Posts com Tag ‘Daniela Thomas’

A Festa (The Party, 2017 – RU) 

O Banquete (2018) 

Filmes com jantares que tentam destruir personagens e trazer à tona segredos sórdidos são um prato cheio à mediocridade. Ainda estou à procura de um que valha a pena. Eis que, ao mesmo tempo nos cinemas, temos dois em cartaz. Na Inglaterra, Sally Potter expõe vergonhas e segredos da terceira idade burguesa: traições, desabafos entalados na garganta, e a mediocridade de diálogos, temas e situações que apenas tentam aumentar a dramatização, o que conseguem realmente deve ser enervar o público.

Daniela Thomas dirige O Banquete, faz referência ao recém-falecido editor-chefe da Folha, num momento dramático de sua vida, quando escreveu um editorial provocando o presidente. É um filme que tenta ser político, por mais que passe boa parte sob o medo de uma possível prisão, mas o efeito é bem diferente da proposta.

Na mesa de jantar alguns amigos comemorando o aniversário de casamento de amigos. Além da comida e dessa tensão latente, são servidos grandes doses de cinismo, hipocrisia e desprezo. Tudo exageradamente temperado com atuações over e situações aborrecidas, além dessa obsessão por sexo, aqui sempre no viés burguês. As convenções sociais elevadas à enésima potência, num claro exercício de não perceber que hora parar com tudo aquilo. Destaque para Caco Ciocler que começa como um advogado bêbado e vai se tornando uma figura tão indecifrável que talvez termine como um ser acelular.

terra-estrangeiraTerra Estrangeira (1996) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Depois de sua estreia no cinema, com A Grande Arte, Walter Salles voltava a filmar misturando influencias de seu trabalho anterior com um flerte inicial ao road movie (a qual se tornaria especialista). Voltamos ao governo Collor, o presidente e sua ministra da economia (Zelia Cardoso de Melo) tomavam o dinheiro de toda a população, tudo em prol do bem da nação.

Sonhos castrados, economias transformadas em pó, desespero. Salles (dividindo a direção com Daniela Thomas) volta ao mundo da marginalidade, da violencia por entre esquinas. Só que dessa vez fala de toda uma população sem perspectivas. Os personagens (jovens) apelando para formas ilicitas de sobrevivência (Alexandre Borges e Fernanda Torres), ou pecando pela ingenuidade (Fernando Alves Pinto), mas de maneira geral buscando a fuga do país.

Desse retrato caótico de situação econômica o filme migra para Portugal, brasileiros e mafiosos invadindo a Europa. A distancia de casa, os desencontros amorosos, a ausência de um alicerce. Do sonho à fuga desesperada pela sobrevivência, da esperança à necessidade de não confiar em ninguém. O road movie vira uma fuga, contrabando de jóias, o desejo de conhecer a cidade de seus antepassados, tudo se mistura com aquela fotografia preto e branco, que à beira da praia mostra um barco e um casal, na cena mais bela do filme, que mesmo irregular guarda seus momentos.