Posts com Tag ‘Daniel Brühl’

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Captain America: Civil War (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O ano em que o cinema viu os primeiros filmes de super-heróis brigando entre si. Batman vs Superman, e agora Os Vingadores (cada lado sendo liderado por Capitão América e Homem de Ferro) e muita porrada entre eles. E por mais que ambos tenham o fato gerador da briga muito parecido (a morte de inocentes e a responsabilidade dos heróis por estas mortes), Marvel e DC realizam filmes completamente diferentes. E a Marvel ganhou fácil essa disputa.

É outro produto essencialmente conciso dentro do que o estúdio vem apresentando como Universo Expandido, um novo ponto unificando personagens que foram lançados em filmes solo (Homem Formiga) ou que serão em breve (o novo Homem Aranha, ou o Pantera Negra). Como se apresenta como “filme-solo” do herói com esculo, e não um filme dos “Vigadores”, o humor não tem o mesmo tom exagerado, por mais que algumas piadinhas esteja espalhadas entre as cenas de luta. É, essencialmente, um filme de muita porrada intermediado por discussões quase políticas sob aceitar, ou não, a supervisão da ONU. Faltam personagens (Thor e Hulk), e se a disputa filosófica entre Rodgers e Stark parece bem desenvolvida, a tomada de partido dos demais nem sempre se configura tão politizada, chegando a parecer aquela pelada onde os capitães saem escolhendo seus times.

A primeira sequencia de ação (que dá uma saudade danada da sequencia de assalto ao banco do Batman de Nolan), em Lagos, culmina em todo peso dramático do filme, ainda que o momento tão intenso seja rapidamente cortado para um encontro dos heróis num escritório. É a constatação que os irmãos Russo tem a missão de explicar as razões da briga, mas não ir muito profundo nessas feridas.

Há ainda um vilão na trama, que tempera ainda mais essa disputa. E há também a dubiedade do Soldado Invernal, mas novamente a Marvel peca em não criar vilões poderosos e inesquecíveis, ou em subaproveitar tantos personagens que espalha em seu filme. É tudo arquitetado para colocar seus produtos em destaque, o filme funciona perfeitamente bem, por exemplo, para resgatar o Homem-Aranha, e lhe oferecer nova possibilidade de retomar o personagem. Enquanto isso, vai mais fundo nas diferenças e personalidades de Rodgers e Stark, até constatar o quanto esses personagens carregam consigo o peso da perda dos pais (podem reparar, todos carregam o fardo, tanto Marvel, quanto DC).

O filme vale mesmo pela monstruosa sequencia no aeroporto, ali o fã pode se decilicar com o melhor de cada um dos poderes de seus heróis, a porradaria convincente, ainda que alguns nem saibam direito porque estão lutando por aquele lado. E dessas fragilidades que os irmãos Russo teorizam seu filme, com lutas cheias de câmera tremida (algumas que beiram o insuportável) e as sacadinhas de humor, porém mostram fragilidades que podem cegar por vingança ou teimosia, tal qual a imperfeição humana.

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evaEva (2011 – ESP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Como passar da ficção cinetífica ao melodrama piegas, rapidamente? Pode perguntar ao diretor Kike Maíllo, ele prova que tem a fórmula. Construir robôs com inteligência emocional, a ponto de que não possamos distinguir os humanos dos robôs. Dar liberdade, vida própria, seja para substituir um membro da família, ou ter um ajudante em casa.

O roteiro parte da interessante premissa desse tipo de criação. Mas, não se contenta só com isso. Desde o início estabelece as bases do triângulo amoroso (Daniel Brühl, Marta Etura e Alberto Ammann), mesmo que os dois homens sejam irmãos. E coloca a pequena e espivetada Eva (Claudia Veja) como arma para intensificar o drama até o fatídico confronto entre emoções do passado x futuro. Vai-se a trama, resta o romance, as desilusões passadas, e então percebemos que pessoas tão envolvidas com robótica, a esse ponto, estão mesmo é tentando criar humanos que satisfaçam suas necessidades emocionais.

ohomemmaisprocuradoA Most Wanted Man (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Só mais um thriller envolvendo terroristas e Islamismo. Quanto mais se desenvolve a trama, mais difícil de engolir se torna. O filme é todo passado em Hamburgo, imigrante ilegal da Chechênia, serviço de inteligência alemão e americano em conflito, o cinema não precisava de mais uma dessas histórias. Mas, Anton Corbijn filmou cheio de esmero, cores fortes contrastando o clima frio alemão, e achou que levar vários nomes de peso para a Europa seria uma saída comercial.

Um dos últimos trabalhos de Phillip Seymour Hoffman, por isso o filme ganha um interesse além do merecido. Ele é o chefe da inteligência que segue o imigrante, só que o alvo é outro, gente graúda da ONU. Ainda há espaço para envolver um banqueiro e uma advogada (eterna boa-samaritana). Seria apenas chinfrin se não fosse os caminhos finais do desfecho.  O livro de John Le Carré pretendia unir tantos bons-samaritanos num suspense sobre Al-Quaeda?

rushRush (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A temporada de 1976 da Fórmula 1 foi realmente cinematográfica. Se a rivalidade entre dois pilotos é comum, todos anos, na disputa pelo título, ingredientes como um acidente quase mortal e a última corrida só definida na última volta foram o ápice para aquele campeonato se tornar inesquecível.

Ron Howard tranforma aquela disputa num filme sobre rivalidade, para isso ele toma a liberdade de alterar alguns fatos e focar, especificamente, na rivalidade de dois homens, de dois competidores. De um lado o frio e perfeccionista austríaco Niki Lauda (Daniel Brühl), de outro o playboy inconsequente James Hunt (Chris Hemsworth). O roteiro cria essa rivalidade desde as categorias inferiores (uma das alterações da realidade), faz da disputa algo além das pistas, tornando a rivalidade cada vez mais pessoal.

Interessante como Howard trata a narrativa das corridas, misturando as cenas dos carros e ultrapassagens com de peças do carro funcionando, como pistões, por exemplo. Isso dá dinanismo, e foge do convencional. Se bem que convencional é um adjetivo que se encaixa bem ao estilo do diretor, praticamente criando um documentário filmado, com atores em atuações fenomenais, mas sem qualquer pegada autoral, optando sempre por diálogos que possam explicar o que já está implicito.

Mas, há no filme esse lado intrigante da rivalidade. Essa coisa de quanto podemos crescer e melhorar se temos um norte, uma disputa, alguém nos fazendo alcançar os limites, ser melhor. É nesse lado que Rush se sai melhor, a obsessão de dois talentos natos, a reinvenção dentro de si mesmo. Niki Lauda e James Hunt tiveram seus nomes marcados pela história da F1, e mesmo com essa condução translucida e apática de Ron Howard, essse capítulo especial acaba registrado de forma convincente.

2 Days in Paris (2007 – FRA/EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Ele, norte-americano. Ela, francesa. De férias, o casal aproveita para voltar a Paris, a fim de conhecer a família da moça. Alguns dias de estadia, entre os clichês comportamentais franceses, e parte da realidade violenta da cidade, são até que contornáveis para Jack. Os problemas começam ao conhecer a família, e principalmente os ex-namorados da parceira.

Julie Delpy dirige buscando algo que aprendeu, e praticou, nos filmes de Linklater, porém exagera na dose das situações, abusando demais do inferno que a vida de Jack (o excelente Adam Goldberg) se transforma. Chega a ser decepcionante, Delpy trata da questão do ciúmes, e particularmente a relação tênue que mantemos com as antigas experiências amorosas-sexuais de nossos parceiros, pena que extrapola limites.

edukatorsDie Fetten Jahre Sind Vorbei (2004 – ALE/AUT) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Utopia e coerência andam por caminhos opostos. Não no filme do diretor austríaco Hans Weingartner. As propostas e discursos, bradados em coro pelos jovens protagonistas, conseguem atingir, simultaneamente, pontos estritamente antagônicos. São idéias coerentes e irreais, aquele discurso panfletário, que se coloca como coberto de razão, porém ninguém acredita que será colocado em prática algum dia. A caracterização de um ambiente jovem e anárquico é muito bem definida pelo diretor, com trilha sonora pesada e bastante presente, edição ágil e ritmo frenético no melhor estilo videoclipe. A câmera na mão, em planos fechados no rosto dos personagens, chacoalha muito no início quando Weingartner pretende traçar o panorama do estilo de vida desse grupo específico de jovens alemães.

Os amigos Jan (Daniel Brühl) e Peter (Stipe Erceg) dividem o mesmo apartamento, durante o dia trabalham colando panfletos e participando de movimentos anti-capitalismo. Levam com fervor seu repudio a má distribuição de renda e ao sistema onde quem tem sempre quer mais. À noite, a dupla invade mansões, onde os moradores estejam viajando, para protestarem. Alteram a distribuição dos móveis e deixam mensagens do tipo: “seus dias de fartura acabaram”. Auto-intitulados “Os Educadores”, não roubam nada, o único intuito é causar pânico nos ricaços, assustá-los.

Numa série de pequenas reviravoltas os dois amigos acabam envolvendo-se num triângulo amoroso completado por Jule (Julia Jentsch), que era namorada de Peter, e deparando-se com um morador numa dessas invasões. As duas situações, a seu tempo, fogem de controle. Essa pode ser a chance de dar um passo a frente em suas idéias, fazer algo concreto em prol de sua causa. Mas são jovens, inseguros de seus atos, pacíficos, e também estão em jogo delicados assuntos sentimentais.

O filme consegue o mais difícil, mantendo as discussões político-econômicas de maneira coesa e clarividente, mas falha na maneira encontrada por Weingartner em dar cabo de sua história, o desenlace amoroso é incipiente, e portanto, fora de propósito, fácil e pouco original para influenciar seu final. O que poderia tornar-se um drama engajado cai para uma trama falsamente aventureira e um presente humor negro (divertido e utópico). Vale muito pela temática jovem, pela caracterização de uma geração onde não se luta por princípios, onde as características revolucionárias podem ser compradas em qualquer loja de departamento sem que se tenha qualquer simpatia pelas idéias. Uma juventude sem ideais, mergulhada profundamente no consumismo que o capitalismo proporciona.

E por isso tudo que Hardenberg torna-se cada vez mais o personagem mais interessante da história, um revolucionário em sua época que cedeu ao sistema e redescobre pequenos prazeres que estavam enterrados em sua vida. Essa discussão proposta pelo filme é de longe o mais interessante que ele proporciona, as conversas pouco conclusivas porém coerentes de Hardenberg (Burghart Klaubner) e Jan dão noção do estado de inércia da juventude atual, e da improvável melhoria do sistema econômico vigente. Jan informa que os cidadãos europeus passam quatro horas por dia em frente à TV, eles não são os únicos e consequentemente voltamos aos primórdios da Grécia antiga e a política do “Pão e Circo”. Cada vez mais enquadrados num estereótipo de pensamento, amarrados a uma única corrente ideológica.