Posts com Tag ‘Danny Glover’

desconhecidaComplete Unkown (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Rachel Weisz tem esse ar enigmático que poucos tem aproveitado no cinema. Wong Kar-Wai usou seu lado triunfante numa cena de My Blueberry Nights em que a atriz entra pelo bar e todos assistem petrificados. O diretor Joshua Marston tinha a faca, o queijo, e até a goiabada nas mãos para desenvolver ainda melhor esse lado mistério que Weisz expressa naturalmente.

Sua personagem é uma mulher misteriosa, uma bióloga que de repente aparece na festa de aniversário de Tom (Michael Shannon), de mera desconhecida, a culpada por reascender a chama de um esquecido passado, num jogo de mentiras e múltiplas personalidades.

Não fosse a evidente limitação criativa de Marston, o leque de possibilidades que o filme/personagem oferecem poderia desembocar num apetitoso reinicio do jogo (que a cena da dupla com Kathy Bates e Danny Glover deixa apenas um gostinho no ar). Ao contrário, o filme afinal caminha para uma resolução mais fácil, preguiçosa e conservadora.

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Manderlay (2005 – DIN) 

Não é um repeteco de Dogville, como ecoou em alguns lugares, mas sem dúvidas não causa o mesmo impacto, principalmente visual já que se utiliza da mesma estrutura (tablado negro com demarcações, sem paredes e etc).

Lars Von Trier não perdeu a obsessão de desmoralizar a cultura americana, mas dessa vez mesmo mirando diretamente nos EUA acaba acertando toda a sociedade contemporanea. Sua fábula moral é universal, a escravidão ocorreu em boa parte do planeta e não é só disso que Manderlay trata, vai mais fundo quando tenta discutir até que ponto a liberdade é benéfica, até onde deve ir a liberdade de um indivíduo para seu próprio bem (e nesse tema ele atinge realmente os EUA e suas políticas bélicas).

Manderlay é uma pequena fazenda de cultivo de algodão, logo após sair de Dogville, Grace (Bryce Dallas Howard)  depara-se com o local que ainda mantém escravos mesmo passados setenta anos desde a abolição dos mesmos. Com sua alma “caridosa” decide ficar na fazenda promulgando a liberdade e auxiliando os negros até que os mesmo estejam prontos para viverem numa democracia e tocarem suas vidas sem necessidade de ajuda. O problema é se eles estão preparados para essa mudança e quem disse que é Grace a pessoa ideal para exercer essa influência? (ou quem disse que são os EUA o ideal para libertar Iraque, Afeganistão, etc.)

Bryce Dallas Howard não é Nicole Kidman, o filme perde nessa troca, e Grace está mais didática dessa vez, seu discurso mostra-se óbvio e desnecessário algumas vezes. O roteiro por mais que trabalhe com temas polêmicos e contundentes, não parece tão bem amarrado e dá claros sinais dos segredos que reserva ao final. Mas não deixa de ser um bom, filme, engajado. Talvez sem planejar, Lars Von Trier demonstra que o ser humano é realmente um grande equívoco, nesse ponto ele tem toda razão.

Young Americans de David Bowie também encerra esse filme, novamente a música embala inúmeras fotos, dessa vez todas focadas na disputa racial nos EUA, Martin Luther King, a Klu Klux Klan e toda a miséria e diferença que marca a história dos negros nos EUA. Trier faz isso como quem diz, não se esqueçam que no fundo só estou interessado em dar mais uma cutucada no meu inimigo número um.

The Royal Tenenbaums (2001 – EUA) 

A consagração em seu terceiro longa-metragem. Wes Anderson já havia sido bem recebido pela critica com Três É Demais (Rushmore), e agora repete os elogios e conquista seu púbico com essa excentricidade dominante. Desde o formato dividido em capítulos como num livro, passando por seus personagens esquisitos, mórbidos e desembocando no humor negro, e num certo grau de ousadia do roteiro co-escrito por Owen Wilson, sempre a excentricidade como figura capital.

No centro de uma familia de prodígios está o patriarca inescrupuloso, o advogado Royal Tenenbaum (Gene Hackman). Os três filhos, um deles adotivo, demonstram talentos natos para as finanças, artes ou esportes, quando crianças. Após ser desmascarado pela família, Royal é obrigado a deixar a casa e se afastar. Mais tarde, completamente falido, descobre que sua esposa Etheline Anjelica Huston) pretende casar-se com o contador. Royal planeja retomar seu lugar na família, inventando uma doença terminal, e desse modo, acabando também com seus problemas financeiros.

A genialidade infantil foi perdida entre problemas familiares e desencontros amorosos, cada um a seu modo, vive amargurado, solitário, ou melhor… perdido. Aquela capacidade precoce foi canalizada para uma tristeza explícita e cíclica. Wes Anderson imprime, com muita personalidade, o astral de seus personagens, vai além disso, todo o pesar e sofrimento são ressaltados com maquiagens, cores de móveis e paredes, direção de arte em sintonia total com a melancolia presente. O humor negro, Anderson descontrói o mito do american way of life, de maneira caricata e abusivamente esquisita.

Gene Hackman brilha, apoiado num elenco de peso, em atuações sob medida ao tipo de cinema que Anderson tenta criar. Mas é uma narrativa calcada numa visão tão nerd de mundo, numa simetria estética que se contrapõe as cores berrantes. Vale, além da corrosiva critica à sociedade americana, a questão dos problemas psicológicos encontrados em  talentos infantis que não se concretizam quando adultos. São inúmeros os casos de adolescências perturbadas e brigas entre familiares gananciosos. Macaulin Calkin está aí para não me deixar mentir.

osanjosentramemcampoAngels in the Outfield (1994 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Produção da Disney, remake de um filme homônimo de 1951, sobre um garoto, Roger Bomman (Joseph Gordon-Levitt), que pede ajuda a Deus, para que o time de beisebol da cidade ganhe o campeonato. Roger mora num lar para crianças, que serão encaminhadas para adoção. Seu pai está partindo da cidade, e diz ironicamente que, só se o Angels (último colocado) fosse campeão, eles voltariam a morar juntos. O garoto se apega a essa possibilidade, e pede a Deus para ajudar o time.

Ele e seu amigo JP (Milton Davis Jr) vão a todos os jogos dos Angels, e no primeiro jogo, após o pedido, Roger vê dois anjos ajudarem um dos jogadores a pegar uma bola. Maravilhado, o garoto percebe que ninguém viu os anjos, e o chefe dos anjos (Christopher Lloyd) lhe conta que eles estão ali para ajudá-lo em seu desejo.

Direção bem leve de William Dear, filme típico da Disney oitentista, repleto de humor físico exagerado e muitos personagens atrapalhados, além de dramas de alta comoção (como na entrevista coletiva). Personagens bobinhos demais, outros desnecessários, como o jornalista sarcástico. O filme ganha mesmo nos diálogos entre Glover e os garotos e nas rápidas aparições de Lloyd.

 

Places in the Heart (1984 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Há pouco além da conexão familiar nas duas histórias paralelas que o filme aborda. Robert Benton carrega bem nas tintas do melodrama da trama de Edna (Sally Field), a mulher de fibra que na década de 30 assume o controle da fazenda após a morte do marido. Sem nem saber como assinar um cheque, ela entra de cabeça na plantação de algodão e na administração da fazenda. Garra e coragem são suas bandeiras, mas o filme não deixa de abordar o racismo e a inocência como temas importantes.

De outro lado, há a trama de Margarete (Lindsay Crouse), irmã de Edna, a cabeleira que sofre com a infidelidade do marido (Ed Harris) com sua melhor amiga (Amy Madigan). Essa parte do filme não  vai além de repetir clichês de outros filmes, sem nenhum atrativo ou diferencial. E facilmente poderia ter sido preterida, frente a poderosa presença de Sally Field e sua relação com Moze (Danny Glover) que diz ser especialista no plantio de algodão. É a atuação sofrida e contundente de Sally Field que carrega o filme, e mantém ainda mais distanciada a banalidade da trama sobre infidelidade. O resultado final é essa irregularidade onde as atuações se sobressaem ao todo.

acorpurpuraThe Color Purple (1985 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Daquela época em quer Steven Spielberg ainda não havia ganho o Oscar, este filme entrou para a história como um dos maiores perdedores do prêmio. Afinal, foram 11 indicações e nenhuma estatueta. Particlarmente, não sou dos que se comovem como melodramas, mas este, de alguma forma, toca de um jeito diferente, por mais que não tenha envelhecido sob o gosto da maioria. Sensível e humano, resgata a história de uma comunidade negra no sul dos EUA. Início do século XX, Celie (Whoopi Goldberg) e sua irmã Nettie (Akosua Busia) moram com o pai, que abusa sexualmente de Celie, ao ponto de engravidá-la duas vezes, os bebes vendidos.

O Sr Albert (Danny Glover) se encanta por Nettie, pede sua mão em casamento, porém, por ser mais jovem, o pai não permite que ela se case antes de Celie. Albert é viúvo, precisa de alguém para cuidar da casa, e de seus filhos, e aceita a garota. Celie passa a viver como uma escrava, apenas a servir o marido, e por isso não tem nenhum tipo de sentimento por ele. Seu pai tenta abusar de Nettie que foge para a casa da irmã, o marido Albert aceita recebê-la. Depois de um tempo Albert tenta abusar de Nettie, e como não consegue expulsa a moça de sua casa. O amor das suas irmãs é o único que Celie já sentiu na vida e separar-se dela é como tirar-lhe um pedaço. Albert é apaixonado há anos por Shug Avery (Margarert Avery), uma cantora de cabaret. E sempre que ela está na cidade, ele corre para vê-la. A cantora fica doente e Albert leva-a para sua casa, onde cria  grande amizade com Celie.

A amizade das duas levanta a auto-estima de Celie, entre tanta violência e histórico de abusos machistas, surge naquela mulher sinais da existência de um ser humano, ainda que carregada de rancor e desconsolo. A essência principal dessa história é o amor, e suas diversas formas de manifestação, por mais complicado ou distante que se possa estar, a chama nunca morre. Spielberg dá foco em detalhes preciosos, gestos e sorrisos, dando assim outro tom ao filme, desviando a dureza de vida daqueles personagens. Whoopi Goldberg está fabulosa, principalmente na memorável cena da separação das irmãs. Mas, a cena mais marcante é q Shug canta Miss Celie’s Blues pela primeira vez.