Posts com Tag ‘Dakota Fanning’

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American Pastoral (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O ator escocês, com eterna cara de bom moço, estréia como diretor adaptando o denso livro homônimo de Philiph Roth com conteúdo político tão americano. A escolha é das mais ousadas, afinal o contexto envolve protestos contra Guerra do Vietña, Black Powers, e todo o aspecto político da sociedade americana da década de 60-70.

A missão era complicadíssima, e Ewan McGregor opta por um estilo cinematográfico bem acadêmico, que muito lembra o cinema dos anos 50, o american way of life. Adapta os fatos, em cena temos a total desconstrução da família burguesa perfeita, mas são apenas os fatos, nem sinal das reflexões que McGregor sonhava transpor do livro. No Festival de San Sebastián, McGregor afirmou que queria contar não só a história de uma família, mas de toda a América, no script era o que devia ser feito.

O foco é o pai de família (o próprio McGregor, sempre um ator esforçado), atleta exemplo na universidade, que assume os promissores negócios do pai, se casa com uma candidata a Miss New Jersey e vive numa casa de campo com a filha (Dakota Fanning quando adulta). Os problemas internos surgem quando a gagueira da filha é diagnosticada como possível ciumes da atenção do pai a mãe tão linda (Jennifer Connelly), e vai parar na filha na clandestinidade como terrorista. O pai é o exemplo de postura, amor à família, e perfeição burguesa no trato com os empregados e assim McGregor tenta resumir anos tão libertários e conflituosos de toda uma nação tão heterogênea e inquieta.

night-movesNight Moves (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O discurso moral vem alinhado com as questões ambientais, as reinvindicações por mudanças estruturais na economia que possam privilegiar a preservação. Kelly Reichardt esgueia seus personagens por um thriller silencioso, por entre turvas florestas e a determinação jovem de fazer sua parte para mudar o mundo. O plano de Dena (Dakota Fanning) e Josh (Jesse Eisenberg) posto em prática, sem que nada seja esclarecido ao público. A narrativa é competente em guardar o segredo, fica a indagação do que eles estão aprontando?

A segunda metade é sobre o peso da culpa, arrependimento. Saem de cena a floresta, o rio límpido que reflete a escuridão noturna, surge o desanimo, os ombros carregados. Ação e reação, já dizia a lei da física, o fardo de prosseguir é mais pesado do que o planejado. Night Moves é o nome de um barco, que participa dos planos, Reichardt padece do mesmo mal de seus personagens, depois da ideia central não soube bem como seguir, e o filme vai lhe escapando das mãos.