamental), e perdeu oportunidade de lutar por injustiças, mas que os fatos trataram de potencializar a dicotomia.

MachetemataMachete Kills (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O charme do filme anterior, e de boa parte dos trabalhos de Robert Rodriguez é o estilo que se impõe com virilidade e humor. Homens másculo e imorríveis, mulheres lindas com suas metralhadoras, sangue jorrando por todos os lados. A questão é encontrar o limite. Quanto o público tolera dos acontecimentos impossíveis, da imortalidade do protagonista, dos excessos de personagens e diálogos? Pelo fracasso desse segundo capítulo (que já prometeu um próximo, no espaço) esse limite existe, e Rodriguez o ultrapassou.

A trama envolve do presidente dos EUA até chefes da máfia mexicana, incluindo um muro que fora criado entre EUA e México para evitar a invasão dos ilegais. De resto, uma constelação de estrelas entrando e saindo de cena em sequencias mirabolantes, e que não repetem o charme e humor de outrora. Coisas como “Machete não twita” não funcionam tão bem e o descrédito desse filme é certo.

Jerry Maguire (1996 – EUA)

Ele faz parte daquele grupo de filmes da pior espécime possível, praticamente um aproveitador barato das emoções alheias e de maneira desavergonhada, exagerada, um grande fanfarrão. O cineasta Cameron Crowe não teve vergonha alguma em abusar do drama barato e levar seu protagonista (Tom Cruise) ao buraco para depois atingir a redenção, e de forma deslavada, abusando de todo e qualquer tipo de clichê. E, pouco satisfeito, ainda cai matando pela comédia romântica, também sem medo nenhum de emoções gratuitas.

Mas, mesmo somando isso tudo, não é que o filme prende o público, você torce pelo jogador da NFL fiel e descontraído (Cuba Gooding Jr), pelo agente em fase de reconstrução (Cruise) e claro que pela mãe solteira ingênua que acredita no amor acima de tudo (Reneé Zellweger). Aguarde pela grande virada, aguarde pelo pedido de desculpas inflamado de amor, aguarde por tudo que você sabe que vai acontecer, e sem que haja nada de especial na maneira que foi filmado, é Cameron Crowe abusando do filme comum e assim conquistando muita gente.


As Good As it Gets (1997 – EUA) 

Tem um quê de comédia romântica que define o gênero em sua década. A cada nova revisão, nova paixão, pela forma, como o diretor James L. Brooks, conduz a transformação de um personagem tão solitário, egocêntrico e ranzinza, incapaz de ser gentil ou fazer um elogio, num homem apaixonado, claro que a sua maneira. Esse é Melvin (Jack Nicholson), o escritor de sucesso, e uma personalidade das mais problemáticas. Cheio de manias, como travar e destravar cinco vezes a porta, ou almoçar, todo dia, na mesma cadeira, do mesmo restaurante, e ser atendido pela mesma garçonete, Carol (Helen Hunt). Exemplos de alguns excentricidades, de alguém, com conforto financeiro, e a arrogância como arma de defesa, contra o convício social. Quando alguma situação foge de sua rotina, impera nele o descontrole, como a de um garoto mimado.

O contraponto a todo o alívio cômico do personagem central é mesmo a garçonete. Explosiva, carente que alguém que lhe dê alguma atenção es especial, e repleta de problemas pessoais. Desse caos que, naturalmente, ela é capaz de descongelar o coração espinhoso do escritor rabugento, até por ter a coragem de falar não e impor limites às extravagâncias sociais del. É Helen Hunt quem dá as deixas para Jack Nicholson ser engraçado, cativante, irritante ou, até mesmo doce. E também que permite a Greg Kinnear (o vizinho gay) a surgir como essa revelação inesquecível. O público ri do rude, mas é cativado pelas possibilidades de transformações, pela quebra de limites pessoais, e pelo esforço de transgredir essas barreiras psicológicas, em prol de uma mudança, que possa resultar no dar e receber amor. Sensível e divertido, é James L. Brooks na dose certa.

suandofrioChill Factor (1999 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A estréia na direção de Hugh Johnson, que cuidou da fotografia de alguns filmes como Tormenta e Até o Limite da Honra (os dois de Ridley Scott), não poderia ter sido pior. Um extenso clichê do gênero. Óbvio, hermeticamente impossível não adivinhar o que está por vir. Acontecimentos que abusam da capacidade de quem está assistindo, desde vilão que ressuscitando, até um diálogo medonho e repetido à exaustão: “Ele é perigoso”.

A trama trata do Dr Richard Long (David Paymer) que faz pesquisas com armas químicas (Elvis), numa ilha deserta. Num dos testes ocorre um acidente e morrem 18 militares. O Capitão Andrew Brynner (Peter Firth), um dos responsáveis pelo grupo, leva a culpa e é preso por 10 anos. Brynner decide vingar-se após sair da cadeia e ficar rico. Planeja roubar a Elvis e fazer um leilão entre terroristas pela poderosa arma. Invade o complexo militar onde Dr Long trabalha, mas Long mesmo ferido, consegue escapar e pára numa lanchonete onde encontra o balconista Tim Mason (Skeet Ulrich) e o entregador de sorvetes Arlo (Cuba Gooding Jr).

Dr Long entrega Elvis, aos heróis-de-plantão, e os convence, a levar a poderosa arma às autoridades militares. Elvis deve ser mantida abaixo de 10ºC e o caminhão de sorvetes seria o ideal para transportar. Começa então a corrida dos dois em um velho caminhão, contra uma equipe militar treinada e aparelhada. Atuações precárias são a cereja desse bolo indigesto que mais parece uma bomba radioativa.