Posts com Tag ‘Danny Huston’

ocongressofuturistaLe Congrès / The Congress (2013 – ISR/BEL/FRA/EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O cineasta israelense Ari Folman continua aproveitando de formatos pouco explorados, a seu favor. Da mistura de animação com falso documentário, no ótimo Valsa de Bashir, agora em sua livre adaptação do livro de Stanislaw Lem, num misto de live-action com animação adulta, e uma corrosiva crítica a Hollywood e ao culto do estrelato.

Robin Wright é uma das produtoras do filme, e ela expõe sua própria vida e carreira em favor de sua personagem. Interpreta a si própria, uma atriz de mais de quarenta anos, que foi promessa de talento e se escondeu atrás de seus fracassos. Surge a proposta de abandonar a carreira, em troca uma fortuna, ela seria escaneada e o estúdio aproveitaria sua imagem para o tipo de filmes que quisesse. Vinte anos mais tarde um Congresso, pílulas que transformam todos em animações e levados a um lugar onírico (onde Michael Jackson é garçom, por exemplo).

A crítica duríssima de Folman, na fase live-action, com Robin Wright representando mais que si mesma, e sim a imensa maioria da classe artítistca que fracassa em suas escolhas, ou na necessidade de gerar sua imagem, acaba dissipada por um universo de fantasia excêntrica regada a alucinações coletivas. O ácido parece emanar das animações, e desestabilizar a proposta ácida e corajosamente corrosiva que Folman e Wright se dispunham a compactuar..

hitchcockHitchcock (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Na caricata visão oferecida pelo diretor Sacha Gervasi, os produtores de cinema são aqueles homens durões cujos diretores expulsam dos sets. Ao invadir, não só, toda a história das filmagens de Psicose, mas principalmente da vida do casal Alfred (Anthony Hopkins) e Alma (Helen Mirren), Gervasi abre as portas a universo riquíssimo da curiosidade humana – o por dentro da coisa.

É a figura de Hitchcock tão repleta de charme, e suspense, a capaz de dosar humor e toda essa deliciosa curiosidade por trás do mito, de seus métodos, e de como um filme pode se tornar um clássico – mesmo contra tudo e todos. Porém, o diretor prefere perder tempo com a amizade de Alma e um escritor – mote para o ciumes de Alfred. O adentrar as intimidades do casal oferece um quê de ingênuo, a ponto de transformar o mestre do suspense num garoto mimado.

Por outro lado, há a cena do banheiro, que ganha ares de ator coadjuvante na trama (talvez mais importante que Scartett Johasson), com seu clímax na primeira apresentação nos cinemas. Enfim, é um filme de momentos, principalmente pelo humor hitchcockiano, mas de um todo tão raso e tolo que a biografia não faz jus à curiosidade que o bonachão desperta.