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aeradoradioRadio Days (1987 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Dessa vez a genialidade de Woody Allen nos remete, de forma nostálgica, à época de ouro do rádio, quando as famílias reuniam-se em torno dele para apreciar seus programas favoritos. Era o auge desse meio de comunicação, a inexistência da TV, internet e etc deixava o caminho livre para que o rádio invadisse lares e dominasse o entretenimento familiar. Woody Allen recorda assim de sua juventude Allen, e de maneira discreta, o cineasta conta como apaixonou-se pelo jazz e como era a vida à época.

Em Nova York no início da Segunda Guerra Mundial, uma família judia comum se une, na sala de casa, para ouvir rádio e discutir os problemas de cotidiano. Solteiras querem se casar, casados brigam e reclamam, enquanto as crianças divertem-se num mundo de sonhos e fantasia. Não conheço outro filme em que o ator principal seja o rádio. Entre os inúmeros personagens, o garoto Joe (Seth Green) tem participa mais destacada, mas nada que nos permita considerá-lo como o centro das atenções, mas ter um garoto como foco maior facilita o tom romântico e pueril. Allen cria grandes sacadas, como na cena inicial com os ladrões respondendo ao programa de rádio, ou a professora substituta que fora espiada de binóculos pela garotada. Essa mesma garotada que caça desesperadamente submarinos inimigos em plena Guerra.

Mia Farrow, Jeff Daniels, Danny Aiello, Dianne West e Diane Keton (cantando) são as estrelas que aparecem rapidamente durante o filme. Woody Allen fala do que gosta (música), do jeito que gosta de fazer, tornando talvez essa comédia leve no melhor filme de sua carreira. Uma bela homenagem ao rádio, que perdeu o glamour da época mais continua nos embalando em casa, no trabalho, no transito, na vida. Vale atenção à trilha sonora e a importância da música ao filme, principalmente Jazz e Big Bands ao som de gente como Gleen Miller e Cole Porter. Além da participação especialíssima de Denise Dumont cantando Tico-Tico no Fubá.

Do The Right Thing (1989 – EUA) 

O locutor de rádio (Samuel L. Jackson) desperta a população do bairro, “o dia é quente, muito quente” não cansa de repetir Love Daddy. Os termômetros chegam aos quarenta graus e as pessoas preparam-se para ir ao trabalho. E a temperatura é apenas uma das partes dessa crônica que Spike Lee lança em sua estreia no cinema. Com jeito irreverente e narrativa ágil, o cineasta parte das tensões numa rua do Brooklyn para uma contundente crítica racial e social.

A música, o jeito de andar, de falar, a forma de defender suas crenças e lutar pelas injustiças. Lee coloca a cultura negra americana em cada fotograma.  O próprio diretor assume o figura de Mookie, o entregador de pizza, enrolado entre seu jeito malandro, o relacionamento conturbado com a latina (Rosie Perez), mãe do seu filho, e os momentos em que fica perturbando a irmã. Diversos personagens orbitam à volta de Mookie, ou da pizzaria, mas é ele a cabeça pensante, explosivo quando precisa ser, contundente a cada discussão.

O calor, a incompreensão, a necessidade desse impor, ingredientes que vão direto para a panela de pressão que se torna a pizzaria dos ítalo-americanos, cheio de amor por sua cultura. Antes da explosão anunciada, pequenos tipos que formam o cotidiano, apenas recheiam a capacidade de Lee em condensar o cotidiano do bairro de minorias marginalizadas (orientais, latinos). A fúria racial oriunda de uma ideologia quase tribal. A tensão é elevada quando um negro reclama de só haver quadros de brancos enfeitando a parede da pizzaria. Neste ponto que sentimentos se revelam, personagens chegam à últimas consequências, e a violência toma conta de todos.

O racismo colocado à flor da pele, Spike Lee evoca o pior da humanidade, o descontrole injustificável e só mesmo recordar Martin Luther King e Malcom X para tentar mostrar que todos estão errados, que a forma de lutar não é esta, e que a brutalidade só traz um irreparável dano a humanidade.